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Trabalhadoras do Frigorífico Aurora em Erechim RS denunciam condições de trabalho insalubres

Após o Ministério Público ter interditado o frigorífico da JBS em Passo Fundo pelo surto de coronavírus, trabalhadoras da Aurora procuraram o Esquerda Diário muito preocupadas nas condições como continuam trabalhando. A empresa distribuiu máscaras reutilizáveis, mas ninguém sabe como essas máscaras são higienizadas ao fim de cada turno; as pessoas trabalham muito aglomeradas; os vestiários são muito pequenos e não há nenhuma medida para evitar o contato e a aglomeração das pessoas. Enquanto isso os chefes nem aparecem segundo as trabalhadoras.

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Ao mesmo tempo que há o medo do desemprego, e por isso não revelaremos os nomes, elas expressaram o medo de contrair o vírus e levar para seus familiares em casa. Uma delas afirma que são:

“Mães de família que estão preocupadas com seus pequenos em casa marido pai mãe enfim todos os familiares."

Sobre as máscaras ela nos escreveu:

“A aurora esta dando mascaras reutilizaveis para nos mas as mascaras sao de uso coletivo e nao pessoal ou seja todo os dias pegamos uma mascara diferente que uma outra pessoa utilizou no dia anterior. E agora ainda querem proibir nos de utilizar mascaras descartaveis na empresa obrigando a utlizar as mascaras oferecidas pela empresa. Nos nao sabemos como sao higienizadas essas mascaras e alem de tudo tem um cheiro forte de produtos de limpeza e as vezes veem amarelas que nao nao bem lavadas,e ainda sao confeccionadas em um tecido duro que machuca o rosto”.

Sobre a aglomeração ela diz:

“A nossa situação esta quase que em calmidade porque ninguem pensa nessas pessoas que trabalham em frigorificos. Aqui vao tomar alguma atitude na minha opiniao quando der um surto igual o de Passo Fundo na jbs dai vai ser tarde porque so no setor que eu trabalho somos quase 500 pessoas entao imagina como nos estamos que nem sardinha em lata.”

Outra trabalhadora que entramos em contato fala das condições dos vestiários, da falta de álcool gel e de como os governos tratam os trabalhadores industriais de uma forma diferente dos outros setores, demonstrando que nem os governos e nem os patrões estão preocupados com a proliferação em massa do COVID-19.

“Nos vestiarios é um amontoado de pessoas sem nenhuma proteção ha pessoas espirrando e ninguem toma nenhuma atitude. Nos vestiarios quase ninguem utiliza mascaras.”

“Alcool 70 temos somente na entrada do setor nas demais dependencias da empresa nao existe.”

“Todos os governos pensam em fechar o comercio para dificultar a circulação de pessoas e nos funcionarios de empresas alimenticias ninguem pensa se nos contrarirmos esse virus levaremos para nossa casas nossos familiares que muitos estao no grupo de risco por terem problemas de saude ou por qualquer outro motivo.
Sera que o covid-19 nao ira se propagar em todos os municipios so na empresa aurora de erechim veem pessoas de diferentes municipios da regiao do alto uruguai gaucho”

Os relatos são muito preocupantes, e a proliferação pode ser muito rápida no caso de apenas um trabalhador infectado. Outra trabalhadora que entrevistamos diz:

“Nas esteiras ficamos tão perto q batemos os cotovelos.”
“Outro dia uma colega pegou a máscara q devia estar limpa tinha catarro.”
“Muita gente no vestiário tds sem máscara o lugar é muito pequeno.”

E ao ser questionada sobre o que a chefia diz ela afirma:

“Os chefes mesmo
Ninguém aparece”

Os chefes estão certamente bem protegidos enquanto expõem as trabalhadoras para garantir seus lucros, um setor majoritariamente feminino. O que com certeza poderia ser bem diferente se essas mulheres, elas mesmas pudessem organizar cada setor da empresa, para que as pessoas pudessem trabalhar em distância adequada, com equipamentos de higiene e segurança individuais e em quantidade adequada, para que não tivessem que reutilizar máscaras por exemplo. Porém isso inevitavelmente iria diminuir o ritmo de trabalho e a quantidade produzida e assim os lucros dos gananciosos donos dos frigoríficos. Lembremos que em 2015 foi essa mesma Aurora em Erechim que foi interditada pelo Ministério do Trabalho devido à condição de risco grave e iminente à saúde e à integridade física dos trabalhadores.

Essa ganância capitalista pode comprometer milhares de famílias de toda a região com o novo coronavírus. Muitas mortes poderiam ser evitadas se os frigoríficos fossem controlados pelos próprios trabalhadores, pois nenhuma medida efetiva para proteger suas vidas vai partir dos patrões.

Nós do esquerdadiario.com.br nos colocamos a disposição de todos os trabalhadores e trabalhadoras para encaminhar suas denúncias. Caso você seja trabalhador desses frigoríficos envie mensagem para [email protected] e encaminhe também sua denúncia. Nossas vidas valem mais do que os lucros deles!




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