Política

BREVE BIOGRAFIA

Temer coloca tucano do apagão para presidir Petrobras

Pedro Parente foi indicado para a presidência da Petrobras nesta quinta-feira 19/05. O tucano é descrito pela mídia amiga do golpe como “pau de toda obra” de FHC. Assumiu várias missões complicadas, mas todas elas muito “tranquilas e favoráveis” aos banqueiros e interesses estrangeiros.

sexta-feira 20 de maio de 2016| Edição do dia

Quem é o tucano que presidirá a Petrobras?

Funcionário de “carreira” do sistema bancário brasileiro, tendo trabalhado no BB e BC teve em sua carreira uma ascensão meteórica com ajuda de seus contatos políticos. Estes contatos lhe renderam importantes caminhos em grandes empresas quando junto a FHC foi apeado do poder. Antes disso foi um dos responsáveis do programa “Proer” que injetou bilhões em bancos privados brasileiros antes de entrega-los aos bancos estrangeiros. Os contribuintes brasileiros ficavam com a parte podre, o dono do banco privado com os lucros da venda aos bancos estrangeiros, um dos casos mais famosos envolveu o banco Bamerindus e sua venda ao HSBC. Este caso segue em investigação no STF, com a eterna morosidade e impunidade que os tucanos tem com seus amigos juízes.

Depois de seus serviços prestados aos grandes bancos nacionais e estrangeiros, Parente assumiu a Casa Civil de FHC em período conturbado, após a maxi-desvalorização do Real e quando a base de apoio dos tucanos se enfraquecia. Era, junto ao todo-poderoso Sérgio Motta da Comunicação o homem dos tucanos para conter a insatisfação do PMDB e do DEM que ameaçavam romper com a base aliada, conter de todos modos, com cargos e benesses legais e ilegais.
Um dos importantes interlocutores no PMDB naquele período, fora os eternos caciques Sarney e Barbalho, era ninguém menos que Temer, que presidia a Câmara de Deputados naquele momento.

Após seu papel na Casa Civil, Parente assumiu outra complicada missão a FHC. Havia que mostrar serviço durante o “apagão” (racionamento de energia) e ao mesmo não tocar um átomo dos interesses das empresas nacionais e estrangeiras que haviam abocanhada empresas de produção e distribuição de energia elétrica. Para os interesses dos investidores Parente foi “boa família”, aos brasileiros oferecia corte de energia.

Parente com longa trajetória de defender interesses de banqueiros e empresários estrangeiros entra na equipe tucana de Temer para somar em entreguismo. Se o ministro das relações exteriores Serra já tinha sido muito citado no Wikileaks como interlocutor dos EUA e defensor de seus interesses na área de petróleo, se o próprio Temer foi citado como "informante" dos EUA não deve tardar a aparecerem denúncias do novo homem de Wall Street na Petrobras.

Sua missão na Petrobras, continuar com rigor e pressa a obra iniciada pelo PT”

Pedro Parente ainda não esclareceu exatamente como será sua gestão da maior empresa do país. Porém já adiantou que continuará a “carteira de desinvestimentos” já iniciada. E quer dar maior “rigor” aos projetos da empresa. Como o único “projeto” de grande escala em andamento é a privatização, entende-se muito bem seu recado. Tal como todo governo Temer sua missão é realizar ataques mais duros e rápidos que aqueles já desferidos pelo PT.

Ainda nos tempos de Graça Foster começaram a ocorrer dezenas de milhares de demissões de terceirizados, em sua gestão, junto a Dilma foi entregue “em parceria” com empresas imperialistas o maior campo de petróleo do país, Libra. Após Foster veio Bendine que colocou na ponta do lápis um plano de privatização que alcançava ano passado a 30% de todos ativos do sistema Petrobras.

Ao PT implementar este plano vinha gerando contradições. Os sindicatos petroleiros, mesmo os dirigidos pela CUT se opuseram a venda do campo de Libra em outubro de 2013 e, de norte a sul do país, uma das principais reivindicações da longa greve petroleira do ano passado era a oposição ao projeto de lei de José Serra que alterava as regras de exploração do pré-sal para favorecer os grandes cartéis internacionais. Este projeto foi aprovado mediante um acordo Dilma-Renan-Serra. O PT e a CUT aceitaram cada uma destas medidas privatistas, opondo uma controlada resistência que nunca visou colocar em xeque “seu” governo de entreguismo.

Porém, mesmo estas medidas controladas, opunham limites ao como desenvolver o plano de saque das riquezas do país. Desvencilhado destes pudores impostos pela reação com os sindicatos, Parente se prepara para usar a mão dura de seu correligionário Alexandre de Moraes para enfrentar os petroleiros e entregar estas imensas riquezas ao imperialismo.

Frente a este cenário o Esquerda Diário falou com Leandro Lanfredi, um dos editores do site, e trabalhador da Petrobras Transporte S/A em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Ele afirmou: “O PT continuou a entrega dos recursos naturais do país que FHC havia iniciado. A privatização de Libra e depois a lei entregando o pré-sal junto a Serra e Renan escancaram como foi o PT que abriu caminho à direita e aos neoliberais. De mal menor e mal menor chegamos em Parente. Se o PT preparava uma privatização parcial e aos poucos, Temer parece se preparar a algum ataque mais frontal. Precisamos dar uma resposta a esta ameaças, os petroleiros precisam retomar suas melhores tradições de 1995, superar os limites daquela greve que a CUT e Lula ajudaram a isolar e derrotar, e aprendendo com a juventude que ocupa escolas em todo o país exigir das direções dos sindicatos imediatas assembleias para termos um urgente plano de luta contra a privatização da Petrobras e todos ajustes do governo golpista.”




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