Mundo Operário

PRIVATIZAÇÃO

Temer busca apoio imperialista à sua candidatura vendendo plataformas e refinarias

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

terça-feira 3 de abril| Edição do dia

A Petrobras emitiu hoje um comunicado anunciando a venda da totalidade de dois campos terrestres e diversos campos do pré e pós-sal. No mesmo dia a Folha de S. Paulo também anunciou que semana que vem a Petrobras deve colocar à venda todas as refinarias, oleodutos e terminais do sul e da região nordeste do país, permanecendo somente com os ativos do Amazonas, Centro-Oeste e Sudeste. Em comunicado a Petrobras não negou a informação da Folha de S. Paulo, só afirmou que a alta administração escolhida pelo golpismo não tomou "qualquer decisão sobre o modelo de parcerias e desinvestimentos em refino". Mas também não negou. Essa notícia já tinha sido veiculada semanas atrás por outros meios de comunicação, e sintomaticamente anunciavam que começariam pelo Paraná, um tributo aos também pró-imperialistas da Lava Jato.

Temer havia prometido ao imperialismo através de sua "Ponte para o Futuro" que privatizaria tudo que fosse possível, e tinha sido citado nos vazamentos dos cabos diplomáticos, os Wikileaks, como um informante e aliado dos interesses das maiores empresas dos EUA. Com o recuo na pauta da Reforma da Previdência, Temer buscou novos ataques para entregar aos amos do norte, destruindo riquezas nacionais.

Sem as refinarias o país ficará ainda mais refém de uma política de preços que tem levado a gasolina, o diesel e o gás de cozinha a aumentos quase diários, bem como a ter sua capacidade de refino destruída como aconteceu com a vizinha argentina depois das privatizações e sucateamento operados pelas empresas privadas.

Nos campos de petróleo imensas riquezas serão entregues: 100% do campo de Baúna, na bacia de Santos, que produz 34 mil barris por dia (de um estoque estimado de 345 milhões de barris); pretende vender 100% do Campo de Tartaruga Verde, que deve produzir a partir do próximo ano 100.000 barris por dia (de um estoque total de 1.681 milhões de barris, fora uma grande quantidade de gás natural), e ainda 50% do Módulo III do campo adjacente de Espadarte, que está previsto produzir 10,5 mil barris por dia (de um estoque que não é possível quantificar porque se soma a de outros poços no mesmo campo).

Perde-se assim, nesta operação, uma capacidade diária de produção da ordem de 139.2500 barris por dia, e um estoque total de 2,026 bilhões de barris, uma fortuna que aos preços atuais do petróleo equivale aproximadamente US$ 128 bilhões.

Estas medidas entreguistas para conseguir apoio imperialista acontecem semanas depois das fábricas de fertilizantes terem sido colocadas "para hibernar", fazendo com que o Brasil tenha que comprar fertilizantes mesmo sendo uma potência agrícola.

Em meio a toda essa ofensiva de Temer e seu agente na Petrobras, Pedro Parente, a maior federação petroleira (a FUP-CUT) fala que irá protestar mas não organiza uma mínima medida de luta. É preciso que os petroleiros exijam assembleias para organizar a luta contra a privatização da Petrobras bem como para lutar pelo direito da população votar em quem ela decidir.




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