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Sem testagem, três técnicos de enfermagem de BH morrem de Covid em uma semana

Shirlane Alves, técnica de enfermagem de 57 anos que trabalhava no Centro de Saúde Paraúna em Belo Horizonte, morreu vítima de Covid-19 nesta sexta-feira. Seu corpo foi enterrado hoje (14/08) no Cemitério Consolação, bairro Jaqueline, em BH.

sábado 15 de agosto| Edição do dia

No dia 8 de agosto, Shirlane foi internada na UPA de Justinópolis, localizada em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. No dia seguinte a técnica em enfermagem foi transferida para o Hospital Eduardo de Menezes, no Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde veio a falecer 5 dias depois.

Além de Shirlane, ocorreram outras três mortes de profissionais de saúde em Belo Horizonte no intervalo de 20 dias. Gerônimo Batista Pires, de 53 anos também técnico de enfermagem, trabalhava na UPA Barreiro, que passou por situação catastrófica, e morreu no dia 26 de julho, acredita-se que ele tenha se contaminado em um plantão com superlotação de casos de Covid-19.

No dia 12 de agosto, a técnica Josielle Ribeiro dos Santos de apenas 37 anos também morreu vítima de Covid-19. Ela trabalhava na UPA Centro-Sul e na Santa Casa de BH, um hospital contra o qual já recebemos denúncias de descaso com os funcionários, que chegaram a ter que fazer um abaixo assinado por testagem da linha de frente. Josielle deixa uma filha pequena.

Em 7 de agosto, faleceu José Célio da Silva, de 57 anos. O técnico de enfermagem trabalhava na UPA Odilon Behrens. Conforme o (Sindibel) Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte, ele era diabético e não foi afastado, José Célio seguiu trabalhando mesmo pertencendo ao grupo de risco.

A prefeitura de Belo Horizonte diz lamentar a morte de Shirlane Alves, afirmando que tem testado todos os profissionais com sintomas de Covid-19 e que afastou desde março profissionais com idade superior a 60 anos, gestantes e os imunossuprimidos com contato direto com pacientes suspeitos de Covid-19.

Enquanto a prefeitura de BH afirma ter seguido os protocolos de prevenção do contágio, vemos que os profissionais de saúde seguem morrendo sem testes e nem EPIs, com salários baixos. Os trabalhadores de hospitais estaduais localizados em BH sofrem com o descaso de Zema, como danunciaram em ato ocorrido em 14 de julho.

A demagogia da prefeitura não é capaz de calar essas vozes e silenciar a morte de todos esses profissionais que seguem se ariscando todos os dias. Estamos aqui para denunciar cada morte, lutando ao lado dos trabalhadores por mais EPIs, leitos e testes para que não hajam mais Shirlanes, Gerônimos, Josielles e Josés mortos pelo descaso dos governos e dos capitalistas, mas que inclusive estejam à frente de controlar o combate à pandemia, gerindo todo o sistema de saúde, que deveria ser verdadeiramente único e gratuito.




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