Mundo Operário

IFOOD ABANDONA TRABALHADOR QUE PERDEU A PERNA

Sem indenização do iFood, entregador de 61 anos perde a perna em acidente e depende de vaquinha online

Joel Brossein, 61, perdeu a perna em um acidente na volta para casa, e por sete meses foi ignorado pela empresa. Apenas após Joel fazer uma vaquinha e com a repercussão de um vídeo na internet eles disseram ao entregador que irão arcar com os custos de sua prótese.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Nesse 1 de julho, dia em que ocorre a paralisação internacional dos entregadores de aplicativos, relembramos alguns dos grandes absurdos que essas empresas milionárias cometem contra os trabalhadores que geram seus lucros em condições absurdas e precárias.

Um desses casos escandalosos é o de Joel Brosselin, de 61 anos, que há quinze anos trabalha como motoboy. Há um ano e meio trabalhava para a iFood, enquanto aguarda os quatro anos restantes para que obtenha sua aposentadoria. A vida de Joel mudou no dia 14 de novembro de 2019, quando voltava para casa após mais uma das extenuantes jornadas de trabalho: ele foi atropelado por um carro, cujo motorista fugiu do local sem lhe prestar socorro.

Acometido por diabetes, Joel sofreu complicações, teve que fazer três cirurgias e passar 50 dias internado em um hospital. Finalmente, teve a perna amputada em decorrência do atropelamento.

A iFood abandonou Joel à sua própria sorte: quase oito meses após o acidente, não fizeram nada por ele, alegando que não estava em horário de trabalho porque já estava voltando para casa. Suas sessões de fisioterapia, que foram interrompidas com a pandemia, tiveram que ser pagas pelo próprio Joel. Agora, para tentar comprar uma prótese e continuar trabalhando – já que sua aposentadoria ainda está há quatro anos de distância – ele está fazendo uma vaquinha online. O vídeo abaixo foi gravado por ele para a campanha de arrecadação:

No vídeo Joel afirma que apesar do seguro ter inicialmente negado, a explicação do aplicativo aos entregadores é que o retorno do trabalho é coberto pelo seguro. Ele diz “Já pedi uma reavaliação e não obtive resposta. Eu queria que eles soubesse disso, é muito importante. Não é uma coisa à toa, eu não perdi uma unha. Perdi a perna, poxa, trabalhando para eles, eles tem que saber disso, impossível eles não saberem o que está acontecendo."

Ele afirma que a prótese que espera pelo SUS pode demorar mais de três anos, um tempo que ele não pode esperar: "Eu preciso trabalhar agora, a hora pra mim é essa, eu só vou me aposentar com 65 anos. Como é que vai ser, daqui até lá? Pra mim está péssimo, está cada dia pior. Então, eles tem que saber, eu preciso dessa ajuda deles. Não sei se não é um dever deles.”

Após a grande repercussão nas redes, o iFood, que até então havia ignorado sumariamente a dramática situação de Joel e o terrível acidente que ocorreu enquanto ele se expunha ao trabalhar para engordar os imensos lucros da empresa, sentiu doer onde lhe aperta: nos lucros. Querendo preservar sua imagem, o iFood disse ao entregador que irá arcar com os custos e será indenizado pelo seguro.

Casos como os de Joel são cotidianos: acidentes, mortes, todo tipo de absurdos que ocorrem com os entregadores, enquanto a empresa que sequer garante os direitos trabalhistas mínimos lava as mãos e repete seu cínico discurso de que esses trabalhadores não tem vínculo com a empresa.

Nesse 1 de julho nos somamos à voz de Joel Brossein e de todos os entregadores na luta pelos seus direitos, contra a exploração monstruosa de empresas como a iFood que causam tragédias como essa.




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