Política

Segundo denúncia de revista, Michel Temer atua para proteger Macri no caso do Panamá Papers

Quando Michel Temer foi a Buenos Aires, em outubro, para a primeira visita oficial a um chefe de Estado, ele comentou ter mais razões para estar ali do que os ''laços históricos'' entre Brasil e Argentina. Além da afinidade política, Temer vê seu governo constantemente importunado pelo os desdobramentos da Operação Lava Jato e Macri sofre com investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação de bens desde o estouro em abril, do escândalo internacional chamado Panama Papers.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quinta-feira 24 de novembro| Edição do dia

Além do pensamento político ser o mesmo, Michel Temer vê seu governo constantemente ameaçado pelo os desdobramentos da Operação Lava Jato e Mauricio Macri sofre com investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação de bens desde o estouro em abril, do escândalo internacional chamado Panama Papers.

Os Panama Papers reúnem centenas de documentos que expõem a clientela do Mossack Fonesca, empresa especializada em criar outras empresas em paraíso fiscais para quem está disposto a sonegar impostos ou esconder dinheiro de origem duvidosa. Mauricio Macri aparece na lista como acionista de uma offshore aberta nas Bahamas em 1998. Seus sócios na Fleg Trading eram o pai, Francisco, e o irmão, Mariano.

De acordo com a Carta Capital, a descoberta da relação com o Brasil surgiu através próprio presidente da Argentina. De acordo com Mauricio Macri, a Fleg tinha sido criada para tocar no Brasil um dos negócios da família, o Pague Fácil, de cobrança eletrônica.

A Família de Macri operou aqui o sistema de cobrança entre 2001 e 2002, por meio de outra empresa do grupo, a Global Collection. No processo em andamento na Argentina, tem pistas de que Macri teria usado a companhia da Bahamas para injetar 10 milhões de dólares de procedência desconhecida no Brasil.
O despacho judicial contém uma solicitação específica sobre Mauricio Macri. Que seja informado se, em relação ás três empresas, “Mauricio Macri figura ou figurou como acionista”.

O promotor que fez a denuncia de Macri à Justiça, Federico Delgado, da sexta Promotoria Criminal Federal Argentina, tem clareza de que o presidente Mauricio Macri lavou no Brasil dinheiro de natureza incerta proveniente das Bahamas. De acordo com Delgado . “As respostas dos Estados requeridos se inserem na lógica habitual desse tipo de trâmites. Afirmam como princípio que estão dispostos a colaborar e depois solicitam mais informação. Dados que em geral não existem no processo e que, se existissem, não haveria por que mandar requerimentos.”

De acordo com ele, o presidente argentino e sua família injetaram, na ocasião, 9,3 milhões de dólares nas filiais, equivalente a 11,3 milhões de reais na época. Este dinheiro tinha saído das Bahamas e entrado nos cofres de uma segunda empresa do grupo, a Socma, sediada na Argentina.

Delgado afirma que o dinheiro recebido da Fleg pela transação, a empresa Socma aportou em três firmas brasileiras. No dia 22 de setembro, repassou 1,892 milhões de reais á Partech Unnisa. Já no dia primeiro de outubro, 5,539 milhões a Pertech Ltda e em 21 de outubro, 3,417 milhões foram á Itron Brasil, tudo isso de acordo com a revista Carta Capital.

A criação da empresa Itron no Brasil está totalmente relacionada com o envolvimento de Brasilia no caso. Trata - se de muitos os interesses empresariais e políticos que mescar - se. Para instalar a empresa, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a familia Macri procurou sócios locais. Uma dos interesses envolvidos trata -se de Otávio Azevedo, da empreiteira Andrade Gutierreza, recém condenado á prisão pela Operação Lava - Jato por corrupção e lavagem.

Caso fique demonstrado que os 9,3 milhões de dólares saíram do Caribe para o Brasil, a missão será descobrir a origem da bolada. Seria criminosa? O vínculo do presidente argentino com a Flag parece evidente, embora Macri negue. De acordo com documento, o escritório Mossack Fonseca criou a companhia em 31 de março de 1998, com um capital de 5 mil dólares. Mauricio Macri estava na lista de sócios, na condição de vice-presidente. Seu era pai era o presidente e o seu irmão, o secretário. A composição societária inicial vigorava quando ocorreu a injeção suspeita de 9,3 milhões de dólares no Brasil.

Para descobrir a falta de empenho do Brasil com as investigações, o promotor Delgado pediu para o juiz Casanello que acionasse os registros migratórios para descobrir se Macri, seu pai e seu irmão estiveram no Brasil quando ocorreu os acontecimentos. No dia 6 de novembro, o jornal argentino Perfil, noticiou que Macri e seu pai fizeram um bate-e-volta a São Paulo entre 11 e 12 de agosto, conforme consta nos informes migratórios, conforme apurou a mesma revista brasileira.

Ao mesmo tempo que os capitalistas precisam expandir o comércio para aumentar seus lucros, estes fazem seus acordos espúrios com os governos para poder conseguir os seus objetivos. Isto mostra que o giro à direita que ocorreu na superestrutura da America Latina, não foi somente para desferir ataques mais duros contra a classe trabalhadora e demais setores populares da da sociedade, que os governos anteriores já viam fazendo, mas também serviu para que estes esquemas internacionais acontecessem, ou ao menos se "blindassem".

Nem a grande mídia e nem Michel Temer se pronunciam sobre o assunto porque sabem que um escândalo internacional somente vai trazer mais instabilidade para o atual governo brasileiro. Além disso, a Argentina junto com o Brasil são os principais países que onde este giro à direita na superestrutura se completou e apesar destes governos estarem envolvidos até o talo com denúncias de corrupção, um escândalo de corrupção internacional envolvendo os dois países iria desestabilizar mais os dois governos.

Enquanto isso estão afundando em escandalos em seus respectivos governos, Macri ataca a classe trabalhadora e os demais setores populares da sociedade na Argentina e Michel Temer ataca a classe trabalhadora e os setores populares da sociedade no Brasil. A luta independente dos trabalhadores contra a direita clássica que novamente volta ao governos nos principais países do continente é uma luta contra a influência do imperialismo na região e também de unidades dos trabalhadores contra suas respectivas elites.




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