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PORTO ALEGRE

Secretário de Marchezan defende que alunos não devem repetir merenda nas escolas

Sob alegação de combate à obesidade entre os estudantes, Adriano Naves de Brito, secretário de educação de Marchezan em Porto Alegre, disse nesta quarta (21) que é "muito inadequado" os alunos da rede municipal comerem mais de uma vez na merenda.

quinta-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Demonstrando total desconhecimento da realidade dos estudantes da rede pública, o secretário de educação de Porto Alegre defendeu na Câmara de Vereadores que os alunos da rede municipal não devem repeti a merenda. "É muito inadequado que o aluno se alimente mais de uma vez". A justificativa é que isso levaria à obesidade.

Tamanha asneira foi dita em meio à apresentação do Marco Regulatória de Educação, que entrou em vigor no ano passado. O vereador do PSOL Alex Fraga criticou a fala do secretário: "Foi um posicionamento insensível, que não leva em consideração o contexto social em que essas crianças estão inseridas. Além disso, existe um problema de dimensionamento dos recursos: eles são mais restritos na rede conveniada, que recebe kits prontos, e, portanto, tem menos autonomia para geri-los, então acaba racionando. Isso nos preocupa muito"

A Associação dos Professores Municipais de Porto Alegre (Atempa) também se posicionou sobre a declaração. Segundo a Associação, os principais problemas da alimentação nas escolas é a reduçao do intervalo, de 20 para 15 minutos, e também o controle da quantidade de alimentos. Desde 2017 há uma orientação da prefeitura para limitar a quantidade de carne consumida pelos alunos.

Muito diferente do que o secretário de Marchezan expressou, na realidade a alimentação dos estudantes é mais prejudicada pela falta de tempo - 15 minutos para comer! - e pela limitação de alimentos. No ano passado o prefeito de São Paulo João Dória (PSDB) chegou a aplicar o racionamento da merenda, marcando a mão dos estudantes que já comeram para que não repitam a refeição. Tal absurdo não chega a ocorrer em Porto Alegre, mas o secretário de educação demonstra com seu discurso de suposto combate à obesidade, e também com as políticas de controle de quantidades de alimentos, que pode seguir o exemplo nefasto de Dória.




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