Mundo Operário

TRIBUNA ABERTA

SEPE apresentará grade curricular à SEEDUC na próxima terça-feira

domingo 22 de outubro| Edição do dia

O texto de Marlon da C. Guimarães, professor da rede Estadual do RJ em São Gonçalo

A assembleia ocorrida ontem (21/10) no Sindspetro para definir a grade curricular da rede estadual do Rio de Janeiro foi lastimável!

Saltou aos olhos o despreparo da direção do Sindicato para debater e para compreender aspectos elementares do cotidiano da rede estadual de ensino.

O primeiro problema é que o sindicato tem discutido apenas a grade curricular da modalidade Ensino Médio regular, negligenciando as demais modalidades de ensino que existem na rede estadual (Médio integrado, Médio inovador, Fundamental II, NEJA, CEJA, Curso Normal).

Só para se ter ideia, o Ensino Médio regular concentra não mais do que 50% das matrículas de estudantes. Sendo assim, chegar numa mesa de negociação para discutir apenas uma modalidade de ensino, impossibilita avanços na negociação. Tomemos como exemplo o caso de Artes: se o Governo negar a disciplina nos 3 anos do Ensino Médio regular, os "negociadores" podem conseguir avançar na pauta propondo que a disciplina esteja presente nos 3 anos do Médio integrado, do Médio inovador e do Normal.

Mas, ficou notório que os "nossos negociadores" pouco sabem sobre como a rede estadual está organizada. O desconhecimento dos sindicalistas em relação às escolas estaduais é assustador!

Um exemplo disso, foi o surgimento da proposta de uma grade curricular com 7 tempos por turno, com 45 minutos em cada tempo de aula. Essa proposta não teve discussão prévia, e como a direção do Sindicato parece saber pouco sobre o cotidiano escolar, essa "ideia" foi colocada em votação e aprovada. Contudo, foi aprovada de maneira confusa, tanto que a maioria dos votos não foi dada para essa proposta, mas sim para as abstenções.

Os nobres sindicalistas e os autores dessa proposta não atentaram ao fato de que ela inviabiliza o turno da noite, pois estende o turno da tarde até 18h30, não permite que as salas sejam arrumadas para começar as aulas da noite, além de, obviamente, ser uma insanidade imaginar que o noturno possa ter 7 tempos de aula!

Parece que os sindicalistas não entendem questões primárias.

No fim, saímos com três propostas aprovadas: (1) a grade curricular aprovada nas plenárias; (2) 7 tempos de aula; (3) ensino integral.

Sinceramente, o SEPE vai passar vergonha na mesa de negociação, pois não sabe o que vai apresentar e não tem preparo para isso. Mas o principal problema não é esse, o pior é que a falta de compromisso desses sindicalistas com a categoria e com a Educação Pública nos faz passar vergonha e colher uma série de derrotas ano após ano.




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