Política

GOLPE INSTITUCIONAL

Ruralista racista e homofóbico pode ser Ministro da Agricultura em eventual governo Temer

O deputado federal Luiz Carlos Heinze do PP do Rio Grande do Sul está sendo cotado como possível ministro da Agricultura em um eventual governo Temer. Representante dos ruralistas, o deputado é conhecido por defender o trabalho escravo e propagar o ódio contra indígenas, quilombolas e LGBT’s.

quarta-feira 4 de maio de 2016| Edição do dia

Se escrever o nome “Luiz Carlos Heinze" na busca do Google, a primeira coisa que aparece é “trabalho escravo”. Conhecido por encabeçar a lista de “racista do ano” criada pela ONG britânica Survival International em 2013, após ter feito uma série de declarações preconceituosas contra indígenas, negros e homossexuais, o deputado federal do PP (mais votado do RS nas últimas eleições, diga-se de passagem) também é citado na operação lava-jato.

Agora ele é cotado para ocupar o cargo de ninguém mais que Katia Abreu no ministério da agricultura num eventual governo Temer. Tudo isso vai depender das negociatas feitas entre PMDB, PP e PSDB, nas próximas semanas

O “trabalho escravo” que surge na pesquisa do Google se dá por conta da participação de Luiz Carlos Heinze, em 2014, na proposta de mudança da chamada PEC do Trabalho Escravo que previa expropriação de terras sem indenização em casos de flagrante trabalho escravo. Essa proposta de emenda constitucional não agradou muito os latifundiários brasileiros que logo buscaram socorro no lobby parlamentar.

A bancada ruralista no congresso se organizou e propôs alterar a definição de “trabalho escravo”, retirando expressões como “jornada exaustiva” e “trabalho degradante”, para satisfazer os interesses dos oligarcas. O relator do processo foi o deputado Luiz Carlos Heinze.

Em novembro de 2013, durante reunião reunião pública, Luiz Carlos Heinze deu uma declaração de cunho homofóbico, racista e de ódio referente ao gabinete do então ministro Gilberto Carvalho. De acordo com ele “é ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo o que não presta, ali está aninhado, e eles têm a direção e o comando do governo”. São sujeitos da pior estirpe como esses que podem encabeçar uma das pastas mais importantes do governo federal.

Em algumas semanas existe a possibilidade do golpe institucional em curso triunfar. Nesse caso vai haver uma importante reorganização no governo e cada ministério está sendo disputado pelos setores mais reacionários e repugnantes existentes na política brasileira. Luiz Carlos Heinze é um deles. Representantes da elite branca ruralista que há séculos domina o Brasil, expulsa indígenas de sua terra, usa do trabalho escravo para acumular riqueza e avança sobre os direitos elementares de terra e dignidade, a bancada ruralista ganha ainda mais espaço no novo governo.

O cargo para ministério da agricultura está sendo disputado por alguns nomes, como o cirurgião paulista Raul Cutait, a ser indicado pelo PP do Piauí, a senadora Ana Amélia, o famigerado “racista do ano” Heinze e Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal - os três últimos todos do Rio Grande do Sul.

Sabemos que a agricultura será presidida por alguém do PP ou alguém indicado pelo PP, mas o nome ainda é incerto. Apesar do currículo de Heinze ser recheado de barbaridades, a única coisa que joga contra ele seria o nome citado na Lava-Jato.

Como se não bastasse governo Dilma ter escolhido Katia Abreu, nomeadamente representante do latifúndio e prêmio motosserra de ouro, agora buscam um outro nome para continuar avançando sobre o direito à terra que há séculos em nosso país se mantém quase que intacto.

Mas como o golpe não visa a melhoria dos povos quilombolas, indígenas ou campesinos, pouco importa para Temer se um representante do que há de mais degenerado no país presidirá um ministério do porte da agricultura ou não. O que importa é agradar a nova base aliada, os interesses regionais oligárquicos e orquestrar ataques contundentes aos direitos da população.




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