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PREVIDÊNCIA

"Rodoviários podem parar, os metroviários precisam de uma assembléia já", diz Guarnieri

Frente ao plano do governo de manter a votação da reforma da previdência em fevereiro, os rodoviários de SP, Guarulhos e região aprovaram em assembleia a paralisação da categoria caso o governo faça votar a reforma da previdência. Felipe Guarnieri, operador de trem do Metrô de SP e diretor da FENAMETRO, falou ao Esquerda Diário sobre a necessidade de uma forte paralisação no metrô de São Paulo.

quinta-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Sobre a situação política, Guarnieri disse que “Essa ‘nova’ proposta de Reforma da Previdência segue mantendo a sua essência que é realizar um ataque histórico aos direitos dos trabalhadores. Segue sendo uma reforma para fazer nós trabalhadores trabalharmos até a morte, receber uma aposentadoria ainda mais miserável. Além disso, a reforma da previdência de Temer preserva os absurdos privilégios da casta política e da alta cúpula do judiciário, como Moro, Bretas, Gilmar Mendes, todos ricos, autoritários e não eleitos por ninguém. Então não tem nada de ‘igualdade’ e ‘combate a privilégios’ como o governo tenta vender, com ajuda do Silvio Santos, Ratinho, Amaury Jr. e a grande imprensa. Barrar a reforma da previdência na luta de classes é a única forma de começar a atacar os privilégios da cúpula do judiciário”.

Complementou dizendo que “Não podemos nos confundir: é necessário organizar toda a força possível para que no dia 19/2 a classe trabalhadora paralise os principais centros econômicos do país contra a reforma da previdência e pelo direito da população votar em quem quiser, direito esse violado pelo judiciário golpista”.

Sobre a decisão dos rodoviários, Guarnieri disse que “Os rodoviários da base do sindicato mostraram que querem paralisar tudo dia 19 para defender sua aposentadoria. Mesmo assim, Noventa (diretor do SindiMotoristas) da UGT mantém a subordinação à agenda parlamentar, na velha fórmula ‘Se botar pra votar, o Brasil vai parar’, o que só fornece mais tempo para os parlamentares entrarem num acordo pela reforma. As centrais que dirigem os rodoviários, como a UGT e a CUT, precisam parar de travar a organização da greve desses trabalhadores e garantir assembleias de base em cada garagem, para que os trabalhadores preparem desde já a maior paralisação possível. A CTB, que dirige o Sindicato dos Metroviários de SP, até agora não fez nada para organizar a categoria para que os metroviários sejam parte ativa dessa jornada de greve. Por que não convocam assembleia para que os próprios trabalhadores decidam, ao invés de boicotar a luta? Imagina se os rodoviários paralisam as ruas de SP, vamos deixá-los sozinhos?

Ainda a respeito do que tem sido o papel das centrais sindicais, denunciou “É impressionante o corpo mole da CUT e CTB para organizar uma luta que eles mesmos estão chamando. Dia 19 precisa ser o mais forte possível e ponto de partida para uma verdadeira greve geral nesse país. É uma traição que elas fiquem paradas esperando que o governo decida o melhor dia para nos atacar, colocando a luta dos trabalhadores em cada local de trabalho a reboque do calendário do governo. Fazem como os conciliadores do PT, que dizem que ‘seguirão confiando na Justiça’, ao invés de confiar na luta dos trabalhadores, submetendo nossa luta à institucionalidade dessa democracia degradada”.

“É urgente que a CTB, e toda a diretoria do Sindicato dos Metroviários de SP, garanta a convocatória de uma assembleia de base dos trabalhadores do metrô para que possamos decidir com nossas próprias medidas como participar fortemente desta jornada de greve do dia 19. Não podemos deixar sem resposta o indicativo dos companheiros rodoviários. Precisamos fortalecer a entrada conjunta do setor de transportes na luta contra a reforma da Previdência, e pelo direito da população decidir em quem votar”

Concluiu dizendo que “A mesma alta cúpula do Judiciário que hoje dá continuidade ao golpe, fortalece seu autoritarismo negando o direito da população decidir em quem votar com a condenação arbitrária de Lula, tem seu esforço recompensado por Temer, que garantiu que sua gorda aposentadoria e demais privilégios estarão fora do alcance da reforma. A única maneira de começar a atacar os privilégios dos políticos e juízes é barrar a reforma da previdência e abolir a reforma trabalhista. A luta de classes dos trabalhadores organizados em seus locais de trabalho é a maneira mais eficaz de derrotar o autoritarismo do Estado e garantir não apenas os direitos formais como o voto, mas o questionamento do conjunto do sistema político degradado dos capitalistas. Baseado nessa luta, poderíamos impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que exigisse que todo político e juiz fosse eleito e revogável, ganhando o mesmo salário de uma professora – que deve ser o valor estipulado pelo DIEESE, R$4000 – abolindo os tribunais superiores, e que todo julgamento fosse feito por júri popular. Da mesma maneira, poderíamos reorganizar toda a economia para que atenda os interesses dos trabalhadores, estatizando sob controle operário as grandes empresas envolvidas em corrupção como a Odebrecht e a JBS. Isso seria um passo importante para um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo”.




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