Política

DENUNCIA TEMER

Queremos salvar Temer e acabar com sua aposentadoria diz Beto Mansur

Nessa semana será votada a denuncia por corrupção de Temer, o presidente e seus aliados estão correndo para garantir os votos contrários a denuncia, fazendo todo tipo de acordos para salvar Temer e garantir a votação da reforma da Previdência. Um dos ataques mais duros que o governo quer orquestrar contra a população, junto a já aprovada reforma trabalhista.

quarta-feira 2 de agosto| Edição do dia

Temer passou a garantir aos aliados, nos bastidores, que não haverá retaliação a quem se posicionar contra o presidente, essa é a nova ofensiva para garantir quórum no plenário da Câmara dos Deputados e derrubar hoje a denúncia por corrupção passiva contra o presidente. Devido a política traidora da Força Sindical e a cumplicidade da CUT e CTB, Temer ganhou tempo para a partir de acordos e milhões gastos em promessas de cargos, falar agora que esta seguro na votação da denuncia.

O problema é que essa estabilidade relativa que o governo conquistou serve unicamente para seguir na tentativa de aprovar a reforma da Previdência. Sabendo que ele já aprovou a reforma trabalhista enquanto as centrais nãos e moveram para barrar. Pelo contrário desconstruíram a greve marcada para o dia 30 de junho, e conscientemente jogaram um “balde de água fria” nas fortes demonstrações de luta que vimos na paralisação do dia 15M, na Greve Geral do dia 28A, na Marcha a Brasília.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos integrantes da “tropa de choque” de Temer, disse abertamente, “Queremos virar logo essa página para votar a reforma da Previdência e outras de que o Brasil precisa. Estamos fazendo um apelo para que todos marquem presença no painel e, se não puderem votar com o governo, que se abstenham.” Essa política podre do governo e de todo o congresso, onde os direitos da população e dos trabalhadores são rifados.

A nova estratégia tem como principal alvo o PSDB e mira não apenas na rejeição do processo contra Temer, mas também na reforma da Previdência. Falar me “não retaliação” permite que os neoliberais do PSDB sigam sua política “em cima do muro”, oportunista, pois apóiam todas as medidas de ataque contra os trabalhadores que Temer vem levando, mas não querem se “sujar” frente as eleições. Por isso fazem um jogo dúbio com ameaças de sair do governo, mas quando na verdade são um dos partidos que mais vem mantendo Temer.

O Palácio do Planalto avalia que o plenário barrará a investigação. Mesmo assim, a crise política está longe de ser resolvida. Temer precisa da base unida para aprovar a reforma da Previdência. É justamente aí que seus problemas aumentam ainda mais.

Dividido, o PSDB ameaça a todo instante deixar o governo. Dos 46 deputados da bancada tucana, 30 já falam em votar hoje contra Temer. O PSDB comanda quatro ministérios e o presidente pediu ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) que o ajude a reverter votos. Alvo de novo pedido de prisão apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Aécio é um dos principais defensores de Temer no PSDB.

Embora até mesmo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, esteja há tempos mandando recados de que os traidores perderão cargos na administração, na prática auxiliares do presidente dizem que o momento não é de confronto. Em conversas reservadas, alguns deles afirmam que o troco pode até ser dado aos infiéis, mas não agora porque é preciso evitar um esgarçamento ainda maior da base de sustentação de Temer.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter certeza de que o PSDB não virará as costas para Temer. “O PSDB tem um papel importante no governo e vai ajudar o governo”, afirmou. “Recebi vários deputados dizendo que iam votar contra o presidente, mas a favor da reforma da Previdência.”

Pelos cálculos do Planalto, Temer terá hoje entre 240 e 280 votos a seu favor, mas ainda há entre 30 e 40 “indecisos”. Para que a denúncia seja aceita, é necessário o apoio de 342 dos 513 deputados. A ideia inicial do governo era fazer da votação de hoje um teste para demonstrar sua força – o Planalto precisa de 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. Assim o presidente pode ganhar sobrevida, mas está muito enfraquecido.

Mesmo em crise o governo conseguiu seguir, tendo o apoio empresarial aos ataques que esta implementando. Enquanto os outros partidos se preparam para as eleições, que em nada irá mudar as políticas e figuras podres desse regime político. Temer só conquistou essa estabilidade relativa por contra da traição da Força Sindical, e justamente da política das centrais petistas que a partir da consigna de “Eleições Gerais”, deixaram de lado a luta contra os ajustes e giraram tudo para uma estratégia institucional e subjugada aos métodos parlamentares.

Esses métodos que vemos todos os dias de compra de votos, troca de favores e tudo para manter um presidente ilegítimo que aplique ataques. A política de organizar comitês de base em cada local de estudo e trabalho, e colocar a luta nas mãos dos trabalhadores vem justamente no sentido de passar por cima dessa política adaptada e traidora das centrais, e seguir uma luta irredutível contra as reformas e o governo.




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