Educação

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"Quem não tem dinheiro não estuda", afirma Dep. Nelson Marquezelli do PTB-SP

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 11 de outubro| Edição do dia

Em vídeo publicado no site do youtube ontem, o deputado federal Nelson Marquezelli do PTB de São Paulo discute com integrantes do Esquerda Valente sobre a PEC 241. O deputado federal repete todo argumento neoliberal de que não se pode gastar mais do que arrecadar e também que os contribuintes estão cansados de pagar impostos. Durante a discussão, Marquezelli chega ao cúmulo de dizer que ’’quem não tem dinheiro, não estuda’’. Veja vídeo:

O deputado Marquezelli é um velho dinossauro da política brasileira. Em 1962, filiou-se ao PSD onde conseguiu se eleger vereador em Pirassununga. Também se integrou a ARENA e ao PDS. Já em 1992 foi líder da Câmera dos Deputados e também foi presidente da Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural na Câmara dos Deputados.

O deputado federal que esbravejou que ’’quem não tem dinheiro, não estuda’’, foi o mesmo elaborou um projeto de reajuste de mais 60% nos próprios salários dos parlamentares alegando que, assim, os deputados não precisariam ’’fazer bicos’’, votou favoravelmente às mudanças propostas pelo deputado Paulo Piau que dentre outros fatores libera crédito para quem desmatou. Além disso, o deputado votou não na emenda contra o trabalho escravo.

Marquezelli foi citado em fevereiro deste ano pelo lobista Marcel Ferreira Junior, que extorquia fornecedores de merenda para as escolas públicas de São Paulo. Uma distribuidoras de bebida de sua propriedade foi apontada como destino da propina recolhida pela quadrilha que agia em pelo menos 22 municípios.

A entrevista com este deputado federal mostra muito bem o motivo do golpe institucional que a direita deu no país. Com o argumento falacioso de que o direito do filho do trabalhador pesa no bolso do contribuinte, deputados como Nelson Marquezeli que apoiaram o golpe institucional e agora votaram pela PEC 241 querem a tudo qualquer custo tirar o direito elementar do filho do trabalhador a ter acesso á uma universidade. Se depender desta direita representada por homens como Nelson Marquezeli e outros deputados reacionários que possui o mesmo pensamento, as portas das universidades vão estar literalmente fechada para os trabalhadores e os seus filhos.

Sabemos que no Brasil, são poucos que conseguem entrar numa universidade e menos ainda que conseguem estar numa universidade pública. Os trabalhadores e seus filhos são barrados pelo filtro elitista do vestibular, o que faz com que a grande maioria da população procure um curso técnico para ser mão de obra barata e precária dos grandes empresários e banqueiros.

Até quando vamos permitir que estes reacionários corruptos riem da nossa cara? Por isso é necessário que a CUT e a CTB rompam com a sua paralisia e coloque um plano de luta efetivo que seja capaz de barrar os ataques contra a educação, mas também que se enfrente contra a reforma da previdência e trabalhista. Somente uma greve geral pela base é capaz de barrar este profundo ataque.




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