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"Quem está preocupado com a nossa fome? Porque a PROAE não está" relata estudante da UFRN

Os auxílios alimentação, transporte, moradia e creche ainda não foram depositados integralmente na UFRN. Essa é a terceira denuncia que recebemos da situação dos alunos dependentes do auxílio, publicadas aqui anonimamente. Envie você também a sua denuncia.

terça-feira 29 de outubro| Edição do dia

A UFRN anunciou corte de bolsas de apoio técnico, pesquisa e extensão, que impedirá que estudantes sigam pagando as contas. A Reitoria afirmou que se o Restaurante Universitário não for aberto no dia 1º de novembro, será realocada verba dessas bolsas para cobrir os auxílios. A reitoria diz priorizar a permanência estudantil, mas o que está colocando é que os estudantes terão que escolher entre si quem vai pagar a conta, assim como os terceirizados. Não podemos aceitar, mas devemos sim ter o direito de decidir como enfrentar os cortes de Bolsonaro na UFRN com a abertura do livro de contas.

Na última quarta-feira, 23, ocorreu uma assembleia geral dos estudantes que votou uma série de ações e reivindicações, como a abertura imediata das contas da universidade e um espaço soberano de deliberação entre estudantes, trabalhadores (efetivos e terceirizados) e professores, para começar a definir os rumos da universidade. Saiba mais sobre a assembléia e o calendário de luta aprovado. Chamamos a todos para a manifestação marcada para dia 31/10 em ECT.

Reproduzimos abaixo a terceira denúncia que recebemos no site de estudantes que estão sofrendo com essa situação. Disponibilizamos as demais denúncias aqui e aqui.

"Falar sobre os desafios que enfrentamos dentro da universidade pra mantermos o pleno exercício das nossas atividades acadêmicas é muito difícil e muito doído pra mim, principalmente por ter trilhado minha trajetória acadêmica pensando as Políticas Públicas de Alimentação, me dedicando a lutar pela realização do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas, na busca pela Segurança Alimentar e Nutricional tendo como principal corpus pessoas em situação de vulnerabilidade social e eu tenho vivenciado meu cenário de estudo dentro do meu ambiente de estudo. Eu acho que o nosso sentimento hoje, acima de tudo, é de abandono.

Pagamos o preço por uma reforma que deveria melhorar nosso possibilite acessar a tal alimentação a qual deveríamos ter direito, alimentação essa a qual não dispomos pois o auxílio financeiro que subsidiaria minimamente nossa alimentação no mês de outubro não foi repassado para alguns, como é o meu caso. Nos endividamos para comer. Estamos em Situação de Insegurança Alimentar e Nutricional, e nos apresentam como alternativas medidas arbitrárias e inviáveis de redirecionamento de recursos que só agravam a situação de calamidade que vivenciamos dentro de uma Universidade Pública que outrora foi referência na redução das iniquidades. Como se não fosse suficiente o ônus de ter que custear os 4 transportes públicos que garantem que eu esteja às 7h da manhã na universidade de segunda à sexta e consiga retornar para casa, ainda que sem recursos para tal, hoje nos pedem paciência ainda que argumentemos que permanecemos durante 2 turnos consecutivos no campus sem 1 centavo no bolso que nos permita a tal alimentação a qual deveríamos ter direito.

Em números, por os pés na universidade representa 150 reais por mês, que não são cobertos pela instituição uma vez que Macaíba compõe o conjunto de municípios da zona metropolitana de Natal. Almoçar na universidade uma Quentinha sem segurança microbiológica e nutricionalmente inadequada custa, no mínimo, 100 reais por mês. São 250 reais gastos com transporte e alimentação, que comprometem 50% da minha renda mensal. E isso se torna um problema pequeno quando consideramos que alguns alunos não dispõe de renda alguma.

Quem está preocupado com a nossa fome? Porque a PROAE certamente não está."




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