Política

ELEIÇÕES RIO 2018

Quem é Wilson Witzel, defensor da intervenção militar nas favelas e de privatizar a UERJ

segunda-feira 8 de outubro| Edição do dia

FOTO: Wilson Witzel ao lado de Rodrigo Amorim e Daniel Oliveira, ambos do PSL

Wilson Witzel despontou como a “surpresa” das eleições de governador para Rio de Janeiro. Isto é o que a grande mídia ao menos tenta mostrar, um “azarão”, “pai de família” e ex juiz federal que “entrou para a política ontem” ainda. A Globo, que até ontem fazia campanha contra os evangélicos, hoje constrói uma farsa para maquiar o reacionarismo do candidato apoiado pelas Igrejas evangélicas, pelo ultra-direitista Bolsonaro, por policiais e defensores da Lava Jato e da repressão estatal aos pobres.

Witzel é um reacionário de marca maior, que há poucos dias antes das eleições participou de manifestação em Petrópolis em que candidatos apoiadores de Bolsonaro quebraram a placa em homenagem à Marielle Franco, vereadora brutalmente assassinada que até hoje não teve o crime desvendado por responsabilidade do estado que não quer investigar este assassinato político.

O reacionarismo escancarado da Lava Jato

Além do reacionarismo do juiz, o que a imprensa carioca também tem escondido são as ligações íntimas entre Wilson Witzel e o autoritarismo judiciário que está manipulando o resultado das eleições decidindo que pode ou não ser candidato. Witzel é nada menos que amigo pessoal íntimo de Marcelo Bretas. Em julho de 2017, Wilson discursou em ocasião que Bretas recebeu a medalha Pedro Ernesto, e comparou o juiz da Lava Jato, o Sérgio Moro carioca, com um “bom vinho que ficou alguns anos fermentando em Petrópolis”, como pode ser lido na reportagem da Folha de São Paulo. Além de Bretas, Witzel participou de comissões para elaborações de projetos de lei com Moro em pessoa.

Os dois juízes cortaram contato alguns meses antes da campanha, para não ficar escarado o favorecimento político do candidato pela operação Lava Jato. Witzel, entre outras coisas, era juiz do TRF-2, o mesmo que condenou criminalmente Garotinho, politico envolvido em inúmeros escândalos de corrupção que estava à frente nas pesquisas, permitindo que ele fosse barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Witzel faz coro ao que há de mais perverso e reacionário no Rio de Janeiro hoje, principalmente quando sua candidatura personifica a aliança entre o judiciário golpista da lava-jato e a extrema-direita de Bolsonaro.

O grande “Paladino” do combate à corrupção esconde alguns podres, dentre eles a responsabilidade de organizar um torneio de futebol de Juízes na Granja Comary, em 2011. Witzel o fez através da Ajufe, associação de juízes federais. O terreno, que foi cedido de graça, pertence à arqui-acusada de corrupção, Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e o pedido foi oficializado três dias depois do procurador da República Marcelo Freire ter pedido abertura de inquérito contra Ricardo Teixeira, presidente da CBF na época. Leia aqui.

Um ex Juiz na linha de frente da repressão aos negros e pobres

Dentre suas declarações mais reacionárias, Witzel choca por ser um juiz que abertamente defende que pessoas sejam assassinadas pela polícia sem mesmo ter direito à julgamento. Ao lado de Sérgio Moro, que condenou Lula sem provas para eliminá-lo da eleição, Witzel por sua vez defende a pena de morte sem nem mesmo o julgamento, pelas mãos da assassina polícia.

No debate da TV Bandeirantes, Witzel afirmou:

“Quem quer que esteja portando um fuzil, eu autorizarei a nossa Polícia Militar a abater.”

Quem mora no Rio de Janeiro sabe muito bem que a polícia escolhe abater pela cor da pele e pelo CEP do morador, como os chocantes casos em que a PM assassinou Jhonata, 16 anos, e os moradores alegaram que a polícia “confundiu” um saco de pipoca que ele carregava com drogas. A mesma PM que “confundiu” novamente um guarda-chuva com um Fuzil e assassinou o garçom Rodrigo Serrano no dia 17/09 deste ano. Witzel quer defender a liberdade que a polícia teve quanto assassinou Marcos Vinícius, de 14 que ia para escola de uniforme.

Todas estas vítimas são jovens negros, e muitos outros que faltou citar, negros e pobres, trabalhadores que moram nas favelas.

Witzel já anunciou que em seu governo, a intervenção federal vai passar o controle das tropas para ele. Ou seja, ele critica a intervenção mas quer manter as tropas sob seu controle para invadir os morros e as favelas, atirando de helicóptero e provocando o terror. Ao invés de mortes de inocentes provocada pela falida Guerra às Drogas, Witzel enxerga na verdade que:

“A polícia não age porque não há cobertura jurídica”

Ou seja, ele quer atuar para legalizar mais ainda a brutalidade policial. E para isso anunciou que inclusive vai extinguir a Secretaria de Segurança Pública, assumindo super-poderes autoritários para si próprio no controle de toda a polícia no Estado do Rio de Janeiro.

Ex “servidor” público que quer acabar com os serviços públicos

Em sabatina ao G1, Wilson Witzel revelou qual é o seu “grande plano” para acrise do Estado do Rio de Janeiro: o candidato quer renegegociar a dívida do estado estipulada no Regime de Recuperação Fiscal parcelado para daqui há 100 anos. Parece que foi inventado mas não é, veja o link. O reacionário plano de endividamento criado pelo governo federal para fazer com que cariocas e fluminenses paguem com seus direitos e seu suor o que é exigido pelos bancos, Witzel que estender indefinidamente, e é claro, acumulando juros monstruosos. Isso é só uma maneira de manter o Estado do Rio de Janeiro nas rédeas da União e dos Bancos.

Na mesma entrevista, Witzel afirma que defende cobrança da mensalidade nas Universidades Públicas, em um claro aceno do que faria com a UERJ, UEZO e UENF: verba pública para os bancos e ataques às Universidades do estado do Rio de Janeiro.

Na educação, Witzel segue os reacionários Bolsonaro:

“Em cada município, a proposta é ter pelo menos de 1 a 3 escolas militares. Temos municípios que tem 30 escolas estaduais. Vamos pegar 3 e fazer com que elas tenham regime militar”

Desta forma, Witzel dá coro ao que há de mais perverso e reacionário no Rio de Janeiro hoje. É preciso lutar para que ele e toda a extrema direita seja vencida, e isso só pode acontecer a partir de uma política que coloque a classe trabalhadora a frente, sem concessões com a burguesia que construiu essa monstruosidade. Basta do assassinato do povo negro e pobre pelas mãos da polícia, basta de pagar pela crise dos capitalistas, basta da ditadura de toga do judiciário golpista. Lutamos por uma assembleia constituinte livre e soberana, onde o povo possa lutar pelo não pagamento da dívida pública e por uma Petrobrás 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores.




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