Política

Quando Haddad acena ao mercado, FHC assume votar no PT em segundo turno

Contrariando aqueles que entendiam a polarização política no Brasil unicamente pela lógica PT x PSDB, Fernando Henrique Cardoso - sim, aquele mesmo que apoiou o golpe - surge para declarar voto em Fernando Haddad num eventual segundo turno, contra Bolsonaro.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 20 de setembro| Edição do dia

FHC declarou a amigos que, sem abandonar o tucano no primeiro turno, votará em Haddad no segundo. A posição de FHC é um "conselho" do "velho intelectual da direita tucana", senhor das privatizações e dos ataques aos trabalhadores, para que seu partido siga “o mestre”, e apoie Haddad na segunda fase das eleições, pois sabe que o programa de Haddad não deixará o mercado nem os empresários na mão.

FHC, longe de profetizar um segundo turno, já enxerga o que se encontra a um palmo dos olhos de quem consegue ver - Alckmin, o ladrão de merendas, já é carta fora do baralho. Nesse cenário, Haddad que, segundo agentes do mercado como Renato Ometto da Mauá Capita, é o mais "tucano entre os petistas", já acena ao mercado, garantindo que priorizará o ajuste fiscal e que irá se encarregar de implementar a Reforma da Previdência.

Leia mais:Haddad acena ao mercado: ajuste fiscal e reforma da Previdência serão garantidos

Na sabatina do UOL, o petista disse que "essa reforma do Temer, o primeiro relatório que está na Câmara, tem coisas úteis. Os regimes próprios de Previdência deveriam ser o objeto inicial da reforma”. Em outras palavras, o que diz Haddad é que o mercado não precisa se preocupar, porque ele irá, como todos os anos de governo petista, seguir pagando fielmente a dívida pública, garantindo os ajustes fiscais necessários para que seja a classe trabalhadora a pagar pela crise dos capitalistas, e assim priorizar o pagamento a banqueiros e empresários imperialistas que sugam todos os recursos do país.

Pelo que parece, o aceno de Haddad ao mercado começa a surtir efeitos. FHC não surge oferecendo seu ’generoso’ voto ao petista sem perceber o aceno para os empresários, inclusive para os próprios golpistas. Aliás, segundo o próprio Valor econômico, "mesmo uma vitória de Haddad pode significar um alívio pequeno para os ativos após a eleição", demonstrando que os setores empresariais e das finanças ainda não são uníssonos sobre um apoio ao capitão reacionário, Jair Bolsonaro.

Será, utilizando um segundo turno ainda muito indefinido, que Haddad buscará lembrar ao mercado que, além dos acenos recentes ao setor, seu governo em São Paulo garantiu "investment grade" (grau de investimento) para a cidade e desenvolveu múltiplas PPPs (Parcerias Público Privadas). Além, é claro, de ter sido, ao lado de Geraldo Alckmin, mãos de ferro contra as manifestações de junho de 2013.

Leia também: PT e Haddad deixam claro que se eleitos vão governar com golpistas e a direita

Eleições manipuladas e a necessidade de superar o PT pela esquerda

Cada dia aumenta o rechaço contra a extrema-direita representada por Bolsonaro, tendo as mulheres, assim como nos EUA de Trump, tomado a frente contra o reacionarismo do capitão do PSL. É necessário lutar nas ruas, como será no dia 29, para enfrentar a extrema-direita, mas que seja sem ilusões no PT ou em qualquer candidato que esteja aliado a estes mesmo setores. O próprio PT, que abriu caminho para o golpe e não lutou contra o autoritarismo judiciário, tendo inclusive alimentado medidas como a “ficha limpa” que hoje se volta contra seu partido, não se enfrentaram com o regime que impediu o povo de decidir em quem votar, mantendo Lula preso de forma arbitrária e permitindo a manipulação dessas eleições.

Nosso apoio não deve ser à nenhuma falácia de “mal menor”. A única maneira de apontar uma saída de fundo a esta crise é fortalecendo um programa anticapitalista de trabalhadores que se enfrente com os golpistas e a direita nas lutas e nas ruas, somente com a força das mulheres, dos negros, da juventude, dos LGBTs, sem alianças ou conchavos com os capitalistas, para que sejam estes a pagar os custos da crise que eles próprios criaram.




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