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CORRUPÇÃO

Presidente e Ministro do TCU acusados de corrupção e favorecimento de empresa

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Raimundo Carreiro, e o também ministro da corte Aroldo Cedraz teriam feito parte de um esquema de corrupção para favorecer a empreiteira UTC em um processo relacionado às obras da usina de Angra 3 no tribunal de contas. Os indícios foram apontados em inquérito da Polícia Federal.

quarta-feira 19 de julho| Edição do dia

Em relatório sobre a investigação, a delegada Graziela Machado da Costa e Silva sustenta que as provas colhidas correspondem com as declarações de cinco delatores da Operação Lava Jato que mencionaram pagamento ao advogado Tiago Cedraz, filho de Aroldo Cedraz, para que conseguisse influenciar o julgamento do caso.

O inquérito da PF lista documentos e mensagens que indicariam a atuação de Tiago em tráfico de influência perante ministros do tribunal entre 2012 e 2014. Para a PF, não havia diferença entre as atividades de Aroldo Cedraz e Tiago, que se valeria "do poder do pai e das suas relações no TCU" para viabilizar interesses.

As conclusões foram enviadas à Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre eventual denúncia contra Carreiro, Aroldo e Tiago Cedraz.

O inquérito sobre corrupção no TCU foi instaurado em 2015. O acionista da UTC, Ricardo Pessoa fez delação e declarou que fazia pagamentos a Tiago para obter informações privilegiadas da corte. Ele e Walmir Pinheiro, ex-diretor financeiro da empreiteira relataram que o advogado teria pedido R$ 1 milhão para conseguir que o TCU liberasse, em 2012, a licitação para a montagem eletromecânica da usina.

O contrato foi assinado em 2014, ano em que o montante teria sido repassado, em espécie, ao advogado. Os delatores Luiz Carlos Martins, da Camargo Corrêa, Gustavo Botelho, da Andrade Gutierrez, e Henrique Pessoa Mendes, da Odebrecht, disseram que a operação para "comprar" votos no tribunal de contas foi discutida em reuniões entre representantes das empreiteiras do consórcio que venceu as obras. No último admitiu que a Odebrecht contratou uma sobrinha de Carreiro como "agrado" ao ministro.

De 2012 a 2014, a quebra e sigilo telefônico mostrou que houve 14.321 ligações entre telefones vinculados a Tiago e seu escritório e terminais do pai e de seu gabinete. No caso de Carreiro, a investigação aponta "centenas" de ligações. O aparelho registrado em nome do assessor Maurício Lockis, que teria elaborado o voto de Carreiro favorável à UTC, foi o que mais recebeu contatos (271), sendo 112 em 2012, ano do julgamento.

De 2012 a 2014, houve ainda 75 contatos feitos entre aparelhos atribuídos a Carreiro e de Luciano Araújo, apontado como quem buscava para Tiago o dinheiro na UTC. Araújo é primo de Tiago e tesoureiro do partido Solidariedade.

A postura dos ministros nos julgamentos, segundo os investigadores, apontam mais indícios de favorecimento. Carreiro foi relator do caso e contrariou pareceres da área técnica para liberar a licitação de Angra, após o julgamento ser adiado algumas vezes.

Já Aroldo Cedraz teria pedido vista do processo quando o sistema do TCU já registrava que ele estava impedido para atuar no caso. Duas semanas depois, devolveu o processo e anunciou seu afastamento.

Laudos da PF também apontaram que haveria movimentação financeira suspeita entre os investigados. Entre 2012 e 2014, Carreiro teria recebido créditos de R$ 568 mil sem comprovação de origem. No caso de Cedraz, foram R$ 2 milhões. Os depósitos para Cedraz somaram R$ 311 mil. Um deles, de R$ 100 mil, ocorreu em 19 de novembro de 2013, mesma data de um pagamento indicado por Pessoa.

A PF diz ser "surpreendente" a evolução patrimonial de Tiago de 2011 a 2012, de R$ 11,9 milhões para R$ 20,8 milhões. Em 2014, ele adquiriu R$ 9,3 milhões em imóveis, incluindo um apartamento de quase R$ 3 milhões.

Com informações da Agência Estado.




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