Mundo Operário

GREVE GERAL

#PreparaGreveGeral: como fazer da hashtag uma força material para derrotar os ataques?

Nas ruas vemos ações em todo o país nesse 31 de março contra as reformas. A Frente Brasil Popular defendeu que esse dia é a preparação da greve geral marcada pelas centrais sindicais para o 28 de abril, e a hashtag #PreparaGreveGeral que se popularizou nas redes expressa isso. Mas o 31 de março é suficiente para construir uma paralisação por tempo indeterminado contra as reformas em todo o país? Como podemos avançar para uma luta à altura de barrar os ataques nacionalmente?

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 31 de março de 2017| Edição do dia

Não é novidade para nenhum trabalhador hoje que o governo golpista de Temer está com o trator ligado para passar em cima de cada direito que tenhamos e tentar fazer com que sejamos nós, os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os negros que paguemos pela crise criada pelos capitalistas e seus governos. A PEC 55, reformas da previdência e terceirização irrestrita e reforma trabalhista são alguns dos principais ataques.

Mesmo com tudo isso, as centrais sindicais deram uma trégua de um mês para o governo passar os ataques e convocaram a greve geral para o dia 28 de abril apenas. Com uma contundente demonstração de forças, o 15M foi um primeiro momento em que os trabalhadores mostraram um pouco do que são capazes de fazer.

Agora, o 31M foi chamado pelas centrais sindicais, CUT e CTB, e pela Frente Povo Sem Medo, e a Frente Brasil Popular como uma "preparação" da greve geral. Mas será isso apenas uma hashtag para as redes ou faz parte de um plano real de lutas que as centrais estão colocando em ação?

Ainda sem o balanço final de uma mobilização que está ocorrendo, já é visível para qualquer um que o 31M teve proporções muito menores do que o 15M, sem contar com expressivas paralisações operárias como foi a paralisação dos metroviários de São Paulo que contou com massivo apoio popular. As ações de rua estiveram presentes, mas por fora de preparar ações operárias que paralisassem a produção e os serviços.

Para qualquer um que converse com seus colegas de trabalho ou trabalhadores de outras categorias, é evidente que isso não ocorre por falta de disposição para lutar. A maioria diz que "já passou da hora de parar tudo!", e o dizem com muita razão, afinal, as coisas poderiam ser muito diferentes se a CUT e as demais centrais tivessem convocado uma paralisação nacional contra a aprovação da terceirização irrestrita.

Nós do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), defendemos em cada local de trabalho e estudo não apenas a construção de uma forte luta no dia 31, mas que essa fosse efetivamente uma preparação para a greve geral. É muito comum, ao exigirmos das centrais sindicais a greve geral e dizermos que um mês de trégua é um absurdo, ouvirmos que "greve geral não cai do céu". E não cai mesmo. Por isso que lutamos por assembleias em todos os locais de trabalho, e a criação de comandos de mobilização com delegados eleitos, que possam efetivamente preparar a luta.

Isso é bem o contrário do que as direções tem feito, e a ausência de grandes paralisações operárias no 31M mostra isso, como no metrô de São Paulo, em que lutamos para que o sindicato avançasse para paralisar no dia 31 e desse um exemplo rumo à construção de uma greve geral.

Não é suficiente para preparar a greve geral convocar um dia de lutas como o 31, nem muito menos um acordo de cúpula entre as centrais para fixar uma data como o dia 28. A greve geral só vai sair do papel - e o dia 31 só poderia servir para efetivamente preparar ela - se os sindicatos e as centrais organizassem pela base. É esse exemplo que temos dado, por exemplo, na zona norte de São Paulo, onde os professores estaduais e municipais unificaram seus comandos de mobilização e estão fazendo atos nas ruas e organizando em casa escola, enquanto a direção majoritária da CUT e CTB boicotavam essa iniciativa fazendo um ato para eles mesmos, com medo de se subordinar à democracia de base.

Temos que seguir esse caminho para podermos passar dos dias de luta que reúnem uma vanguarda - por vezes grande, mas insuficiente para barrar as reformas (ainda mais sem paralisar os locais de trabalho - e efetivamente construir pela base e em cada local a greve geral para o dia 28 de abril. Lembrando que greve geral não é como dizem muitos dirigentes por aí, uma paralisação de 24 horas. Greve geral é paralisação por tempo indeterminado, até derrotar as reformas!




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