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Tragédia capitalista | "Por um plano de emergência para que ninguém mais morra com as chuvas em SP", diz Pablito

Contando dezenas de mortes, a população do estado de São Paulo está sendo brutalmente atingida pela precariedade diante das fortes chuvas. Confira a declaração de Marcello Pablito, militante do Quilombo Vermelho e dirigente do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, sobre a necessidade de um plano de emergência:

segunda-feira 31 de janeiro | Edição do dia

"Já são mais de 20 mortes no estado de São Paulo, por causa das enchentes, deslizamentos, causados pelas fortes chuvas e pela irracionalidade capitalista. É revoltante! Pelo menos um terço são crianças, bebês de apenas alguns meses de idade estão morrendo! Famílias inteiras são vítimas de deslizamentos de terras. E se não estão morrendo, estão perdendo todos os seus bens pelas invasões das águas nas casas, nos carros. Como se não bastasse a gente começar esse ano com uma nova onda da pandemia e as enchentes no sul da Bahia e no norte de Minas Gerais.

Essa é uma tragédia anunciada todos os anos, mas que, com a irracionalidade capitalista, está alcançando patamares cada vez mais absurdos e que afetam mais profundamente a vida da população, especialmente das massas negras e pobres. Vidas estão sendo perdidas com deslizamentos em zonas de risco. As pessoas são obrigadas a viver de forma precária e irregular por causa da especulação imobiliária, que as impede de morar em locais salubres, enquanto são construídos apartamentos de luxo, como pudemos ver com a recente greve dos trabalhadores da MRV em Campinas. E muitos desses prédios, muitas vezes inteiros, estão inabitados. Essa situação não está descolada do salto aos ataques ao meio ambiente que o governo Bolsonaro vem promovendo junto a seus ministros, em prol do agronegócio, gerando caos de queimadas e desequilíbrio ambiental.

Essa é a desigualdade deixada pelos parasitas capitalistas, que estão abrigados em suas mansões e coberturas, enquanto os trabalhadores e o conjunto da população que mora nas periferias é que estão vulneráveis à chuva. Os governos, como Bolsonaro e Doria, não têm nenhum interesse em resolver essa questão, já que as nossas vidas para eles não valem nada. Pelo contrário, enquanto o povo em situação de rua padece na chuva, João Doria foi o prefeito (antes de ser governador) que carrega a marca da repressão policial com mangueira d’água nos moradores da chamada Cracolândia. Governos como o de Doria e Nunes assistem de braços cruzados essa tragédia, e depois fazem suas declarações demagógicas e cínicas na televisão. Sabem que nunca serão as suas famílias as que estarão na rua após uma chuva forte. Doria "liberou" R$15 milhões para atender as vítimas. Bolsonaro também tinha liberado para as vítimas das enchentes da Bahia e de MG. Isso é insuficiente. Nós precisamos urgentemente de um plano de emergência para impedir que mais pessoas morram pela irracionalidade capitalista!

São urgentes medidas como brigadas de trabalhadores para resgate e socorro emergencial dos afetados; socializar as moradias desocupadas, reconstruir as destruídas, aprimorar as existentes, socializar hotéis para construção de abrigos. Aliado a isso, colocar de pé um plano de obras públicas para reconstrução e prevenção das áreas afetadas e as que sofrem possibilidade de inundação. Uma medida dessa ainda geraria empregos para a situação do desemprego que enfrentamos porque os capitalistas descarregam a crise que é deles nas nossas costas. E esse plano tem que ser gestionado pelos trabalhadores e com o controle da população, assim como com a liberação de todos os subsídios necessários para atender os afetados e os que possam ainda ser afetados. E confiscar os bens e as fortunas dos empresários e do agronegócio que roubam os recursos das nossas florestas em prol de seus lucros.

E é nesse sentido também que as massas trabalhadoras e pobres não podem estar sozinhas. A intelectualidade, estudantes, trabalhadores e professores das universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) e as federais têm um enorme papel a cumprir na recuperação em uma perspectiva pró-operária e popular. Para exercer esse papel, é preciso romper com o currículo tradicional, construído para esvaziar mentes, corações e encher os ricos de patentes. Os economistas, arquitetos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, contabilistas, bibliotecários, arquivologistas, jornalistas, devem ser convocados a colocar seu conhecimento a serviço de construir e disseminar esse plano de emergência. E não só esse plano de emergência, mas aliados ao conjunto da classe trabalhadora e do povo pobre, podemos levantar a necessidade de reforma urbana radical, para que ninguém mais morra vítima de enchente, de falta de moradia, por culpa dos empresários e seus governos."




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