Gênero e sexualidade

NENHUMA A MENOS

Por Tatiane gritamos: Nenhuma a menos

Na madrugada do dia 22 de julho, Tatiane Spitzner, foi espancada e morta. Seu algoz era seu marido, Luis Felipe Manvailer. As agressões, que começaram no carro e seguiram pelo elevador do prédio onde moravam, por mais de 20 minutos, terminaram com a queda de Tatiane do 4º andar onde morava. O marido fugiu e foi preso horas depois. Tatiane não foi a primeira, nem a última mulher a ser morta vítima de feminicídio. Mas, também por ela gritamos: Nenhuma a menos!

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

segunda-feira 6 de agosto| Edição do dia

O Brasil é o 5º país no mundo em número de mortes de mulheres vítimas de feminicídio. A cada 3 mulheres mortas, 2 são assassinadas dentro de casa. De acordo com o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), desde que a tipificação do feminicídio como crime entrou em vigor, em março de 2015, a cada 3 horas é aberto um inquérito policial para apurar denúncias de feminicídio. Mas os números reais são ainda maiores, já que nem todos os casos são registrados como feminicídio.

Dados publicados pela ONG Artigo 19 em março desse ano, baseados no Mapa da Violência de 2015 mostram que a cada uma hora e meia, uma mulher é morta no Brasil e 5 mulheres são espancadas a cada dois minutos. Tatiane Spitzer, de apenas 29 anos, entra para essas tristes estatísticas.

Tatiane tentou fugir, gritou por sua vida. No entanto, apesar de ser ouvida, ninguém intercedeu por ela. Há ainda muito forte a ideia de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” e o estado brasileiro falha miseravelmente em proteger a vida das mulheres. A ausência de políticas públicas e um plano de emergência para combate a violência de gênero são mostras do abandono do estado. Cortam de políticas de defesa da mulher para pagar a dívida pública. Os banqueiros valem mais que as mulheres.

Tatiane não foi a primeira mulher morta. Infelizmente também não foi a última. A luta contra a violência a mulher se faz urgente. É preciso cobrar do estado políticas concretas de defesa da vida das mulheres. Casas abrigos, indenizações e licenças remuneradas do trabalho para que as vítimas possam se proteger. Mas também é preciso lutar por uma sociedade nova, onde a vida das mulheres valha de verdade. Lutar por uma sociedade livre de opressão e exploração, onde o trabalho da mulher não valha menos, onde o trabalho doméstico não as escravize e seja responsabilidade do estado. Lutar por uma sociedade onde seu corpo não seja objeto sexual e possa ser livre.

Por todas as mulheres mortas por serem mulheres, vítimas do patriarcado e do capitalismo gritamos:

BASTA DE MULHERES MORTAS! NENHUMA A MENOS!




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