Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Polícia joga granada à luz do dia e mata porteiro no Rio de Janeiro

Kelly F. Alonso

Professora da rede pública de São Paulo

quarta-feira 28 de junho| Edição do dia

Na manhã desta quarta-feira, 28, o porteiro de um prédio de Copacabana, na zona sul do Rio, morreu atingido por estilhaços de uma granada durante um confronto com policiais na entrada da favela Pavão-Pavãozinho, no mesmo bairro. Outras cinco pessoas ficaram feridas. O porteiro Fábio Franco de Alcântara trabalhava em um prédio da rua Sá Ferreira, bem próximo ao local do confronto.

A versão da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), policiais militares dessa unidade faziam patrulhamento por uma região conhecida como Beco do Serafim quando foram atacados a tiros, o confronto se estendeu até a Ladeira Saint Roman, principal acesso à comunidade, situada na divisa entre Copacabana e Ipanema.

Ao revidar, a PM lançou uma granada que explodiu em frente a um bar onde o porteiro e outros moradores estavam protegendo-se do confronto, os estilhaços atingiram vários moradores mas Fábio Franco de Alcântara não resistiu e veio a óbito, pelo menos seis pessoas se feriram e foram encaminhadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon (zona sul).

Houve pânico nas imediações da favela e as ruas foram interditadas. No início da tarde, moradores fizeram um protesto pela morte do porteiro.

Dentro da lógica capitalista em proteger a classe burguesa, a PM continua cumprindo seu papel de massacre aos moradores das periferias das grandes capitais (no caso, o Rio de Janeiro) ao arremessar granadas à luz do dia sem qualquer preocupação com os moradores e trabalhadores do local.

Segundo familiares, o porteiro havia encerrado seu turno de trabalho e seguia de volta para casa quando se deparou com o confronto. Os familiares alegaram que a carteira do porteiro sumiu.

A PM intensificou o policiamento na região, mas até as 16 horas não havia prendido nenhum suspeito de participar do confronto ocorrido de manhã. O que causa estranheza e indignação é a procura da PM por suspeitos já que foi por suas mãos que mais um trabalhador inocente morreu violentamente nos morros do Rio de Janeiro.

Esse fato só evidencia o papel que cumpre a PM no extermínio da população pobre e negra das periferias das grandes capitais papel esse, sustentado pela ideologia dominante de ordem para o povo e progresso para burguesia.




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