Gênero e sexualidade

Plenária do Pão e Rosas: “Tenho 12 anos e tenho orgulho de participar disso”

O título e a capa dessa matéria é o relato de uma jovem adolescente que esteve ontem na plenária do Pão e Rosas por um feminismo socialista. Expressa o sentimento de dezenas de adolescentes, que mesmo tão jovens, começam a se interessar pela militância e pelo feminismo marxista.

Odete Assis

Belo Horizonte |@OdtCristina

domingo 7 de março| Edição do dia

Tudo começou com um vídeo no tiktok, que nossa camarada Alice, estudante e do Centro Acadêmico de Artes na UFRGS fez para divulgar a plenária.

Em pouco tempo milhares de comentários e visualizações, dezenas de mensagens e inscrições no formulário. Muitas jovens mulheres que despertaram para a política em meio ao bolsonarismo, no regime do golpe institucional, e viram na plenária a possibilidade de se organizar.

Para preservar a identidade das companheiras, colocamos somente as iniciais dos seus nomes.

“Deu certo! Tenho 14 anos. Nunca é cedo pra aprender o certo!!”

“Tenho 17, viva ao proletariado!”

“Faço aniversário hj❤ fazendo 14 também”

“Tenho 18 e venho querendo acabar com esse governo desde o começo”

“Tenho 13 e sou de São José do rio preto em São Paulo”

“L. do rio de janeiro, minha primeira plenária tenho 17”

“Boa tarde! Sou a G., tenho 13 anos e sou de São Paulo. Minha irmã P. está aqui também, tem 17 anos”

“R., 13 anos, Belém/PA”

“L, 14 anos de São Paulo”

“São Vicente, SP, tenho 19”

“Oi gente, sou a E., tenho 19 anos, sou de SP, mas sou estudante de Ciências Sociais da UFRN em Natal!”

“boa tarde gente, 19 SP São Paulo”

“D., RJ, 15 anos”

“Boa tarde, sou N., tenho 14 anos sou do Rio de Janeiro.”

“12 ano de SP🥰🏳️‍🌈”

“L. de ituiutaba 18 anos”
“sou a D., tenho 16 anos e sou de Aragarças”

“V., SE, 17 anos”

“G./ 16 anos / Afonso Claudio ES”

“T. / 16 anos / Caxias do sul RS”

Para muitas essa foi a primeira plenária da sua vida. Uma plenária compartilhada com mulheres de todas as regiões do país, com trabalhadoras da saúde que estão na linha de frente de salvar vidas durante a pandemia, com professoras de diversos estados lutando contra o retorno inseguro das aulas, com trabalhadoras da fábrica, domésticas, dos transportes, jovens do telemarketing, estudantes universitárias, entre tantas outras. Mulheres que já são mães, tias e avós, junto com essa nova geração que vem cheia de energia para lutar por um mundo onde suas vidas não sejam repletas de dor e miséria como o capitalismo impõe para a maioria das mulheres.

“Boa tarde, gurias! Sou a F. e falo de POA/RS, tenho 25 anos e é a minha primeira plenária tbm! muito feliz de poder encontrar vcs nessa tarde para pensarmos estratégias para destruir esse capitalismo genocida e opressor. Essa crise do capitalismo é uma baita chance para escancararmos todas contradições e iniciar a revolução feminista. Ninguém nos para!!”

“essa é minha primeira plenária tbm hahah”

“também kkkkkk”

“minha primeira tambem, 15 aninhos”

“Tenho 13 anos, comecei a estudar sobre feminismo. a pouco tempo, estou aqui para estudar e evoluir, bjss”

“minha primeira plenária / Minas gerais”

“Minha 1 plenária. Nova Iguaçu-RJ ❤️”

“É a minha primeira também, eu vi e achei incrível, agora quero participar de todas 💖”

“Oii! Sou a B. de São Paulo, tenho 16 :)”

O desejo que as moveu para passar seu sábado a tarde reunidas nessa plenária foi aprender mais sobre feminismo socialista, foi a busca por uma estratégia e uma política que possa de fato representá-las, que possa dar vazão as seus anseios e por isso nos orgulha tanto, que essa mulheres tão jovens possam encontrar no Pão e Rosas um coletivo que fortaleça a sua luta.

“vejo muitas coisas do feminismo no tiktok, lá q aprendi muuuita coisa, mas nunca fui pro lado mais politico, espero aprender mt aq💞”

“meu conhecimento sobre feminismo não é tanto, estou aqui pra aprender com vcs”

“O coração até aquece só de ouvir ‘destruir o bolsonaro’”

“sou de campinas, aluna do ensino médio. minha ex professora de sociologia, a A. F., me convidou pra participar!”

É por isso, que um dos principais encaminhamentos da plenária foi organizar comissões que possam pensar a produção de conteúdo feminista e socialista para as redes sociais, especialmente o Tiktok, que tem sido um espaço de descoberta da política para muitas. Diante de Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas a força e energia contagiante dessa nova geração pode ser uma combinação explosiva junto às mulheres trabalhadoras. Essa nova geração que não deve nada a ninguém, que vive na prática uma dura experiência desse sistema capitalista, vendo seus tios, irmãos e familiares morrem de Covid, ou ter que se expor ao vírus pelo medo do desemprego, ver que a perspectiva de futuro é cada dia pior, pois o capitalismo só produz a barbárie. São essas jovens que também estão descobrindo que é preciso ir muito além da utopia de reformar o capitalismo, e por isso buscam se organizar com o feminismo socialista do Pão e Rosas.

Como colocou Diana Assunção, fundadora do Pão e Rosas e dirigente nacional do MRT:

“Eu estou ouvindo aqui cada uma de vocês falaram, ouvindo atentamente as trabalhadoras que estiveram na linha de frente e toda essa juventude vibrante que está se expressando aqui. Vocês podem achar que são muito jovens e que não podem nada, mas as novas gerações podem tudo.

Não sei se vocês conhecem a Rosa Luxemburgo, uma grande dirigente socialista. Bom, ela começou a militar com a ideia de muitas de vocês, no colégio secundarista participando de um movimento socialista clandestino na Polônia há mais ou menos 100 anos... eles não tinham Tik Tok, nem Twitter nem Instagram, mas eles conversavam de coisas muito parecidas com o que estamos debatendo hoje: a situação das mulheres e a revolução socialista. Mas essa mulher, cujo nascimento completou 150 anos ontem, não foi grandiosa por ser uma lutadora, participar de lutas ou se dizer feminista. Ela foi grandiosa porque ela pensava nos grandes dilemas da classe operária internacional, e essa era sua forma de defender profundamente as mulheres.”

Esse é o convite que o Pão e Rosas faz para todas as meninas, adolescentes e mulheres que querem lutar contra a opressão patriarcal e a exploração capitalista, um convite para serem sujeitas da sua própria história, para nos fortalecer sabendo que não estamos sozinhas e que mesmo diante da pandemia e da crise capitalista, nós podemos nos organizar para se enfrentar contra tudo isso, para derrotar os políticos que nos oprimem e para preparar uma revolução que nós dê o direito ao Pão, mas também as Rosas.




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