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PRIVATIZAÇÃO PETROBRAS

Petrobrás anuncia redução de gerentes, porém prepara demissões e privatização

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sexta-feira 29 de janeiro de 2016| Edição do dia

O ex-banqueiro Bendine, atual presidente da empresa estatal de petróleo anunciou hoje medidas que foram rapidamente aplaudidas nas bolsas de valores. O aplauso não foi simplesmente porque o corte no número de diretorias e gerentes gerará redução nos custos da empresa, mas sobretudo porque por trás deste anúncio está uma preparação do terreno para demissões e para a privatização de parte da Petrobras e dos recursos naturais do país.

Uma das maiores mudanças anunciadas é a fusão das diretorias do Abastecimento (refinarias e logística) com a de Gás e Energia (gasodutos, fábricas de fertilizantes e termelétricas). Esta medida foi tomada poucos meses atrás na subsidiária de logística, TRANSPETRO e, poucos dias depois implicaram em centenas de demissões de terceirizados. O terreno está sendo preparado para a privatização e demissões em massa.

O plano de “desinvestimento” (o eufemismo petista para privatização) da empresa privilegia justamente a área de Gás e Energia, com as termelétricas, fábricas de fertilizantes e os gasodutos operados pela Transpetro, ou mesmo esta empresa em sua integridade o que a medida feita na “empresa-mãe” e na subsidiária preparam é demissões em massa e privatização.

Um plano que parece estar se desenhado é mais ou menos o seguinte: os funcionários “excessivos” de áreas que serão vendidas ou fechadas serão, possivelmente, alocados em áreas que não estarão à venda no primeiro momento, gerando novo excedente de pessoal e nova onda de demissões de terceirizados. E assim sucessivamente até as demissões de funcionários efetivos se iniciarem (ou a sucessão à empresa privada compradora implicando em redução de salários e direitos, como ocorreu com os petroleiros da REFAP quando FHC a entregou a espanhola Repsol, todos viraram funcionários REPSOL no dia seguinte).

Além de colocar em risco os empregos de centenas de milhares de terceirizados e preparar perda de empregos e direitos de petroleiros efetivos esta operação comandada por Bendine a mandos de Dilma e do PT significa um crime de lesa-pátria, entregando recursos tão necessários para atender as demandas de saúde, educação, moradia se não fossem utilizados na corrupção e para o lucro de Wall Street.

Pré-sal entregue ao imperialismo

A nova organização da Petrobras, divulgada nesta quinta-feira, 28, ao mercado em comunicado, privilegia o campo de Libra, no lugar do pré-sal. A área de Libra, na Bacia de Santos, ganhou um departamento próprio na diretoria de Exploração e Produção (E&P) substituindo a área de pre-sal. Ou seja, a Petrobras que já opera diversos campos nesta província, como Lula, Sapinhoã e Libra, e mesmo áreas de pré-sal em campos que também contam com petróleo no pós-sal, como é o caso de Marlim seriam extintas. Isto significa a entrega da “jóia da coroa”, o “tíquete para o futuro” como dizia Dilma quando era candidata em 2010 para o imperialismo. No lugar de um projeto de desenvolvimento de toda esta vasta área agora a Petrobras se concentrará somente em um campo. A Shell, Exxon, Chevron, etc, agradecem.

Organizada para privatizar, mas o que é privatizável em meio à queda do barril?

Outra medida tomada nesta quinta-feira foi a extinção da gerência de novos negócios. No lugar dela montou-se uma gerência de desinvestimento.

A ênfase privatista do governo Dilma em resposta à crise da empresa se expressa em cada uma desta medidas organizativas já tomadas, bem como no protesto que a empresa está fazendo contra a liminar que suspendeu a venda de 49% de sua subsidiária Gaspetro (de distribuição de gás) para a japonesa Mitsui. A Mitsui já é dona de boa parte das empresas de distribuição de gás no país e com esta participação se tornará a maior empresa do país. Este negócio escuso não é investigado, bem como não consta sequer uma acusação contra a empresa japonesa frequentemente citada como origem de recursos na Lava Jato (a mesma Mitsui é uma das maiores acionistas da Vale do Rio Doce também).

Entre as áreas da empresa já citadas como sofrendo estudo para serem vendidas a que parece mais promissora ao imperialismo é sem sombra de dúvidas a de Fábricas de Fertilizantes. O Brasil é um mercado consumidor imenso de fertilizantes, esta demanda tende a permanecer uma vez que a demanda por alimentos não retrai tão rápido como a de petróleo ou ferro e o preço das commodities agrícolas não tem caído tanto como o petróleo ou outras commodities metálicas.

As termelétricas e as áreas de logística como os gasodutos ou toda a Transpetro também constam no rol de privatizáveis (junto aos campos do pré-sal que parecem já anunciados pela decisão organizativa da empresa).

Porém, por maior que seja a intenção da empresa de se desfazer de um patrimônio que é estratégico, pois sem sua logística integrada a empresa se desfalece, não há como não encarecer e muito seu preço de refino pois grande parte da produção está concentrada longe das refinarias e longe dos mercados consumidores, podendo sobreviver unicamente como extratora de petróleo, mas não como uma empresa integrada do “poço ao posto”, há dificuldades de encontrar compradores para estas áreas.

Enquanto os preços dos combustíveis no país forem mais altos do que no exterior estas áreas são muito promissoras ao imperialismo que pode importar gasolina (por exemplo) utilizar os oleodutos e vende-la mais barato no país, ou com uma margem de lucro muito maior. Porém, várias vezes quando acelera-se a alta do petróleo ocorre o inverso, o preço praticado internamente é inferior, tornando este negócio deficitário. Seguramente, antes da anunciada privatização empresas imperialistas exigirão “garantias jurídicas” sobre a política de preços, o mesmo vale para a energia elétrica e portanto para a privatização das termelétricas.

Enquanto a empresa barganha e busca maneiras de melhor vender este patrimônio que deveria pertencer ao povo brasileiro e atender suas demandas o que a empresa prepara é um agressivo plano de demissão de terceirizados, cortes de gastos em treinamentos e manutenção, as consequências em acidentes e mortes não tardarão a ocorrer. O governo Dilma será responsável não somente pelo estelionato eleitoral com seus eleitores que confiaram em um discurso de defesa da soberania nacional mas por cada morte nesta sanha privatista com o pano de fundo do endividamento da empresa, prejuízos oriundos da corrupção e queda nos investimentos com a Lava Jato e com a queda do preço do barril que faz uma tempestade perfeita.

Para atravessar este mar turbulento será necessário que os petroleiros confiem em suas forças e ergam uma luta e muito superior à importantíssima greve do ano passado. Uma luta bem preparada que avance não só nas demandas dos petroleiros como contribua para erguer um movimento nacional contra os ajustes e a crise que está sendo paga pelos trabalhadores com demissões, completo caos na saúde com corte de verbas e privatizações. Para isto será necessário preparar-se para superar a burocracia sindical da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e erguendo uma luta por uma saída de fundo à crise da Petrobrás: sua completa reestatização e sua administração democrática pelos petroleiros, livrando-se dos privatistas e indicados políticos corruptos. Para isto os petroleiros também precisarão superar a impotência da minoritária Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) que não está vendida ao governo como a FUP mas não é uma alternativa radicalmente distinta nos locais onde dirige, naturalizando a divisão entre efetivos e terceirizados deixando de organizar toda a força da categoria contra estes imensos ataques aos empregos, direitos e ao patrimônio nacional.

Com informações da Agência Estado




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