RIO DE JANEIRO

Paes quer recompensar repressão da PM pagando mais por hora extra

quinta-feira 4 de outubro| Edição do dia

Em visita ao 21º BPM, em São João de Meriti, o candidato do DEM defendeu um reajuste no benefício “Regime Adicional de Serviço”, o RAS, uma espécie de hora extra paga aos PMs que quando exercem atividades fora da sua escala de trabalho, com o objetivo de aumentar o afetivo da PM nas ruas. O candidato afirmou que “na hora que você vai resolver todo o drama da segurança pública, só colocando mais polícia na rua”.

Eduardo Paes, apesar de ter mudado de partido, é herdeiro político direto de Sérgio Cabral e Pezão, dois governadores do MDB que intensificaram a crise fiscal do estado do Rio de Janeiro através da concessão de incentivos fiscais a grandes capitalistas enquanto conduziram diversos ataques a população, seja através das operações nas favelas, que culminaram na intervenção militar do estado, seja no desmonte dos serviços públicos.

Ao prosseguir no discurso de “guerra ao crime”, ele sinaliza que irá prosseguir com uma política que extermina principalmente a população negra e pobre nas favelas e periferias do estado. A intervenção militar no Rio de Janeiro já duplicouo número de mortes pela polícia em 2018, e a cada mês esse processo se torna mais violento.

Ao defender o aumento do RAS, Eduardo Paes evoca uma tradição dos governadores fluminenses de gratificar a polícia por agir nesta guerra. Talvez o caso mais expressivo neste sentido tenha sido o do governador Marcelo Alencar, que chegou a instituir a infame “bolsa faroeste”, um tipo de gratificação por “produtividade” para os PMs. Essa medida foi denunciada e acabou, mas desde então a maioria dos governadores tenta colocar alguma gratificação que de uma forma ou de outra estimule a ação violenta da polícia.

A solução para o problema da violência não está na repressão policial, e sim no combate a grande desigualdade social, enormemente aumentada pela crise econômica que os capitalistas impõem para ser paga as custas da população. É necessário lutar pelo não pagamento da dívida pública que rouba todo ano cerca de um trilhão de reais do governo, e que poderia ser usado como investimento para estimular a economia. Também é necessário lutar por uma Petrobrás 100% estatal, sobre controle dos trabalhadores, para que a população possa ter acesso a saúde e educação de qualidade.




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