Política

ABAIXO TEMER GOLPISTA, NÃO À MANOBRA DO PT

PT quer transformar luta contra Temer e golpistas em “volta Lula” com “Diretas Já”, não deixemos!

A consolidação do golpe mudou o cenário estratégico. O PT manobra por um "Volta Lula" e pela recomposição do PT pela via eleitoral, sem alterar em nada o regime político. Sigamos a luta por uma resposta pela esquerda à crise, mas independente do PT. Abaixo Temer golpista e seus ataques.

domingo 4 de setembro| Edição do dia

Lutamos contra o golpe institucional, consumado com a votação do impeachment no Senado em 31/8, porque este era não somente contra Dilma e o PT, mas contra os trabalhadores e a juventude.

Batalhamos de maneira independente do PT, PCdoB e outros que tinham como estratégia o “Volta Dilma”. Dilma vinha aplicando um ajuste brutal e impediu, através da CUT, CTB e outras burocracias, qualquer luta. Impediram uma luta decidida contra os golpistas, que foi o PT que alimentou com seus pactos permanentes e o controle das mobilizações. O PT mostra, como se repete há muitos anos, que governa para a burguesia, concilia com os patrões e assimilou os métodos dos partidos da direita tradicional como o PMDB, o PSDB e toda a longa lista de legendas de direita, com uma deslavada corrupção.

Não tivemos dúvida da necessidade de participar das manifestações contra o golpe, sempre que estas mantiveram um caráter progressista e não foram dominados pela estratégia petista. Criticamos duramente aqueles que não combatiam o impeachment. Como os que se somaram ao “Fora Dilma” (camuflado num “Fora Todos”), como o PSTU, ou apoiando a Lava Jato e não combatendo o golpe, como o MES, a corrente de Luciana Genro. Sempre denunciamos que Sérgio Moro encabeça uma operação crucial na articulação golpista da mídia, judiciário e a direita reacionária, que inclui fortalecer o judiciário como alternativa de controle frente ao desgaste do parlamento e a crise do regime.

Com a aprovação do golpe no Senado, ocorreram diversas manifestações, protagonizadas em especial pela juventude, onde primou o ódio contra Temer e os golpistas, enfrentando a repressão. O PT, PCdoB e outras organizações que sustentam o projeto de Dilma e Lula não conseguiram mudar este caráter.

Por sua vez, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo lançaram chamados de atos neste domingo, 4/9, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que estão canalizando a mobilização de setores que lutaram contra o golpe e querem ir às ruas contra Temer, seus ataques e a repressão. Por isso, chamamos a compor essas manifestações. Mas o fazemos com um chamado a combater a manobra do PT, Lula e Dilma de transformar o movimento em curso, e sua ala à esquerda que vem fazendo uma experiência com o PT, em massa de manobra do “volta Lula” pela via eleitoral. Para isso, o PT, passado o golpe, reúne sua direção nacional e coloca Lula e Dilma como porta-vozes de um chamado ao “Diretas Já”.

A manobra é duplamente nefasta. Por um lado, as centrais sindicais, a CUT, a CTB, seguem sem convocar nenhuma luta séria contra os ataques de Temer que já estão mais que anunciados, como a reforma trabalhista e previdenciária. Mas é pior. Se antes foram derrotados na linha de transformar a luta contra o golpe num “Volta Dilma”, agora querem canalizar o movimento progressista num movimento “Diretas Já”, que é um movimento com fins eleitorais pela volta de Lula, de preferência com eleições antecipadas (Eduardo Suplicy, no seu chamado ao ato em São Paulo, chega a propor a data de janeiro) ou em 2018.

Na convocatória do ato de São Paulo, chegam a colocar o “Diretas Já” diretamente no título do evento do Facebook, alterando o anterior “O Povo deve decidir”. Até a consolidação do golpe, a consigna “O povo deve decidir”, apesar de ambígua, tinha um caráter que poderia ser progressista porque se diferenciava do “Volta Dilma”. Ao mesmo tempo, abre espaço para saídas mais radicais como ligar a luta contra os ataques e ajustes à luta contra o regime político com uma Constituinte imposta pela mobilização, que é para nós do MRT o conteúdo de “O povo deve decidir”.

Eleições presidenciais antecipadas é uma saída ainda mais adaptada à crise política que a que viemos criticando de eleições gerais. É legítimo o sentimento popular de querer pela via democrática do voto alterar os políticos que governam o país, mas o papel da esquerda deveria ser o de clarificar que não basta mudar os políticos sem mudar as regras do jogo sujo do regime, batalhando por uma saída que enfrente o conjunto do sistema político, com seu Congresso de corruptos e seu Judiciário todo-poderoso, verdadeiros antros de inimigos do povo. A política de eleições gerais será um desvio da insatisfação, alimentando a ilusão da mudança meramente trocando os políticos que ocupam os cargos. Nessa conjuntura pós golpe, a política de eleições gerais vai colaborar diretamente para a linha petista de eleições presidenciais antecipadas, o que está mais do que longe de ser qualquer resposta para a crise política e econômica que vive o país e deposita em Lula, Marina Silva ou Ciro Gomes alguma resposta à crise. Por isso seguiremos debatendo com as diversas correntes do PSOL que defendem “eleições gerais”, assim como o MAIS e o próprio PSTU. O presidente do PSOL já foi além e aderiu a linha de “Diretas Já”. Ao final, se não mudam essa política, todas vão, cada uma à sua maneira, contribuir para a estratégia do PT.

Contra a estratégia do “Volta Lula” e da recomposição do PT pelas eleições, chamamos a compor o ato levantando bem alto:

Abaixo Temer golpista e seus ataques. Por uma Constituinte imposta pela mobilização, que comece a combater os privilégios e a corrupção garantindo que todo político ganhe o salário de uma professora e seja revogável. Uma constituinte que coloque em discussão os grandes problemas da população trabalhadora, que é o direito à saúde, educação, moradia, emprego a subordinação do país ao imperialismo com a dívida pública, etc.

Que a CUT e a CTB rompam sua paralisia e convoquem imediatamente um plano de luta contra os ajustes de Temer e de todos os governos, com assembleias de base, piquetes e paralisações, rumo a uma verdadeira greve geral, partindo do ponto de apoio que são as campanhas salariais em curso, onde a burocracia segue dividindo as categorias e não preparando lutas sérias contra os ajustes e o governo.

Para construir uma alternativa à esquerda do PT, participamos das manifestações, impulsionamos o Esquerda Diário e lançamos candidaturas anticapitalistas para vereadores do MRT pelo PSOL. Damos essa batalha também no terreno eleitoral, agitando um programa anticapitalista, ligado à perspectiva estratégica de um governo dos trabalhadores. Pois as lutas econômicas não serão vitoriosas efetivamente se não se ligarem a um profundo questionamento do regime político, dos partidos da direita e do PT, que para defender-se em sua decadência, fizeram uma reforma política que aumentou ainda mais a censura à esquerda nas eleições.

Venha conosco fazer parte da luta por essa alternativa nas manifestações como as deste domingo, nas que estão ocorrendo contra Temer, nas greves e demais lutas que virão contra os ataques, e também nas eleições.


Diana Assunção, Danilo Magrão e Maira Machado, candidatos do MRT pelo PSOL nas eleições, junto a outras companheiros e e companheiras no 1/5 contra o golpe, com uma política independente


Bloco do MRT, Faísca e independentes no 1/5 contra o golpe




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