Política

CRISE NO PT

PT deve desistir do apoio parlamentar a golpistas

Após aumento da crise em sua base partidária, o PT deve recuar na decisão de apoiar os candidatos golpistas do PMDB e do DEM na disputa no Senado e na Câmara dos Deputados.

segunda-feira 30 de janeiro de 2017| Edição do dia

Na semana passada a liberação do diretório nacional do PT para o apoio a golpistas da base de Temer nas disputas para presidência da Câmara e do Senado dividiu opiniões e rachou as bancadas do partido nas duas casas. O próprio congresso do partido que deveria acontecer em Abril foi adiado para conter os possíveis danos da crise interna que se aprofunda desde o golpe institucional.

Em artigo divulgado no domingo, 29, o presidente do PT, Rui Falcão, admitiu as "divergências" a respeito da decisão do Diretório Nacional divulgada no último dia 20 e recuou na orientação aprovada, anteriormente proposta por ele.

"O fato é que o protesto tem audiência, repercussão e deve ser ouvido pelos parlamentares", escreveu Falcão. "Minha opinião pessoal é que nos unamos aos parlamentares da oposição (PDT, PC do B, Rede e PSOL) num bloco a ser encabeçado por alguém deste campo."

A disputa no Senado ocorrerá na quarta-feira, dia 1º, e no dia seguinte na Câmara. A posição oficial do PT, no entanto, somente será anunciada nesta terça-feira, 31. Com 58 deputados, o PT está de olho na Segunda Secretaria e em completo zigue-zague político entre os acordões parlamentares e a insatisfação na base partidária.

Uma ala do partido ainda acredita a sigla deveria endossar Rodrigo Maia (DEM) à reeleição da Câmara, além de Eunício Oliveira (PMDB) para o Senado, para assim assegurar cargos na Mesa. "A bancada está muito dividida, mas não abrimos mão de lutar por espaço", diz o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

Os acontecimentos mostram que cada uma das atitudes conciliatórias tomadas pelo pelo PT para "lutar" contra os males da direita no parlamento se aliando com eles em busca de cargos parecem fortalecer ainda mais a própria direita. O maior exemplo da falência dessa estratégia do PT foi o próprio golpe institucional.

Nas redes sociais, enquanto importantes figuras, como Luis Inácio Lula da Silva, endossaram a decisão da direção do partido, o grupo Muda PT disse não ser possível aceitar o voto em "golpistas".

Alternativas e "avulsos"

Na Câmara, uma das alternativas é apoiar a candidatura de André Figueiredo (PDT-CE). Há deputados, porém, que pregam o lançamento de chapa própria, com Paulo Teixeira (SP).

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) vai lançar hoje candidatura avulsa para a presidência da casa, já que seu partido fechou com Maia. O PSOL também deve entrar no páreo.

Com informações da Agência Estado




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