Gênero e sexualidade

MACHISMO DO ESTADO

PM culpa mulheres por estupros em Pernambuco

A Polícia Militar é uma instituição machista, envolvida em casos de violência contra a mulher, estupro e pedofilia, como no caso do Coronel preso recentemente no Rio. Em Pernambuco, a polícia recomenda, por exemplo, que as mulheres evitem bebidas alcoólicas para "prevenir" estupros.

sexta-feira 16 de setembro| Edição do dia

As "Dicas de Segurança e Comportamento" da PM de Pernambuco servem somente para reforçar a cultura do estupro, culpando as mulheres pela violência sofrida. Frente ao aumento de casos de estupro no estado, a polícia publicou "recomendações" como "evitar o exagero no uso de bebida alcoólica", "evitar exposição pessoal em redes sociais", "tomar cuidado na presença de pessoas estranhas e que acabou de conhecer" e outras. Tudo insinuando que as mulheres tem alguma responsabilidade na violência sofrida.

Como se não bastasse a polícia culpando as mulheres pelo aumento de estupros no estado, o governador Paulo Câmara (PSB) ainda reforçou: "é importante ouvir, tomar esses cuidados". Nada de novo na sociedade machista em que vivemos, que mata e violenta cotidianamente milhares de mulheres e meninas. Além do julgamento e as acusações de setores que assumem abertamente seu ódio às mulheres, como Bolsonaro e seus apoiadores, ainda é necessário conviver com esse tipo de julgamento, sob desculpa de "proteger" as mulheres.

A declaração da PM é tão absurda que foi necessário que a Secretaria da Mulher e a Secretaria de Defesa Social republicassem as dicas de segurança. Embora tenham retirado o que havia de mais abertamente machista, a nota ainda coloca a responsabilidade nas mulheres. Recomendações como "Não permita que pessoas conhecidas ou mesmo parceiros e ex-parceiros entrem na sua intimidade sem a sua permissão" é como dizer "não permita que conhecidos lhe estuprem".

A publicação do governo "orienta" as mulheres a não passar por locais vazios e escuros, mas não expressa nenhuma ação do governo para intimidar estupradores. Falam em evitar lugares inseguros, mas como mulheres que trabalham à noite, por exemplo, poderão evitar o retorno para casa? Como poderão evitar de passar em seus bairros, se estiverem como a maioria das periferias do país, abandonados pelo poder público, sem iluminação, sem infraestrutura? A maioria das mulheres que andam por lugares aparentemente inseguros não o fazem porque querem, mas por que não têm alternativa e precisam se deslocar de casa para o trabalho e depois voltar. Não é imprudência.

É assim que os governos e a polícia tratam o tema do estupro: culpando as mulheres e fugindo de qualquer responsabilidade. Não é possível contar com as instituições de repressão nem com a estrutura estatal para combater a violência contra a mulher. Por meio do parlamento também são preparados outros tipos de ataques às mulheres, negando direitos básicos e retirando outros já conquistados, aumentando o tempo para aposentadoria e precarizando ainda mais a vida das trabalhadoras. É necessário organização independente das mulheres, tanto para lutar contra a violência, combater a cultura do estupro e qualquer retrocesso de direitos, quanto para se defender fisicamente.




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