Política

72ª ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

ONU: Temer dá show de hipocrisia e colaboração com a pressão imperialista na América Latina

Em seu hipócrita discurso na 72ª assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Temer afirmou que houve uma "redução de 20% no desmatamento da Amazônia". Ele declarou que o “novo Brasil” que está surgindo das reformas neoliberais será “mais aberto” ao mundo.

terça-feira 19 de setembro| Edição do dia

Michel Temer discursa durante abertura da 72ª Assembleia Geral da ONU (Foto: Seth Wenig/AP Photo)

“O Brasil orgulha-se de ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta. O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos. Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos”, declarou.

Cumpre lembrar que o vasto desmatamento operado por monopólios internacionais e grandes madeireiros nacionais segue a todo vapor. As mineradoras seriam beneficiadas com a entrega da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados) pelo governo, que teve de retroceder após repúdio nacional.

A reserva, entre os estados do Amapá e do Pará, foi criada em 1984 e tem mais de 4 milhões de hectares. A região tem potencial para exploração de ouro e outros minerais, entre os quais ferro, manganês e tântalo. Após as críticas, o governo fez um novo decreto, com algumas mudanças práticas embora tenha mantido a extinção da reserva e liberação da exploração mineral em parte da área.

Temer também destacou as reformas neoliberais que seu governo está implementando. “O Brasil atravessa momento de transformações decisivas. Com reformas estruturais, estamos superando uma crise econômica sem precedentes. Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos. Recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso”, afirmou.

Governo e mídia burguesa falsamente comemoram como vitória o segundo crescimento seguido no Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre foram 0,2% de crescimento em relação ao trimestre anterior e 0,3% de crescimento em relação aos últimos 12 meses. Após encolhimento de 7,2% na economia em 2015 e 2016, 0,3% é um índice muito baixo de recuperação, além de que o principal indicador de “aquecimento” da economia, a Formação Bruta de Capital Fixo, continuar em decrescimento por quase 4 anos.

O desemprego segue galopante no Brasil (14 milhões), com um número mais alto de trabalhadores saindo das fileiras da PEA por desalento, ou engrossando as fileiras da informalidade e dos empregos sem carteira assinada, terreno preparado pela grotesca reforma trabalhista.

Temer também defendeu um sistema de “comércio internacional aberto e baseado em regras”. No fim de agosto, a Organização Mundial do Comércio (OMC) pediu que o Brasil tire em 90 dias subsídios industriais, após queixas da União Europeia e Japão contra uma série de incentivos do governo a setores da indústria nacional. Temer, como não poderia deixar de ser, quer entregar o Brasil à China e a compradores de todo o mundo.

Antes de Temer, se pronunciaram o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, e o presidente da Assembleia Geral, o eslovaco Miroslav Lajcák. A fala mais esperada é a do presidente dos EUA, Donald Trump, que estreia na ONU após sua posse em janeiro desse ano. Na segunda (18), o imperialista defendeu reformas na organização.

À tarde, Michel Temer tem encontros com os presidentes da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, assim como com o primeiro-ministro de Israel, o assassino sionista Benjamin Netanyahu.

Na noite de segunda-feira (18), Temer e Trump participaram de um jantar em que discutiram a situação da Venezuela. O americano disse que quer que a Venezuela restaure sua democracia e que a situação no país é inadmissível. O presidente brasileiro afirmou que houve uma "coincidência " de posições de que a pressão diplomática sobre Caracas deve continuar para que se chegue a uma solução democrática.

Outros líderes latino-americanos, como os presidentes de Colômbia e Panamá, também foram convidados ao encontro. Temer afirmou que os países da América Latina e do Caribe querem continuar a pressionar a Venezuela, para ajudá-la, mas disse que não concordam com intervenção externa.

"Eu próprio relatei que recebi o (oposicionista venezuelano) Leopoldo López, tenho mantido os mais variados contatos, recebi a esposa dele, a mãe dele para revelar a posição do Brasil em relação à Venezuela, coisa que não ocorria antes, não é? E houve coincidência absoluta, as pessoas querem que lá se estabeleça a democracia, não querem uma intervenção externa, naturalmente, mas querem manifestações que se ampliem, a dos países que aqui estão para os países da América Latina, para os Países Caribenhos, de maneira a pressionar a solução democrática na Venezuela", disse Temer.

Assim, Temer indica auxiliar o governo Trump em suas agressões contra a Venezuela, lado a lado com a direita pró-imperialista organizada na MUD, uma alternativa política que não representa nada de progressista contra o governo bonapartista e autoritário de Maduro. Trump foi contundente na condenação da Venezuela: nenhuma saída virá pelas mãos da intervenção imperialista na América Latina. Repudiar essas agressões é repudiar esse governo servil de Temer.

Cheio de hipocrisia, Temer revelou novas profundezas de submissão aos senhores do norte, a Wall Street e ao Pentágono.




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