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O capitalismo que “deu certo”: Jeff Bezos detém fortuna maior que 133 países

Enquanto 40 milhões de pessoas ainda vivem em regime de escravidão ou semiescravidão, homem mais rico do mundo acumula fortuna maior que o PIB da Islândia, Tunísia, Jamaica e Estônia juntas. Será que o capitalismo deu certo?

segunda-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Enquanto estudo denuncia como a condição de escravidão pode afetar mais de 40 milhões de pessoas mundo afora, sendo, destes, um quarto de crianças, e por volta de 71% mulheres e meninas, o bilionário Jeff Bezos se torna o primeiro homem a acumular uma fortuna de US$ 106 bilhões na história. Talvez perca apenas para Augusto César, imperador romano, e Mansa Musa, do Império do Mali.

Segundo a Bloomberg, o fundador e CEO da Amazon supera a riqueza de 133 países – pelas estimativas para 2017 do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nem somando o Produto Interno Bruto (PIB) da Islândia, Tunísia, Jamaica e Estônia o empresário é ultrapassado.

Antes do aumento no valor das ações da Amazon na última segunda-feira, 8, o título pertencia a Bill Gates, fundador da Microsoft. Porém, se forem considerados os valores ajustados pela inflação, Gates já chegou a valer muito mais do que isso, segundo a Forbes. Sua fortuna em abril de 1999,por exemplo, ultrapassou os US$ 100 bilhões pela primeira vez, patrimônio que hoje em dia equivaleria a US$ 150 bilhões.

Seria cômico (se não fosse trágico) que a revista “Época Negócios” ainda tenha a cara de pau de soltar uma matéria com “4 hábitos de Elon Musk, Jeff Bezos e Bill Gates para aumentar a produtividade”, que consistem em “priorizar a comunicação via email”, “regras bem particulares para as reuniões”, “dormir o quanto precisam” e “se exercitar”. Como se disso dependesse o fato de serem “empresários bem sucedidos”, coisa que o resto da população só não faria porque não quer.

Esquecem de contar que o principal hábito para aumentar a produtividade desses empresários se encontra na exploração dos trabalhadores. A Amazon é exemplo vivo disso. Milhares de trabalhadores da empresa já entraram em greve mais de uma vez por toda a Europa contra os baixíssimos salários recebidos e as jornadas extenuantes que precisavam cumprir para suprir a alta demanda com a “black friday”.

Isso só mostra que o capitalismo deu muito certo e funciona bem de acordo com o que propõe: garantir que 1% detenha a maior parte dos frutos do trabalho realizado por 99% da população. Entretanto, esse exemplo revela também o exército de insatisfeitos que esse sistema gera, como no caso da greve citada, realizada simultaneamente pelos trabalhadores precarizados da Amazon na Alemanha e Itália, ameaçando paralisar as operações dessa gigante das vendas online. É assim que o capitalismo cria seus próprios coveiros, ou seja, cria uma enorme classe trabalhadora internacional, com o potencial de enfrentar aqueles que a exploram e de construir, a partir de suas próprias mãos, um sistema em que suas vidas valham mais que o lucro de meia duzia de milionários.




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