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VIDAS NEGRAS IMPORTAM

Nova York: A raiva eclodiu na Quinta Avenida

No contexto de mobilizações, barricadas e confrontos com a polícia após o assassinato racista de George Floyd, saques ocorreram à noite em uma das avenidas mais exclusivas do mundo.

quarta-feira 3 de junho| Edição do dia

O assassinato racista despertou a raiva de dezenas de mulhares nos Estados Unidos. Quatro dias seguidos de lutas nas ruas com as forças policiais. Mobilizações em dezenas de cidades do país norteamericanos e centenas de posts de ódio de uma geração que, direta ou indiretamente, sofre com o racismo estrutural do EUA.

Neste contexo, durante o dia de ontem, várias centenas de pessoas protagonizaram saques em uma das avenidas mais emblemáticas do país: nada menos que a Quinta Avenida em Nova York, referencia para os setores mais ricos do mundo que vão para a avenida exclusiva para fazer compras nos locais mais luxuosos das marcas mais caras, Prada, Dior, Gucci, Versace ou Armani.

Mas essa Avenida tem sua história de contrastes. Desde o final do século XIX, ela já era identificada como um local de alta linhagem.

Na Quinta Avenida, por exemplo, está localizado o Empire State. O famoso edificio, que em sua época foi o mais ato de Nova York, conhecido não apenas por este feito, mas também pela foto icônica onde se vê aos operários que trabalhavam na construção almoçando a centenas de metros de altura, sem equipamentos mínimos de segurança.

No começo do século XX, a alta burguesia novaiorquina começa a se instalar na avenida, mais precisamente no corredor que vai da Rua 59 a Rua 96, que segue sendo até hoje um dos bairros mais ricos para se viver.

Esta parte onde vivem os ricos, que compreende não só a Quinta Avenida, mas tabém Harlem, Upper East Side e o Soho, contrasta com os bairros vizinhos mais pobres da cidade, muito próximos um do outro.

Lugares como o Bronx, ou os bairros Corona, Elmhurst and Jackson Heights que pertecem ao distrito de Queens, contrantram os maiores números de desigualdade, onde 25% vive abaixo da linha da pobreza.

É aí onde se encontram os bairros com a maior quantidade de negros e latinos, e foi o epicentro da pandemia do Covid-19; Aqui, a maioria não tem trabalhos nos escritórios das grandes empresas mas são trabalhadores essenciais, empregados, sobretudo, do setor de serviços, como transporte, saúde e limpeza.

A crise sanitária causada pelo Coronavírus se somou a grave crise social, que já levou a 40 milhões de desempregados.

Nestes bairros, a pobreza se mistura com a violência policial contra os pobres e ainda mais feroz na população negra. Nova York sempre foi considerada uma cidade de “mão dura”, desde a época do intendente Rudy Giuliani, conhecido por ser um dos políticos que mais endureceu a perseguição policial contra os negros, que governou a serviço da elite ianque.

O assassinato de George Floyd foi a última gota de desespero que encheu a paciência dos trabalhadores e pobres do distrito. Essa é a base que explica o ódio e a fúria que eles tiveram com a luxuosa Quinta Avenida, onde os ricos e brancos estadunidenses saem a passear.




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