Opinião

GOLPE IN RIO?

Ninguém deu a mínima para a vinda do MBL ao Rio

sábado 15 de outubro| Edição do dia

O Movimento Brasil Livre, entidade ligada à rede Estudantes para a Liberdade anunciou sua vinda ao Rio de Janeiro para fazer campanha por Crivella contra Marcelo Freixo. Desde o anúncio há dois dias, compartilhado nas redes por vários eleitores de Freixo em tom de ironia, não se ouviu mais falar deles na segunda capital do país.

Na foto, da esquerda(!) para a direita: um YouTuber apoiador de Temer, o coordenador do MBL Renan dos Santos, Bernardo Sampaio que concorreu a vereador para Niterói através do PSDB e conseguiu 1.349 votos, e Fernando Holiday, que se elegeu vereador em São Paulo com 48 mil votos pelo DEM.

Saiba mais: O que se esconde por trás do Movimento Brasil Livre (MBL)

A passagem do MBL pelo Rio está sendo tão ignorada, que a foto acima, postada há dois dias, foi a única e última informação sobre a vinda deles ao Rio. De lá para cá, as únicas coisas que postaram foram acusações de “comunismo” contra Sebastião Melo(PMDB), candidato a prefeito de Porto Alegre que recebeu apoio do PCdoB, ou insinuações de que Rodrigo Maia seria simpatizante do bolivarianismo.


Para MBL, peemedebista virou comunista após receber apoio do PCdoB.


Não há fotos do passeio no Rio

Competição de peso

Os Power Rangers do Neoliberalismo, que vieram ao Rio para apoiar Crivella e se juntar a Silas Malafaia em sua campanha de reacionarismo contra Freixo, tem competidores de peso para disputar microfone no palanque de Crivella. Desde que o segundo turno se instalou, todas figuras do reacionarismo local se somaram ao apoio da candidatura do Bispo coligado ao Garotinho. É muito golpista pra pouco microfone.

Primeiro foi a paleozóica família Bolsonaro, depois Índio da Costa, em seguida o próprio PMDB declara apoio através de Jorge Picciani. Até da filha de um miliciano preso veio apoio, apoio este que Crivella agradeceu dizendo que precisa desse voto. No vale tudo pro segundo turno, até programa de TV está entrando no rolo.

Não é para assustar ninguém que os pseudoliberais, apesar da concorrência, venham prestar apoiar o candidato ligado à Igreja Universal. O MBL aceita qualquer negócio, como mostraram os áudios publicados pelo UOL:

"Aqui, no Rio de Janeiro, foi feita uma parceria entre o MBL, na pessoa de Bernardo Sampaio (coordenador do MBL), e na minha pessoa Ygor Oliveira, pela Juventude do PSDB. Fizemos uma... um projeto de a JPSDB captar com amigos, colaboradores o valor referente a hospedagem, alimentação, no translado, entre outras despesas, e o MBL chegar com o ônibus. O Bernardo conseguiu captar 50% do valor envolvido no ônibus, e ficou pendente 50%.” (...)

Na época, o áudio que cita Sampaio (foto), foi confirmado por Renan, que também esta na foto e que, aliás, é réu em pelo menos 16 ações cíveis e mais 45 processos trabalhistas, incluindo os que estão em seu nome e o das empresas de que é sócio, e os processos só não vão adiante porque Renan usa a conta da irmã para receber doações para MBL.

Os “garotos de Temer”, defensores da PEC 241 e da reforma curricular, nada mais são que um rosto jovem da velha política burguesa. E não vieram ao Rio à toa, mas porque estes golpistas estão preocupados com a progressista mobilização em torno da candidatura do Marcelo Freixo, que o levou ao segundo turno contrariando o resultado das eleições no resto do país. A mobilização responsável por este feito pode também levar adiante o questionamento ao governo golpista e seus ataques, tão defendidos pelo MBL, e é isso que os preocupa.

Como disse Carolina Cacau, que concorreu às eleições pelo MRT no PSOL: “No Brasil também já tivemos a experiência do PT que ninguém quer repetir. Precisamos derrotar Crivella e os ataques com a força dos trabalhadores, sem repetir as experiências que mostram que não é possível atender os reais anseios dos trabalhadores e do povo senão pela via da luta de classes, construindo uma greve geral e uma alternativa política dos trabalhadores em todo o país, que seja independente do PT e sem alimentar ilusão de mudança gradual pela via das eleições, à exemplo da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em espanhol) da Argentina.”

Leia também: Carolina Cacau: “Precisamos derrotar Crivella e os ataques com a força dos trabalhadores"




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