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Candidatos milionários disputam prefeituras no Amazonas

No ranking dos candidatos mais ricos dos 61 municípios do interior, Paulo Freire (PT), que quer comandar a prefeitura de Manacapuru pela segunda fez, ocupa a primeira colocação.

segunda-feira 29 de agosto| Edição do dia

Com informações de Aristide Furtado

Freire informou ao TSE ser proprietário de uma fortuna avaliada em R$ 28,5 milhões. A cifra o coloca como o candidato mais rico do Amazonas. O pecuarista é dono de 4.187 cabeças de gado nelore no valor de R$ 4,8 milhões. Também possui duas fazendas em Roraima, no valor total de R$16 milhões.

O ex-prefeito, que se afastou do cargo em 1987 para assumir o posto de secretário estadual de Produção Rural, e foi eleito deputado estadual em 1998, também têm entre seus pertences outra gleba de terras em Roraima avaliada em R$ 6 milhões e outros quatro imóveis rurais, no mesmo Estado, no valor total de R$ 600 mil. É proprietário de uma mansão com valor estimado em R$ 2,5 milhões, e de uma lista de veículos que inclui caminhões, tratores, escavadeiras e carros de passeio.

Com patrimônio "mais modesto", o prefeito de Uarini (a 568 quilômetros de Manaus), Francisco Togo Soares (PMDB) está na segunda posição entre os candidatos mais abastados do Amazonas. Sua relação de bens foi avaliada em R$ 3,6 milhões. Quatro vezes maior do que os R$ 759 mil declarados em 2012. De acordo com dados inseridos no site do TSE pelo próprio candidato, o prefeito é detentor de 80% das cotas de capital social da empresa FT Soares no valor de R$ 2,5 milhões, de um lote de terras na zona rural do município, de R$ 153,8 mil, dois barcos de madeira, de R$ 32,1 mil e uma casa de R$ 110,8 mil.

Empatados na terceira colocação entre os candidatos com patrimônio milionário, figuram Normando Bessa de Sá (PMN), candidato em Tefé (a 525 quilômetros de Manaus), e o prefeito Neilson Cavalcante (PSB), de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros da capital). Possuem bens no valor total de R$ 2,3 milhões, cada. A lista de posses de Neilson, que é empresário, deu um salto de R$ 1 milhão quando comparada ao que foi informado à Justiça Eleitoral na campanha de 2012 (R$ 1,3 milhão). Os itens de maior valor são quotas no capital da firma Santa Thereza, de R$ 562,5 mil; saldo em VGBL de R$ 656,6 mil e R$ 304,2 mil; e R$ 150 mil em dinheiro vivo. A fortuna de Normando é quase toda composta de imóveis. A maioria em Tefé.

A quarta posição entre os candidatos mais ricos do interior do Amazonas é do candidato Silva (SD), de Novo Aripuanã (a 225 quilômetros de Manaus) com bens de R$ 2,2 milhões. A quinta é dividida entre Magalhães, de Coari (a 370 quilômetros de Manaus) e Rubem Barbosa (Pros), de Alvarães (a 538 quilômetros da capital). Prefeito desde abril do ano passado com a cassação do antecessor, Adail Pinheiro, o empresário Magalhães declarou ser detentor de R$ 2 milhões, quase 60% se refere à participação em uma empresa que leva o seu nome. Há quatro anos, a lista somava R$ 548 mil (não constava a empresa). Na página do TSE, Normando, professor do ensino médio, ostenta R$ 2 milhões em propriedades.

Além dos candidatos com patrimônio na casa dos R$ 2 milhões, existem outros 15 nos municípios do interior do Estado com bens em torno de R$ 1 milhão. Em Manaus, o candidato a prefeito mais rico é o deputado federal Silas Câmara (PRB) com R$ 2,7 milhões declarados.

Em regiões como o norte do país, quem manda na política são os mega-empresários agrícolas e latifundiários, muitas vezes com relação com perseguição e assassinato de indígenas, grilagem de terras e expulsão de comunidades quilombolas, crimes ambientais e manutenção de trabalho escravo em suas fazendas. Estes "coronéis do norte", de todos os partidos da ordem burguesa, inclusive o escandaloso Paulo Freire do PT, são respeitados e inquestionáveis pelo Judiciário mais rico do mundo.




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