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Não é janeiro que aumentou, é seu salário que não resistiu: 4 coisas que encurtaram sua renda

Sai mês entra mês, a árdua tarefa do trabalhador é sempre a mesma: sobreviver o período inteiro com seu salário. Porém, esse mês em particular, parece consenso nas redes sociais que o "interminável" janeiro venceu a batalha. Será que o mês foi mais longo ou seu salário que não rendeu?

sexta-feira 31 de janeiro| Edição do dia

No dia de ontem um dos assuntos mais comentados do dia no twitter foi a hashtag #AindaEJaneiroEEu em que diversos internautas compartilharam e ironizaram a sensação aparente de longuíssima duração de janeiro.

Um dos sintomas mais apontados pelos internautas foi em relação ao salário, que já há muito havia ficado pelo caminho. Piadas a parte, alguns elementos políticos e econômicos ajudam a explicar esse efeito compartilhado por diversas pessoas:

1 - Dezembro registrou maior inflação em 17 anos

Ainda que o nível geral da inflação esteja baixo, e dentro da meta do governo, a inflação de dezembro especificamente excedeu a expectativa. O IPCA, que ficou em 1,15% em dezembro, não atingia um número tão grande para o mês desde 2002, quando a inflação foi 2,10%, segundo o IBGE. No gráfico abaixo é possível ver como a inflação se acelera no final do ano. Puxada principalmente pelo preço da carne - que teve um acréscimo acumulado de 32,4% no seu preço no ano - toda essa inflação pode ter impactado no bolso do trabalhador só agora, pela defasagem no repasse do preço para o mercado.

2 - Aumento das tarifas de transporte

Como de praxe o período de virada do ano, é o momento que os prefeitos e governadores de diversas cidades e estados aproveitam as férias escolares e o período de menor mobilização dos trabalhadores para passar na surdina o aumento do preço das passagens. Seis capitais tiveram aumento do preço das tarifas.

O valor desembolsado com o transporte consome a segunda maior parcela da renda total das famílias, com uma fatia de 18,1%, ficando atrás apenas dos gastos com moradia (35,9%) e a frente dos gastos com alimentação (17,5%). Portanto, o mínimo aumento tem sim um grande impacto no bolso do trabalhador.

O discurso dos governos de que os reajustes estão abaixo da inflação não passa de falácia quando visualizado os reajustes a longo prazo. Os reajustes superam em muito a inflação e servem para manter o lucro dos empresários dos transportes. A sina do trabalhador é pagar cada vez mais caro por um transporte cada vez mais sucateado e precário.

3 - Despesas extras

O mês de janeiro costuma trazer uma série de gastos sazonais que golpeiam duramente o orçamento, mesmo dos mais planejados. Isso quando o IPVA, IPTU, por exemplo, não vem com imprevistos reajustes, como foi o caso de diversas cidades. Outros gastos do tipo são por exemplo matrículas e material escolar.

4 - A onerosa contrapartida das férias

O mês de janeiro é o período em que muitos trabalhadores podem gozar suas férias. Porém, como todo o resto, o lazer no capitalismo possui um custo. Caso o trabalhador decida viajar o período de alta temporada faz com que os empresários do turismo lancem os preços no teto para lucrar de forma oportuna com os turistas. Caso não decida viajar, a maioria das opções de lazer são também custosas. Como já mencionamos a inflação, o grupo de alimentação e bebidas foi um dos que teve maior aumento no ano (6,37%). Da mesma forma como outras opções de passeios são caras, como cinema, teatro, shows, entre outros.

O lazer e o ócio no capitalismo não são um direito mas um privilégio, cada vez mais elitizado.

Otimismo só mesmo na propaganda do governo e do mercado financeiro

Apesar das piadas, o tom geral das publicações na hashtag mostrou que para o trabalhador comum o novo ano não traz perspectivas muito diferentes do ano passado. Mesmo medidas do governo para alavancar o ânimo geral como a liberação do FGTS tiveram como principal destino o pagamento de dívidas, e só em menor grau estimularam o consumo.

É nítido o contraste das expectativas do mercado financeiro que eleva seguidamente suas projeções para o crescimento do ano de 2020, ou mesmo a propaganda oficial do governo que fala numa forte retomada do crescimento, com as dificuldade do trabalhador para não chegar no vermelho ao final do mês.

Essa contradição escancara o fosso entre os interesses dos capitalistas, para quem de fato a agenda do governo oferece melhoras, e para os trabalhadores, para quem a agenda do governo e de contínuos ataques e reformas, se mantendo a dura missão de chegar ao fim do mês.




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