ELEIÇÕES 2018

Não apoiamos voto no PT, mas defendemos o direito do povo decidir em quem votar

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

terça-feira 28 de agosto| Edição do dia

Cada centímetro do processo eleitoral está sob tutela do Judiciário e da Lava Jato, com o objetivo de aprofundar o golpe institucional: querem escolher a dedo o próximo presidente com o objetivo de aprofundar os ataques dos empresários e seus políticos, ligados à direita, ao agronegócio, às Forças Armadas e a Igreja, tudo isso apoiado por interesses estrangeiros das empresas e estados que dominam o mundo.

O autoritarismo judiciário quer um governo que ataque com mais dureza do que fez o PT, especialmente no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Trata-se de uma questão de princípio o combate à degradação da já limitada democracia burguesa, e ao autoritarismo judiciário, que retirou o líder das pesquisas do pleito eleitoral com a prisão arbitrária de Lula. A defesa intransigente do direito do povo votar em quem quiser (inclusive em Lula, se assim desejar), sem qualquer interferência da Lava Jato golpista, deve, portanto, esclarecer o papel político do PT, tanto antes como depois do golpe institucional.

Ao contrário de teses como a de Breno Altman, que sustenta que o PT não recorre à "desobediência civil" por falta de massas nas ruas, o PT nunca teve intenção alguma de fraturar o regime: a defesa da institucionalidade burguesa está acima de tudo para Lula, Dilma, Haddad e a cúpula petista.

Nos governos de Lula, em que os banqueiros “lucraram como nunca”, o PT manteve suas alianças com a direita que abriu caminho ao golpe institucional (assimilando seus métodos de corrupção, como na Petrobrás), e com a Igreja – como o acordo Brasil-Vaticano de 2009 – que impede o direito ao aborto para as mulheres. Lula abafou inúmeras investigações de corrupção contra banqueiros e empresários, como o escândalo do Banestado, e junto ao PSDB abafou diversas investigações para garantir governabilidade (Satiagraha, Castelo de Areia, Cachoeirinha, etc.). Além disso, não podemos esquecer que, na campanha eleitoral de 2014 Dilma havia criticado o ajuste, e imediatamente quando eleita renunciou a tudo o que disse em campanha, aplicando prontamente um duro ajuste contra os trabalhadores junto a Joaquim Levy. Com esse expediente, sem denunciar a monstruosidade da parcialidade da Lava Jato, pavimentou o caminho do golpe.

Ademais, através de suas antenas no movimento de massas, especialmente a CUT e a CTB, construíram conscientemente a desmoralização e a passividade das massas, boicotando as jornadas de greve geral em 2017, sem resistir à aprovação da reforma trabalhista, e mesmo no momento da prisão de Lula, uma maneira atual de traduzir outra marca histórica do PT: obstaculizar a ação política independente dos trabalhadores contra empresários e a direita golpista.

Está no DNA do PT a manutenção da institucionalidade burguesa; a chamada "desobediência civil", por mais tímida que seja, não está no rol de medidas do PT porque este construiu conscientemente a desmoralização das massas também após o golpe institucional.

Nestas eleições, o PT sequer promete manter direitos, mas sim “retirar menos” (basta ver como a cúpula petista apresenta um programa "para acalmar os mercados" - como diz Rui Falcão) além das “privatizações um pouco menos entreguistas” que as dos golpistas. Entretanto, se quando a economia não estava tão mal Dilma colocou no Ministério da Fazenda um banqueiro, reduziu o direito ao seguro desemprego e liberou parte da privatização da Petrobrás para seguir pagando a dívida pública, porque acreditar que com a crise que vivemos agora, bem mais grave, será algo diferente?

Escolher um “mal menor” que promete crescimento transferindo o dinheiro de nossos impostos aos capitalistas significa escolher que vamos pagar a conta quando faltar esse dinheiro. E nesse ponto – pagar a conta – golpistas da direita e a oposição “progressista” (como o PT) terminam se unindo: juram que vão honrar os compromissos do Estado com os capitalistas, mesmo sabendo que isso implica sacrificar os interesses da maioria. O maior de todos esses compromissos é a dívida pública, que anualmente transfere 1 trilhão de reais do dinheiro público para os bolsos de banqueiros e investidores milionários.

Por isso não apoiamos o voto em qualquer das candidaturas do PT; batalhamos por superar a tragédia da conciliação de classes petista com um projeto de independência de classes dos trabalhadores. Mas somos incondicionalmente contra a prisão arbitrária de Lula e somos intransigentes na defesa do direito do povo votar em quem quiser.

Ver aqui: MRT lançará candidaturas em São Paulo dia 18 de agosto

Ver também: MRT lança candidatura de Flavia Valle a deputada federal em Minas Gerais

Ver aqui: MRT lançará candidatura anticapitalista dos trabalhadores no Rio Grande do Sul

Esta batalha contra o autoritarismo judiciário, que tem mil e um laços com o governo norte-americano e suas instituições estatais, diplomáticas e de investigação, é uma questão de princípio para uma política anti-imperialista e de independência de classe. Nestas eleições, colocaremos as candidaturas do MRT e o Esquerda Diário a serviço dessa batalha.




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