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Na farsa da "guerra às drogas", Brasil e Paraguai queimam 78 toneladas de maconha

Tem sido divulgado que o Paraguai, maior distribuidor de maconha no país, queimou no início do ano, por volta de 10 de janeiro cerca de 26 hectares de maconha na região de Yby Yaú, no Paraguai, território a cerca de 108 quilômetros do município sul-mato-grossense de Ponta Porã.

terça-feira 17 de março| Edição do dia

Estamos vivendo uma crise de maconha no país, são milhares de comentários sobre a falta de maconha para consumo e a péssima qualidade do pouco que está sendo comercializado.

Segundo as estimativas da operação, se a maconha queimada fosse processada, as mudas produziriam cerca de 78 toneladas de maconha, avaliadas em R$ 11,4 milhões. Também foram eliminados dez acampamentos usados como base de operação logística do tráfico e foram destruídas sementes e ferramentas do processo de produção.

A Operação Nova Aliança, criada em 2018, é uma ação da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai - SENAD/PY, que conta com apoio em inteligência, financeiro e logístico da Polícia Federal brasileira, através da Coordenação Geral de Polícia de Repressão a Drogas – CGPRE, da Diretoria de Combate ao Crime Organizado - DICOR, e do Oficialato de Ligação da Polícia Federal no Paraguai.

O estado destinou em 2020 R$ 417,9 milhões do orçamento para o que eles chamam de segurança pública, combinada com a aprovação do “pacote anticrime”, mas a verdade é que passa de aumento da repressão aos usuários e moradores de morros, favelas e periferias, verba que poderia estar sendo investido na educação, na saúde na ciência e tecnologias.

Combate as drogas ou aos pobres?

O aumento da crise econômica mundial e as medidas que vem sendo adotadas pelo governo Bolsonaro, de avanço de um plano neoliberal, coloca o conjunto da classe trabalhadora na miséria, vivemos o maior indicie de desemprego da história, são cerca de 12,6 milhões desempregados, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento), as péssimas condições de vida com trabalhos precários, subcontratos e o exponencial aumento da desigualdade social é o que gera criminalidade.

Na contramão desse fato, o Juiz Sergio Moro desde o ano passado tem adotado um discurso de “combate ao crime organizado” a velha política de "enxugar o gelo" que só resulta em repressão. Sabemos que a circulação do conjunto das drogas segue acontecendo e quem financia são os grandes empresários que controlam a produção e distribuição a nível mundial, mas aqueles que morrem são os mais pobres e os negros, povo negro é o que mais sofre com ações desse tipo.

Foram 2.886 pessoas mortas por policiais no 1º semestre no Brasil – um aumento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2018. A maioria das mortes se dão em decorrência de intervenção policial (mais de 90%) aconteceu com oficiais em serviço.

O combate as drogas e a maconha em especial, não resolve um problema que é estrutural do capitalismo, a desigualdade é parte da sua lógica de funcionamento e a repressão só causa mais mortes e propagação do racismo como apontam os estudos, por isso o método mais eficaz seria a regulamentação das drogas.

Legalização das drogas sob gestão dos trabalhadores e controle dos usuários

A legalização tiraria da informalidade a produção e a venda, o que acabaria com o tráfico nas comunidades, colocaria fim a relação do poder público com o narcotráfico, os governos deixariam de desperdiçar bilhões no combate as “drogas” e poderia se investir, no caso da maconha, em estudos para o tratamento de doenças.

Num primeiro passo, a regulamentação da droga poderia facilitar a importação de medicamentos ou até permitir a estocagem dos produtos no país, reduzindo a espera dos pacientes e os custos. O Canabidiol (CBD) é um dos princípios ativos da cannabis mais bem vistos para a regulamentação, pois, diferente do Tetrahidrocanabinol (THC), não possui ação psicotrópica. Ambos entram na composição de remédios.

Com a legalização se acaba com o pretexto do Estado de violar nossas liberdades civis com o fim de levar a cabo esta guerra contra as drogas, que expressa um racismo mascarado, pois em sua maioria são negros criminalizados, presos e mortos com a desculpa de manejo de drogas.

A legalização conduzirá a sociedade a aprender a conviver com as drogas, tal e como tem feito com outras substâncias como o álcool e o cigarro e também pode conduzir a aprendizagem social de consumo medicinal e recreativo.

Mas para que isso venha a acontecer é necessário que a população e os trabalhadores tomem para si a tarefa de organizar a produção, para que ela seja de qualidade para todos e para que não percamos mais nenhuma vida fruto desse combate e que seu uso seja racional e controlado por todos.




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