Educação

PERMANÊNCIA ESTUDANTIL

Na EACH a luta por permanência continua

Na semana passada estudantes da EACH (USP Leste) realizaram um ato em frente à reitoria e depois de muita pressão conseguiram que uma comissão de estudantes fosse recebida para uma reunião com o novo chefe de gabinete do reitor. Nessa mesma data foi agendada outra reunião, que aconteceu ontem segunda-feira (29/02). Estudantes se reuniram com o responsável pela Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP, Prof. Waldyr Antonio Jorge, para discutir a respeito dos cortes à permanência estudantil.

terça-feira 1º de março de 2016| Edição do dia

A pauta principal da reunião era exigir que o superintendente assinasse um documento de retificação do edital do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil – PAPFE 2016, para que fosse permitida à EACH a manutenção do auxílio transporte (cortado para os campi da capital) bem como a acumulação deste com o auxílio moradia. Como EACH fica localizada no bairro de Ermelino Matarazzo, um bairro majoritariamente industrial, a região não possuí uma oferta de moradia compatível com a demanda da região, principalmente com a demanda dos estudantes que vem de outras cidades ou de bairros muito distantes fazendo com que o estudante seja obrigado a procurar residência em bairros próximos, sendo necessário pegar um ônibus ou trem para chegar à universidade. Por esse motivo na EACH era permitido o acúmulo de auxílios moradia e transporte. O auxílio transporte também garante o deslocamento daqueles que moram em outras cidades, como Osasco e Guarulhos e possibilita aos estudantes retornarem às suas casas para visitar familiares, no caso daqueles que moram em cidades que não fazem parte da região metropolitana de São Paulo, bem como em outros estados.

Waldyr Jorge recebeu a comissão de estudantes e iniciou a reunião debochando das condições que levam os estudantes a necessitarem da permanência estudantil para se manterem na universidade. Quando questionado sobre valores orçamentários referentes à permanência, o superintende disse que ignorava o assunto. Ele não se deu o trabalho de preparar a reunião com seriedade apresentando documentos oficiais, assim como não estava preocupado com aqueles que deixarão a universidade sem condições de se manter. Para convencer os estudantes de que o auxílio transporte não era necessário, Waldyr Jorge apresentou uma reportagem do site Estadão datada do início do ano passado em que o jornal afirmava o compromisso do estado em conceder a estudantes a gratuidade do passe nas linhas da CPTM e EMTU.


Responsável pela Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP, Prof. Waldyr Antonio Jorge

A todo o momento, os representantes que estavam na reunião pressionavam para que ela fosse transferida para o auditório em que o resto do grupo aguardava. Diante da negativa do superintendente de que a reunião fosse realizada no auditório da SAS, perante todos os estudantes, estes ocuparam o gabinete onde ocorria a reunião para pressionar pelo retorno das bolsas cortadas.

Como era de se esperar, ele se recusou a assumir o compromisso de retificação do edital e pediu que os estudantes depositassem um voto de confiança nele e de que ele levará nossas demandas à reitoria. Foi assinado um termo de compromisso no qual ele afirma que discutirá a demandas dos estudantes com a reitoria. Vale a pena ressaltar que Waldyr Jorge é aliado da reitoria no desmonte da universidade e responsável pelo fechamento da creche do Hospital Universitário que funcionava a mais de 25 anos.


Termo de Compromisso assinado pelo superintendente

Frente à recusa do superintende em assumir o compromisso imediato de retificação do edital, os estudantes seguem na luta por permanência estudantil. O acampamento na EACH continua e será realizada uma assembléia de estudantes esta quarta-feira. Também será encaminhada ao Conselho Universitário, através dos representantes discentes e dos representantes da pós- graduação, uma com as demandas da EACH a ser lida como inclusão de pauta.

Não apenas a EACH tem sofrido com a falta de políticas efetivas de permanência. Os estudantes dos outros campi também têm dificuldades para conseguirem vaga nas moradias (quando há) e o valor das bolsas é insuficiente para o aluguel. Nessa luta por permanência, é essencial que os estudantes de outras unidades além da EACH se somem, para que juntos possamos barrar o desmonte da USP.




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