Política

ELEIÇÕES 2018

Mourão defende o fim da estabilidade do serviço público em encontro com ruralista no RS

O vice de Bolsonaro, general Mourão palestrou na Associação Rural de Bagé (RS), onde defendeu uma “profunda reforma do Estado”, além de garantir a prioridade do agronegócio em seu governo, e criticar a “hegemonia do politicamente correto”.

segunda-feira 1º de outubro| Edição do dia

O candidato a vice presidente pela chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), falou na última quarta-feira (26) para uma platéia de aproximadamente 2,5 mil pessoas na Associação Rural de Bagé(RS), antro do golpismo mais escancarado, e ponto de organização do agronegócio aos ataques à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mais cedo neste ano. Depois de se reunir a portas fechadas com sindicatos ruralistas, Mourão falou ao público empunhando um rebenque, referência ao usado por ruralistas para hostilizar militantes petistas em março, durante a caravana do ex-presidente Lula pelo Rio Grande do Sul.

Em seu discurso, Mourão falou pelo fim da estabilidade do serviço público “Por que uma pessoa faz um concurso e no dia seguinte está estável no emprego? Ela não precisa mais se preocupar. Não é assim que as coisas se comportam. Tem que haver uma mudança e aproximar o serviço público para o que é a atividade privada” disse o General, que além de emprego vitalício e plano de carreira, como militar agora aproveita uma gorda aposentadoria na reserva. Essas declarações são uma amostra clara do que é trazido pelo plano profundamente neoliberal da chapa Bolsonaro/Mourão: mais ataques aos trabalhadores, precarização ainda maior das condições de trabalho, e desmonte do Estado brasileiro em função do lucro dos capitalistas nacionais e estrangeiros.

Isso, contudo, foi só a ponta do iceberg de um discurso que fez questão de pontuar que faria uma “profunda reforma do Estado, com prioridade à saúde, segurança, educação e agronegócio”. Aos gritos de “mito” da platéia, Mourão criticou supostas “travas” ao país, dentre essas a elevada tributação, o excesso de leis, o "ambientalismo xiita" e a "hegemonia do politicamente correto". Reclamou da educação recebida por seu neto, de 10 anos, que estuda filosofia na escola, defendendo a adoção de “valores morais”, em consonância com anteriores acenos à antiga “educação moral e cívica”, mecanismo de doutrinação ideologia da ditadura.

Escancarando o golpismo e saudosismo da ditadura civil-militar que lhe renderam seu cargo na chapa de Bolsonaro, Mourão lamentou a “crise de valores” do país, fruto de um suposto ataque à “identidade nacional” desde a redemocratização, que teria sido levado a cabo por uma “intelectualidade”. “Temos uma crise de valores, resultado de mais de 30 anos de processo de desconstrução da identidade nacional provocada por uma intelectualidade. Perdemos a alegria de brincarmos um com os outros (sic)” disse. Propôs uma reforma política que “diminua o número de partidos” além de uma mudança da lei penal que garanta "direitos humanos a humanos direitos".

Também deixou clara a vontade de seu eventual governo de desmontar até os mais essenciais serviços públicos, quando, em meio a uma epidemia de doenças infantis, criticou o uso de dinheiro público em campanhas de vacinação, “Por que preciso gastar dinheiro com uma campanha de vacinação? Todo mundo tem celular, basta mandar uma mensagem: ‘vacine seu filho hoje’”.

Após a fala de aproximadamente 50 minutos, com direito a inúmeras críticas aos governos que julga “comunistas”, Mourão foi ovacionado pelo público da associação rural.

Hamilton Mourão como figura política crescentemente saliente no cenário eleitoral, e sua escolha para a candidatura misógina, racista, LGBTfóbica e golpista de Jair Bolsonaro não ocorreram por acidente. São a marca do crescimento político da extrema direita em meio a essas eleições manipuladas pelo judiciário golpista e com crescente presença de militares como o próprio Mourão para representar os setores mais reacionários, golpistas, e escravistas da entreguista burguesia brasileira, além dos interesses do imperialismo com sua agenda neoliberal privatista.

Leia mais: Os militares fora dos quartéis: qual o significado das “aproximações sucessivas”?

É nesse marco, de eleições completamente restringidas pelo golpe institucional e onde a já degradada democracia dos ricos imposta pela transição pactuada do regime de 88 é cada vez mais constrangida pelo bonapartismo de toga e o de farda, que nós, do MRT e do Esquerda Diário, sabemos que só a luta dos trabalhadores e trabalhadoras poderá barrar os ataques massivos que estão à frente, trazidos por esses setores de peso na correlação de forças política - com sangue nos olhos para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, tendo em vista preservar e ampliar os lucros dos patrões - e com quem o PT acha que pode conciliar para ter governabilidade em um inevitável governo de ataques. Só o enfrentamento a essa degradação bonapartista do regime burguês de 88, em vistas de agravar ainda mais as já precárias condições dos trabalhadores em meio à crise criada pelos capitalistas poderá impedir que os golpistas, escravocratas, e o conjunto da ultra direita façam com que sejam os trabalhadores que paguem com seu suor e suas vidas pela crise!

Por isso, convocamos todos a lutarem, desde todos os locais de trabalho e estudo para impor por meio da luta uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana! Onde a maioria do povo possa fazer valer sua vontade, onde poderia ser pautada a revogação de todos os ataques do governo Temer e anteriores, onde seriam protegidos os direitos dos trabalhadores contra setores autoritários como Mourão e Bolsonaro, e poderíamos defender o não pagamento da dívida pública, para pôr fim a submissão do país e dos direitos dos trabalhadores ao imperialismo! Poderíamos exigir que todos os políticos e juízes fossem eleitos e revogáveis, e ganhem o mesmo que uma professora! Para fazer com que sejam eles, os capitalistas, que paguem pela crise econômica, política e social que eles criaram!




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