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Mostrando suas ambições imperialistas, Inglaterra, Alemanha e Espanha insistem em acordo UE-Mercosul

Em uma série de declarações, representantes de vários países da UE mostram sua divergência com Macron e seu entusiasmo para o saqueio da força de trabalho brasileira e a reprimarização da economia nacional que o acordo representa.

segunda-feira 26 de agosto| Edição do dia

Em uma recente declaração, o governo da Espanha se juntou ao crescente bloco dentro da União Europeia favoráveis à ratificação do acordo UE-Mercosul, contrariando diretamente a campanha do presidente francês Emmanuel Macron de usar os absurdos crimes ambientais praticados pelo agronegócio, com o aval do governo Bolsonaro, para barrar o avanço do acordo.

Desde o início da massiva repercussão da destruição desenfreada da floresta amazônica pelas queimadas do agronegócio, a França tem sido linha de frente de uma campanha de repreensão ao Brasil, exigindo sanções econômicas e ameaçando o fim do acordo UE-Mercosul, firmado há alguns meses pelo governo Bolsonaro, mas que ainda aguarda ratificação pelos parlamentos dos países do bloco europeu.

O acordo, um tratado de livre comércio que suspenderia barreiras alfandegárias bilionárias para importação e exportação entre países dos dois blocos econômicos, como já falamos aqui, resguarda um projeto de baratear a Agro exportação brasileira, escoando a produção agrícola da Brasil para o mercado europeu, enchendo os bolsos do agronegócio, ao mesmo tempo que reafirma a posição do Brasil na cadeia capitalista mundial e na divisão internacional do trabalho: uma grande fazenda, destinada a produzir quantidades enormes de produtos agrícolas de monocultura, enquanto qualquer resquício de indústria nacional (não que o Brasil jamais tenha tido uma burguesia industrial que não seja diretamente subjugada, senão diretamente comissária do imperialismo) é tirada de cena pela concorrência inescrupulosa do imperialismo europeu, especialmente alemão.

Embora de grande benefício para o imperialismo europeu de conjunto, o acordo terá, lá, efeitos variados em cada país. A Alemanha será, sem dúvidas, beneficiária máxima do tratado, escoando a produção de sua suntuosa e bem desenvolvida indústria automobilística em troca dos insumos agrícolas brasileiros. Não por menos, reserva uma posição "cautelosa" em se tratando do acordo, fazendo de tudo para que ele siga e seja ratificado, e que o agronegócio tenha carta branca para destruir o meio ambiente, contaminar nossa água e assassinar impunemente indígenas e trabalhadores no campo para garantir a produção barata de grãos para exportação.

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A França, por outro lado, vê ameaçadas suas exportações agrícolas para o resto da UE. Grande fornecedora do bloco, vê sua posição em risco, uma vez que o fim das tarifas de importação para produtos brasileiros tornaria mais barato comprar do Brasil do que da terra de Macron. O setor agropecuário francês já de tempos bate de frente com Macron, exigindo o bloqueio do acordo e a proteção de seus interesses comerciais. O movimento se assemelha àquele de concorrentes da produção de carne brasileira dentro do bloco europeu, que agora também buscam cinicamente usar a destruição de nossas matas como desculpa para banir as importações de carne do Brasil, favorecendo suas próprias condições comerciais.

Longe de representar qualquer preocupação com o meio ambiente ou o bem estar do planeta, o imperialismo francês, entre outros setores, agora conglomerados na reunião do G7 (grupo das sete maiores economias do mundo) que está às vésperas de começar na França, se movimentam para um embate com Bolsonaro e a corja do agronegócio brasileiro sobre quem tem direito de dizimar a floresta amazônica em nome de seus lucros pessoais.

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Longe de ser qualquer possibilidade de alternativa à sanha destruidora do capitalismo brasileiro, e especialmente do agronegócio bolsonarista, o imperialismo europeu mostra sua cara da maneira mais escancarada, engalfinhando-se sobre que setor terá direito de lucrar com a miséria e a exploração do Brasil. É por isso mesmo que, longe de ter confiança em qualquer um dos lados dessa batalha entre capitalistas pelo frutos do saque de nossas riquezas e de nosso trabalho, cabe aos trabalhadores tomarem para si um programa independente, que vá de frente aos interesses dos assassinos e criminosos ambientais do agronegócio brasileiro, e contra a submissão do país - inclusive do ramo agropecuário - aos interesses imperialistas! Essa luta passa, necessariamente, pela estatização imediata de todas as empresas imperialistas no país, como o cartel de venda de veneno agrícola Bayer-Monsanto, sob controle dos trabalhadores e sem nenhuma indenização, pondo à disposição dos trabalhadores seus bilionários recursos financeiros, logísticos e tecnológicos! Também passa pelo monopólio estatal do comércio exterior, permitindo que essas riquezas não sirvam apenas a um punhado de imperialistas e latifundiários!

Um programa operário e anticapitalista, que seria uma poderosa alavanca na luta para os trabalhadores de todo país tomarem em suas mãos a luta por uma reforma agrária radical, junto dos camponeses, quilombolas e povos originários para abolir essa herança colonial e escravocrata do latifúndio, e oferecer terra, crédito e tecnologias a todos que queiram trabalhar nela e ao mesmo tempo preservando o patrimônio natural da humanidade, promovendo a utilização racional e ambientalmente correta dos recursos naturais, de acordo com as necessidades humanas e do planeta!

Leia a declaração do Movimento Revolucionário de Trabalhadores sobre a Amazônia e a luta pela preservação ambiental contra as garras dos capitalistas! Amazônia: É preciso dar um basta à sanha predatória de Bolsonaro e dos capitalistas




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