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CORONAVÍRUS

Ministro defende volta às aulas sem considerar a vida da população

Durante entrevista do programa “Conversa com o Ministro”, lançado pela rádio do Ministério da Educação na quarta-feira 22, o atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou: “acho que vamos retomar as aulas em breve, nas próximas semanas, e com isso dá tempo sim de salvar o ano letivo.”

sábado 25 de abril| Edição do dia

Durante entrevista do programa “Conversa com o Ministro”, lançado pela rádio do Ministério da Educação na quarta-feira 22, o atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou: “acho que vamos retomar as aulas em breve, nas próximas semanas, e com isso dá tempo sim de salvar o ano letivo.”

Diante de mais uma afirmação que deixa claro o seu interesse e seu projeto de Educação, assim como tem Bolsonaro, em não respeitar, nem sequer as indicações da OMS de isolamento social, o Ministro segue forçando a volta da “normalidade” frente a falta crescente de leitos UTI para pacientes que apresentam os sintomas graves da covid-19.

Por fora da realidade e dos efeitos da covid-19 na vida da população, esta que segue sendo estruturalmente afetada e morrendo por conta dos efeitos do vírus- subiu hoje para 4.016 o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil, com 346 óbitos confirmados em 24 horas- e sem saber o cenário do vírus devido a subnotificação recorrente e sem testes massivos para a real averiguação dos casos de contaminação, o Ministério da Educação só demonstra o quanto não é sistematicamente voltado para contribuir com a retenção do avanço e com as necessidades voltadas a pandemia no Brasil, e segue conivente em manter-se baseado em interesses que estão por fora das necessidades de vida da população. Sendo assim, “salvar o ano letivo” em nome de quais vidas? Que ano letivo seria esse?

Em meio à pandemia, o governo Bolsonaro aprovou a MP 939 a qual retira, a obrigatoriedade das escolas cumprirem os 200 dias letivos este ano, mas mantém a obrigatoriedade do cumprimento da carga mínima anual de 800 horas no ano letivo para unidades de educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), como prevê a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Ainda assim, o texto da MP não detalhou como estados e municípios operarão para garantir a aplicação dos conteúdos. O que demonstra que na realidade “salvar o ano letivo” vem antes de salvar vidas que estão sendo tiradas pelo descaso acentuado para com a população frente à pandemia.

Essas 800 horas que deverão ser cumpridas, abre espaço para acontecer de forma a não considerar a realidades dos estudantes. Especialistas afirmam estarem preocupados com as possíveis atividades serem aplicadas como complementares, em finais de semana ou feriados, estender a educação em tempo integral, concluir o ano letivo em 2021, ou priorizar atividades de educação a distância.

Segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), os 27 estados do país suspenderam as aulas presenciais devido a pandemia do coronavírus. Tal suspensão, e os efeitos da pandemia, assim como afirma especialistas, terão frutos as condições de vida na população, dentre ela setores que fazem a educação existir, como estudantes, professores, administrativos etc. Consequências que recaem sobre os setores da população mais afetados, como os mais pobres em que em sua maioria são negros, mulheres e LGBTs. O que significa que separar a volta do ano letivo da atual condição de vida da população é descartar um ensino de qualidade (assim como já vinha fazendo o ministro) para essa população.

Com isso, fica mais uma vez evidente que os interesses dos grandes empresários (os tubarões da educação) não estão separados do projeto de Weintraub, Bolsonaro, governadores e todos os outros responsáveis por todas as mortes que poderiam estar sendo evitadas e que seguem não concretizando medidas na realidade para que esse curso não continue. Portanto, nenhuma saída colocada por tais setores deve ser levada em diante. Apenas os professores e estudantes em conjunto com o restante da classe trabalhadora se organizando independentemente de tais interesses, poderá construir uma saída que de fato esteja voltada para suas necessidades. Por isso, é necessário que desde já em cada CA, DCE, entidades estudantis, centrais sindicais, sindicatos, estejam sendo realizados debates e construção da luta para organizar tamanha resposta, exigindo desde medidas emergenciais frente a necessidade de testes massivos, EPI’s até uma saída que seja imposta pelos trabalhadores em que a educação sirva sim para atender os interesses dos trabalhadores de todo o mundo.




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