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VIOLÊNCIA RIO DE JANEIRO

Menino Benjamin, de 1 ano e 7 meses, é mais uma vítima da polícia no Rio

Benjamin tinha apenas 1 ano e 7 meses e foi mais uma vítima da militarização e violência do Rio de Janeiro. Sua família que não tinha dinheiro para sepulta-lo, sequer contou com alguma ajuda do estado.

segunda-feira 19 de março| Edição do dia

Benjamin tinha apenas 1 ano e 7 meses e foi mais uma vítima da militarização e violência do Rio de Janeiro. Estava no carrinho de bebê, enquanto sua mãe comprava um algodão doce. A bala “perdida” rapidamente achou mais uma vítima. Foi morto com um tiro na cabeça na sexta-feira, dia 16 de março.

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Tinha apenas 1 ano e 7 meses, é preciso lembrar. Nessa idade os sonhos são mais simples, um pedaço de algodão doce é o mundo. Mas não deu tempo nem do algodão, nem da vida toda. Mais três pessoas morreram e outras sete ficaram feridas.

O pai de Benjamin, o gesseiro Fábio Antônio da Silva, de 38 anos, em meio aos prantos, não teve tempo ao luto. Era preciso enterrar Benjamin, mas não tinha dinheiro. O serviço funerário custava mais de 2 mil reais. Fábio está desempregado desde 2015 e trabalha com bicos no que pode.

“Pedi uma ajuda à Prefeitura de Niterói, cidade onde moro, porque não estou com recursos para enterrar meu filho. Funerárias me ofereceram o serviço por R$ 2.300, R$ 1.500. Vou tirar esse dinheiro da onde? Sou um cara desempregado, com dez filhos para criar.”

Fabio recorreu a amigos, parentes e pessoas comovidas com a morte de Benjamin. Não bastasse a miséria e o desemprego, as mãos frias do estado sequer se importam com as suas vítimas. A intervenção federal vai custar bilhões aos cofres públicos. Mas nenhum centavo é para sequer enterrar suas vítimas, é para fazer novas.

A violência no Rio deixa um rastro de sangue difícil de esquecer. De Benjamin a Maria Eduarda, não importa a idade nem os sonhos. “O paraíso do Rio de Janeiro é para poucos” bem afirmou o pai de Benjamin.

Há apenas dois dias da execução brutal de Marielle, é preciso gritar mais alto: Foi o ESTADO! Basta de assassinar o povo negro nas favelas e morros! Abaixo a polícia! Fora tropas do Rio!




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