Política

REPRESSÃO

Marchezan reprime ambulantes e confisca 1,5 toneladas de alimentos em Porto Alegre

A notícia é um escândalo. Não bastando a pandemia, Marchezan coordena, nesta sexta (24), a maior operação de apreensão de mercadorias dos últimos três anos em Porto Alegre. Foram 7 mil produtos e 1,5 mil toneladas de alimentos confiscados pela Prefeitura, de acordo com seu site.

sexta-feira 24 de julho| Edição do dia

Quem passa pelas ruas do centro da capital gaúcha conhece o tamanho deste comércio. São centenas de famílias que tem o seu sustento garantido pelo comércio de rua. É um resultado direto da crise econômica do Estado e da cidade. Além disso, boa parte desses comerciantes são imigrantes. Porto Alegre faz parte da estatística das cidades que batem recordes de pedido de seguro desemprego. Além disso, cerca de 30% de toda a população da cidade solicitou o auxílio de R$ 600 do governo federal.

Para Marchezan e seus aliados, o mais importante é garantir os grandes lucros dos capitalistas, donos das grandes redes de mercado, por exemplo. Esses que, com a pandemia e o fechamento de mercados menores, aumentam os seus lucros com um poder de monopólio. O comércio de rua é conhecido por ter um preço menor, atraindo a população mais pobre e trabalhadora que passa pela região e competindo com os preços dos grandes mercados. Para Marchezan eles são inimigos. Por isso, utilizou a força repressiva da Guarda Municipal para garantir a operação. Essa polícia que, mesmo não sendo militarizada, cumpre o papel de reprimir os trabalhadores e o povo pobre, protegendo a propriedade privada e seus lucros.

Alguns ambulantes protestaram jogando um container de lixo entre a Av. Borges de Medeiros e a Salgado Filho e atendo fogo. Logo foi possível ouvir as sirenes dos bombeiros e da Brigada Militar, ambos de prontidão para garantir mais um episódio de repressão brutal. Após garantir a apreensão dos produtos pela força, alegam que os produtos podem ser recuperados no depósito da SMDE (Diretoria de Fiscalização), mediante pagamento de multa e comprovação de procedência. Entretanto, sem poder vender seus produtos, fica ainda mais difícil pagar uma multa. Isso sem contar a quantidade de alimentos que se perdem.

Marchezan disse que “precisamos garantir que todos os segmentos da sociedade se conscientizem e estejam de acordo com as regras, especialmente no atual contexto, ainda mais difícil e desafiador”. O contexto "ainda mais difícil e desafiador" é o que passam os trabalhadores e o povo pobre desse país, que vivem em um país que tem mais desempregados do que empregados e veem o sistema de saúde público, já sucateado por pessoas da laia de Marchezan, colapsando.

A venda de alimentos é tido como um serviço essencial. Embora muita coisa tenha sido definida como "essencial" em nosso tempo, as pessoas precisam comprar alimentos. Essa medida faz com que os grandes mercados sejam, cada vez mais, a opção por "regra", forçando os trabalhadores a pagar mais caro e jogando outros ainda mais na miséria. Por isso, defendemos a necessidade de lutar para que os capitalistas paguem pela crise

Leia também nosso Editorial: Entre a pandemia, o desemprego e os ataques: lutar para que os capitalistas paguem pela crise




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