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Mais de 1500 em assembleia na UFMG: uma só luta contra os cortes e a reforma de Bolsonaro

Os estudantes da UFMG decidiram, em assembleia na última quinta-feira (9) aderir à paralisação nacional da educação no próximo dia 15. É preciso coordenar nossa luta com outras federais e massificar com todas as categorias de trabalhadores.

segunda-feira 13 de maio| Edição do dia

Mostrou-se uma imensa disposição de luta para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro, ao lado das dezenas de milhares de estudantes que já se mobilizam pelo país. Além da assembleia geral dos estudantes, seguida de ato, ao menos 6 assembleias de curso/prédio já haviam acontecido, todas sendo favoráveis à adesão na paralisação nacional da educação no próximo dia 15. A Biologia, o Instituto de Ciências Exatas, a Escola de Engenharia, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, dentre outros, já têm assembleias marcadas nos dias 13 e 14. A UFMG se soma às universidades e institutos federais pelo país cujo movimento estudantil se levanta contra Bolsonaro.

É visível o forte rechaço da juventude, em todo o país, aos ataques do governo às universidades, com anúncio de cortes em filosofia e sociologia além da alegação de “balbúrdia” para justificar um corte de 30% em todas as universidades e institutos federais. Na UFMG não foi menor o repúdio à reforma da previdência, mostrando que a chantagem que Bolsonaro faz quando diz que reverterá os ataques às universidades se a reforma da previdência passar não foi tolerada.

Mas parte das centrais sindicais, preocupadas com seus próprios interesses de sobrevivência e ligadas a políticos de direita, como a Força Sindical de Paulinho da Força (do partido Solidariedade), já anunciou disposição a entregar a luta e negociar com Bolsonaro de forma semelhante a governadores do PT que, em carta, anunciaram apoio a uma reforma da previdência. O mesmo PT dirige e paralisa a maior central sindical do país (CUT, Central Única dos Trabalhadores) e, junto ao PCdoB, dirige a UNE (União Nacional dos Estudantes). PCdoB, que apoiou Rodrigo Maia na Câmara e que agora pode estar negociando a aprovação da Reforma da Previdência em troca da retirada de ataques aos sindicatos com este golpista, já que também dirige a CTB, Central dos Trabalhadores Brasileiros.

Reitorias e diretorias acadêmicas sempre geriram a crise transformando-a em cortes na assistência estudantil, nas bolsas e em demissão dos trabalhadores terceirizados, sem tocar em seus próprios privilégios, mas agora eles são colocados em risco pelos ataques de Bolsonaro. Portanto é crucial que a reitoria da UFMG, que tem se posicionado contra os cortes nas universidades, se posicione também contra a reforma da previdência.

As burocracias sindicais, estudantis e acadêmicas já atuam de forma a não explorar de forma potente a enorme disposição de luta que a juventude demonstra nas federais e que têm demonstrado esse ano os trabalhadores da educação. O dia 15 já deveria ser um dia de greve geral, com todas as categorias em luta, e só não é assim porque as centrais sindicais já estão dividindo as lutas e deixando os estudantes e trabalhadores da educação lutarem sozinhos. O dia 14/6, daqui a mais de um mês, já indica não ser construído por essas direções como deveria, tendo em vista que, se negociam com o governo, jamais mobilizarão sua base contra ele.

A UNE tem em sua direção correntes (Levante Popular da Juventude, Kizomba/PT e UJS/PCdoB) que preferem confiar nessas negociações em detrimento de confiar no movimento estudantil aliado aos trabalhadores, e a prova disso é que adiaram o congresso dessa entidade – 57º Conune, o primeiro no governo Bolsonaro – para dias úteis em fim de semestre, quando será impossível a participação da maioria da juventude. Uma política consciente de esvaziamento de um fórum de estudantes para garantir seu controle sobre a oposição ao governo Bolsonaro, sob um programa e uma estratégia que só podem levar a derrotas.

O DCE UFMG infelizmente tem seguido a mesma política em relação ao Conune, pois todo o processo de preparação deste congresso tem sido feito pelas costas dos estudantes, com direito a barreiras para dificultar a participação daqueles que quiserem disputar suas ideias em um congresso nacional de estudantes.

Saiba mais em: Bolsonaro quer destruir as universidades, mas DCE UFMG prepara o Conune pelas costas dos estudantes

Também chama a atenção que, em uma das maiores assembleias do país, onde se concentraram estudantes com visível disposição de enfrentamento ao governo e que buscavam ali contribuir e refletir formas de transformar em força toda sua indignação, o DCE UFMG tenha separado praticamente todo o tempo para as saudações (algumas vindas de setores das burocracias aqui citadas) e quase nenhum para os estudantes expressarem suas ideias e decidirem o caminho da luta. Atitudes como essa deseducam o movimento estudantil justamente em um momento que exige extrema articulação e organização, pois impede que os estudantes expressem sua potencialidade enquanto sujeitos políticos que são parte de construir a orientação de toda a mobilização.

Por isso, todas as formas de auto-organização dos estudantes em aliança com os trabalhadores, como assembleias, conselhos, comitês serão necessários, mas não como espaços para receber orientações e segui-las. Defendemos a criação de uma coordenação nacional, com delegados eleitos na base em cada local em luta, revogáveis a qualquer momento, para criar uma direção que responda diretamente aos interesses dos estudantes mobilizados, que possa organizar a luta com independência das burocracias e exigir das direções tradicionais que mobilizem suas bases para derrotar o governo Bolsonaro. O PSOL deveria usar os mandatos de seus parlamentares e toda sua projeção na juventude, para impulsionar e exigir da UNE e das entidades estudantis a criação dessa coordenação. Chamamos o DCE UFMG para, além de se juntar a essa exigência, ser o articulador de espaços totalmente democráticos de discussão e eleição de delegados.

Chamamos a todos os estudantes que neste momento lutam em defesa das universidades e contra a reforma da previdência para defender uma alternativa à crise. Se Bolsonaro diz que é preciso abrir espaço para a iniciativa privada ou fechar universidades ou nos impedir de nos aposentar, lutemos pelo não pagamento da dívida pública, que é uma “bolsa banqueiro” e o maior mecanismo de subordinação do Brasil ao imperialismo. O próprio Bolsonaro justificou os cortes na educação na semana passada dizendo que “é que não temos como pagar as dívidas que o Brasil tem, por isso esse contingenciamento”.

Essa dívida equivale, anualmente, ao orçamento de mais de 500 universidades como a UFMG, que poderiam matricular a juventude impedida disto pelo filtro social e racial do vestibular; não apenas manter o emprego de milhares de trabalhadores, mas também efetivar todos os terceirizados sem concurso público (conforme também foi deliberado para constar em carta dos estudantes da UFMG sobre a demissão de terceirizados por ampla maioria na assembleia geral); acabar com todos os convênios que a reitoria mantém com empresas privadas que lucram sobre nossas costas, destinando verba para toda a demanda de assistência estudantil e colocando-a sob gestão dos estudantes. Convidamos aos estudantes que acreditam que nosso futuro não se negocia e que nossa luta é uma só para defender essas ideias com a Faísca e o Pão e Rosas nas atividades do dia 15 e nas atividades de seus cursos.

Leia também: 15M: uma só luta contra os cortes de Bolsonaro e a Reforma da Previdência




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