Política

JULGAMENTO DO LULA

Maioria que votou pela prisão de Lula no STF foram indicados no governo Dilma

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

quinta-feira 5 de abril| Edição do dia

Parte importante e fundamental dos votos dados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal contra o habeas corpus do ex-presidente Lula foram indicados pelo próprio governo do PT, que agora se voltam não somente contra este mesmo partido, mas principalmente contra o elementar direito da população votar em quem quiser.

Dos 5 votantes até o fechamento deste artigo, 4 deles foram indicados pelo governo do PT. Os votos contra o habeas corpus foram dados até o momento por Fachin, Moraes, Barroso, Weber e Fux.

- Edson Fachin, nomeado por Dilma em junho de 2015, foi o responsável por arquivar citações que apontavam Aécio Neves envolvido em corrupção é grande defensor de Aécio Neves mas também chegou a, em 2010, assinar um manifesto em defesa do direito do então presidente Lula de opinar sobre as eleições. Hoje votou contra o direito da população votar em quem quiser e pela prisão do mesmo.

- Luís Roberto Barroso, nomeado ministro do STF por Dilma em junho de 2013, votou por Lula preso dizendo que “estamos em um momento de refundação do país”, como pode ser visto neste artigo. Chegou a dizer sobre o julgamento do mensalão que o posicionamento do STF foi mais duro do que costumava ser em decisões penais, sendo "um ponto fora da curva", mas parece que o ponto tomou conta de tudo agora para ele. Vale lembrar também que foi ele que em dezembro de 2015 apresentou o voto pelo rito do impeachment, que foi seguido pela maioria da Corte.

- Rosa Weber, nomeada por Dilma em dezembro de 2011, mas já havia sido indicada para o TST pelo próprio Lula em 2005. É ministra também do Tribunal Superior Eleitoral. Responsável pelo arquivamento da investigação de José Serra na Lava-Jato, e que teve Sérgio Moro como seu auxiliar durante o julgamento do Mensalão, Weber deferiu seu voto hoje pela prisão de Lula, o que pode ter surpreendido o PT e quem confiou na “institucionalidade” para passivamente frear o avanço do golpismo no país, como é possível ler aqui.

- Luiz Fux, nomeado por Dilma em março de 2011, também votou pela prisão de Lula. Defensor número um dos privilégios e luxos de um dos judiciário mais ricos do mundo, não pensou duas vezes em votar pela continuidade do golpe hoje. Em 2011, questionado sobre o referendo do desarmamento em 2005 disse “Eu acho que o povo votou errado”, afirmação interpretada como uma afronta do magistrado ao chamado “sistema democrático brasileiro”.

- Alexandre de Moraes, este já indicado por Temer (em tempo: ex-vice presidente de Dilma), justificou a arbitrariedade da justiça votando pela autorização da prisão de Lula, dizendo que "direitos fundamentais são relativos", como podem ver neste link.

O próprio PT que em seus governos abriu espaço para o crescimento da direita, agora tem ela com a arma apontada na sua cabeça e atacando todos os direitos democráticos da população: do impeachment de Dilma saqueando os votos de mais de 54 milhões de pessoas, até agora com a possível prisão de Lula, ficando evidente, que ele mesmo abriu espaço pra direita.

Nomeou um Supremo Tribunal Federal que orquestrou o golpe, garantiu a continuidade da impunidade dos militares em seus governos com a Lei da Anistia e seu fortalecimento os colocando como árbitros da política nacional (como estão fazendo agora), fortaleceu a bancada da bala e a bancada evangélica, sempre trocando os direitos da população na busca desenfreada pela manutenção do capitalismo.

A conciliação do PT com estes setores, esta conciliação de classes, é repetida até os dias de hoje frente a negativa do PT de organizar uma resposta consequente da classe trabalhadora na luta contra a retirada dos direitos democráticos da população. Hoje não só o PT pode pagar caro tendo seu principal candidato à presidência preso de forma arbitrária, mas principalmente a população pobre e os trabalhadores que podem ter mais um direito roubado pelo Judiciário e pela direita do país, o direito a votar em quem quiser.

FOTO: UOL; Rosa Weber e Barroso do STF




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