Educação

GREVE UNICAMP

MBL e seu espetáculo ridículo na Unicamp: O que querem?

Tatiane Lima

UNICAMP

segunda-feira 6 de junho de 2016| Edição do dia

Neste final de semana o Movimento Brasil Livre (MBL) armou um pequeno espetáculo do ridículo na Unicamp. Vieram com seus gatos pingados e removedores de tinta, em nome da “neutralidade” arbitrar contra o direito de expressão política na Universidade, apagando pichações contra o golpe. A nós não deve surpreender, essa organização de jovens golpistinhas, financiada pelo PSDB, PMDB e companhia, representa o completo oposto de nossa luta por cotas, permanência e contra os cortes que querem acabar com a Universidade pública e torna-la ainda mais elitista, são inimigos em nossa luta contra o governo golpista de Temer e seus ataques aos trabalhadores e jovens.

O que quer a mídia dando repercussão para um grupelho com menos de uma dezena de pessoas?

Estranhamente, a mídia preferiu dar um destaque desproporcional à alguns poucos, do que assembleias de centenas e milhares de estudantes que inúmeras vezes vieram se posicionando a favor da greve, paralisações e contra o governo golpista de Michel Temer. Medicina, Engenharia Mecânica, entre dezenas de outros institutos já fizeram ações nesse sentido. Esses setores da mídia chegaram ao cúmulo de se utilizar de uma foto da greve de trabalhadores e de uma reunião sobre cotas no Instituo de Filosofia e Ciência Humanas, com o título relacionado aos direitistas do MBL e do seu braço na universidade, Unicamp Livre. Um show de manipulação e distorção! É evidente que seus objetivos são: primeiro disputar a opinião pública dizendo que “existem estudantes” que são contra o golpe, já que a mobilização massiva de estudantes, conjunta com trabalhadores e professores é declaradamente contra o golpe institucional que ocorreu no Brasil. Além disso, a partir de um factoide, buscar através dessa expressão midiática novos adeptos do grupelho. O tiro parece ter saído pela culatra já que a ação sofreu um grande rechaço dos estudantes, como no Instituo de Economia que votaram fazer uma intervenção com os dizeres de “golpista”, na placa que homenageia José Serra no instituto.

Por que os adeptos da “limpeza” não se importaram com as pichações racistas e LGBTfóbicas na Unicamp?

Fato que ganhou grande repercussão nas mídias foram as pichações racistas e LGBTfóbicas feitas na universidade. O cunho reacionário e opressivo dessas pichações não incomodaram o grupelho de golpistas. O alvo direcionado contra duas pichações contra Temer colocam a prova qualquer dúvida acerca desse grupo: defender os racistas, misóginos, machistas, LGBTfóbicos do atual governo golpista.

A falsa neutralidade contra o discurso político

Parte do discurso dos visitantes golpistas era de que em nome da neutralidade é preciso acabar com o “discurso político” nas Universidades, que seria correto portanto suprimir e arbitrar sobre a expressão política opositora, ora, esse discurso de neutralidade que cala outras ideias não é nada novo, lutamos contra sua dominação durante a ditadura, não nos enganamos novamente.

A falsa neutralidade também se relaciona com seu projeto político para a Universidade. Nossa luta pelas cotas para garantir que jovens negros tenham acesso a Universidade, por permanência estudantil para possibilitar que os poucos pobres que furam o filtro do vestibular possam se manter estudando, contra os cortes que precarizam a educação afim de sucateá-la para abrir espaço à privatização, vai de encontro com o projeto privatista de ensino que quer o MBL e seus amigos golpistas do Conselho Universitário por exemplo, como a FIESP, a mesma que garantiu marmitas gourmet para os revoltados da paulista durante os atos pelo impeachment de Dilma, ou mesmo seus amigos da mídia que fizeram grande questão de dar visibilidade ao espetáculo ridículo, a mesma que ataca a greve dos trabalhadores e estudantes das Universidades paulistas fazendo propostas “super novas” como o pagamento de mensalidades, claro.

Inimigos unificados contra a saúde e educação

O MBL foi parte ativa do golpe institucional orquestrado pelo partido judiciário dos privilégios e sua Operação Lava Jato do imperialismo, seus objetivos finais estão se aprofundando e aparecem em cada medida de ataque contra os direitos sociais dos jovens e trabalhadores e aqui em São Paulo, Alckmin, um representante autentico da cara tucana do governo golpista, não mede esforços para atacar a educação e saúde públicas, tendo já começado ano passado na tentativa de fechar escolas, quando foi derrotado pelos secundaristas, e segue avançando agora com seu antigo e insistente plano privatista para as Estaduais Paulistas junto aos excelentíssimos REItores, avançando no desmonte, congelamento de contratações, não valorização dos funcionários, atacando os Hospitais Universitários e a permanência estudantil.

Se é verdade que os inimigos se unificaram nacionalmente ao redor do golpe e seguem avançando em seus objetivos de atacar para que a crise seja paga pela população trabalhadora e a juventude, também é verdade que cada luta de resistência em defesa dos direitos públicos, como saúde, educação, precisa se coordenar politicamente. Articular as lutas em curso para levantar um movimento nacional contra os ataques dos governos e em combate direto ao Temer golpista é uma tarefa das mobilizações em curso, e a visita desagradável do MBL na Unicamp reforça essa necessidade.




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