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MANIFESTO UNICAMP: Vivência com arte e cultura, contra a universidade-empresa de Bolsonaro e Dória!

Desde de sua campanha, Bolsonaro se utiliza de um discurso ultra reacionário e moralista contra os espaços da juventude. Queremos vivência, arte, debate e política por toda parte! Assim acreditamos que nós estudantes estaremos mais fortalecidos contra todos os ataques políticos, econômicos e ideológicos da extrema direita.

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quarta-feira 4 de setembro| Edição do dia

Manifesto Unicamp: Pela retomada dos espaços dos estudantes com arte, cultura e política, contra a universidade-empresa de Bolsonaro e Dória

Desde de sua campanha, Bolsonaro se utiliza de um discurso ultra reacionário e moralista contra os espaços da juventude. "Balbúrdia", "ninho de rato", e que quer "uma garotada que não se interesse por política", é o que diz sobre a universidade e nossos espaços de vivência. Essa hostilidade de Bolsonaro contra a vivência na universidade não é ao acaso, ele sabe que os estudantes são os que mais se opõe ao futuro de desemprego, precarização e repressão que seu governo quer nos impor. Agora com o Future-se de Weintraub e os milionários cortes nas bolsas de pesquisa, os ataques aos espaços culturais e políticos dos estudantes passam a servir também a implementação de um modelo privatista de universidade. Através do Future-se, o governo Bolsonaro quer submeter a universidade a uma lógica produtivista empresarial, implementando mecanismos de controle que subordinam a pesquisa ao interesse privado. Para implementar este modelo produtivista sem oposição, a supressão da atividade cultural e política dos estudantes é uma necessidade do governo.

Para se contrapor a esse projeto, nós levantamos a ideia de um movimento estudantil que ouse construir iniciativas de vivência na Unicamp, defendendo toda liberdade sexual, cultural e artística contra o obscurantismo e o reacionarismo da extrema direita.

Festas, saraus, feijoadas, intervenções artísticas, espaços que historicamente promovem integração e debate político, estão cada vez mais raros na Unicamp. Assim a vivência universitária é excluída do espaço público e passa a se restringir à esfera privada, e consequentemente a quem possa pagar por ela, limitando o acesso da juventude pobre. Isso se deve por conta da liminar do judiciário que proíbe abertamente festas dentro da Unicamp e também à política repressora que vieram levando as reitorias, fechando cantinas, e colocando as guardas para controlar iniciativas de vivência dos estudantes.

Nossa formação na universidade não está apenas nas salas de aula e nas bibliotecas, mas também nos espaços que os próprios estudantes criam para debater, se divertir, e se expressar livremente. Queremos espaços coletivos que promovam nossa integração, ainda mais num momento de aumento do número de jovens com doenças psicológicas. Lutamos contra a lógica de universidade-empresa que quer impor o produtivismo para colocar nosso conhecimento a serviço das empresas, e que agora se aprofunda ainda mais com projetos como o Future-se e todos os ataques à educação. Este embate é ainda mais necessário frente aos incêndios na Amazônia, causados pela exploração predatória dos capitalistas do agronegócio: queremos que o conhecimento produzido na universidade sirva a nossos ecossistemas e não aos lucros do agronegócio!

Se a reitoria diz defender a universidade pública das mãos de Bolsonaro, é muito contraditório que reprima espaços do movimento estudantil. Por isso fazemos esse manifesto. Retomar a vivência é parte de fortalecer a auto-organização dos estudantes e financiar entidades de base, como Centros Acadêmicos e o DCE, combatendo a lógica rotineira, que enfraquece nossas reuniões e assembleias e as restringe como únicos espaços do movimento estudantil. Revigorar esses espaços é fundamental nesse momento de cortes e ataques e ter outros espaços de socialização do movimento estudantil é parte de fortalecer as entidade e a auto-organização dos estudantes. Nós acreditamos que podemos e necessitamos ir por mais, por isso chamamos todos - especialmente as entidades que representam os estudantes, como o nosso DCE e também o Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH)-, a defender iniciativas dos estudantes que promovam vivência no campus, dando espaço à ideias subversivas da juventude onde os artistas possam se apresentar, que sejam seguros e livres para mulheres, negros e lgbts. Queremos que estes sejam espaços abertos e gratuitos também a toda a juventude fora da universidade, para que ela também se conecte a universidade pública. Queremos vivência, arte, debate e política por toda parte! Assim acreditamos que estaremos mais fortalecidos contra todos os ataques políticos, econômicos e ideológicos da extrema direita.




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