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MONOTRILHO SP

Linha 15 do Monotrilho tem problemas estruturais que impedem seu funcionamento pleno

Com atraso de quase 10 anos na entrega total da linha, o Monotrilho que deveria operar desde 2012 entre as estações Vila Prudente e Tiradentes, hoje opera de forma parcial. A promessa do Governo Doria era entregar a estação São Mateus no mês de dezembro de 2019, porém a inauguração foi feita de forma precária, com a linha funcionando entre Jardim Planalto e São Mateus em horário reduzido, das 9h as 16h.

sexta-feira 3 de janeiro| Edição do dia

O atraso na entrega do Monotrilho e as trapalhadas promovidas pelo Governo Doria em sua lógica privatista, causam muitos transtornos a população. Ao leiloar por um preço muito baixo, 169 milhões, uma linha que custou 5 bilhões na sua construção, leilão "ganho" pelo consórcio CCR, mas que por problemas operacionais, de corrupção dentro do consórcio e atraso na assinatura do contrato, foi cancelado pela justiça, Doria mostra que a eficiência de sua gestão é uma falácia.

O Monotrilho é usado habitualmente em outros países como um transporte de turismo, ou em regiões de baixa densidade populacional, não para um transporte de massas como é previsto na linha 15, com estimativas que podem chegar a 400 mil usuários por dia usando o sistema. Isso causa diversos problemas na adaptação de um sistema projetado inicialmente para andar vazio,mas que aqui no Brasil irá andar lotado.

O recente problema que está fazendo a linha funcionar de forma parcial nos primeiros dias de 2020 é produto de uma falha em um equipamento de via chamado Finger Plate. Esse equipamento é uma placa de metal afixada nas vigas de concreto para evitar a dilatação. Os parafusos que fixam esse equipamento nas vigas, acabam se soltando com o passar do trem em cima deles. Esse é um problema estrutural da linha, pois o trem passa em cima dos equipamentos de via, com uma trepidação forte, causando esse deslocamento dos parafusos.

Diferente das outras linhas, na linha 15 o trem passa em cima dos equipamentos de via, em outros lugares do Metrô passa ao lado da maioria dos equipamentos, isso causa um desgaste maior, provocando falhas pela repetição da passagem do trem lotado em cima desses equipamentos. Essa é uma especificidade da linha 15 que não existe em outros lugares do Metrô, fruto de um projeto de linha que é feita para rodar em locais com baixa densidade populacional, mas que o governo de São Paulo resolveu construir em uma região com alta densidade.

É preciso dizer que esse projeto da linha 15 feito de forma atropelada e sem o devido planejamento, é fruto da política de privatização do PSDB em SP. Pois a decisão de construir o Monotrilho ao invés do Metrô tradicional na região, se deu por conta do Monotrilho ser originalmente um sistema que necessita de poucos funcionários para ser operado, facilitando sua venda para iniciativa privada, que teria lucros maiores sem precisar contratar muitos funcionários.

Porém o Monotrilho com poucos funcionários, funciona onde ele opera como trasporte de turismo ou com baixa densidade populacional, nem operador de trem o sistema é projetado para ter. Aqui no Brasil com a densidade populacional da zona leste, é muito perigoso deixar o sistema com poucos funcionários, principalmente sem o operador de trem dentro das composições. É preciso estar atento ao projeto do Governo e da direção do Metrô, pois eles querem tirar os operadores de trem das composições e trabalhar com o mínimo de funcionários nas estações, o que vai prejudicar o atendimento a população e principalmente a segurança do sistema, lembrando que em todo o Metrô o operador de trem é mais uma camada de segurança dentro do sistema, o que na linha 15 seria retirada.

Mais uma vez a privatização é colocada na frente da segurança e da mobilidade da população. Em nome do lucro fizeram uma linha que não sabemos como vai se comportar com o número de passageiros que irá trasportar. A eficiência do governo Doria se mostra nos problemas da linha 15, uma eficiência que só serve aos lucros dos empresários amigos em detrimento da necessidade de locomoção da população de São Paulo.




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