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J&F dos irmãos Batista pagará metade da multa, mesmo tendo comprado um terço do Congresso

Na prática, multa da J&F pode ser metade da acertada em acordo de leniência, enquanto isso querem aprovar reformas e obrigar a maioria da população a trabalhar até morrer, em condições precárias e sem direitos.

terça-feira 6 de junho| Edição do dia

Enquanto Wesley Batista, um dos donos do grupo que controla as ações da J&F, recebeu o completo perdão da justiça e a permissão para morar em seu apartamento de R$ 30 milhões nos EUA, as condições do acordo de leniência entre a empresa e o Ministério Público Federal (MPF) significam, na prática, uma redução do valor real pela metade. Com aplicações seguras em títulos do Tesouro Nacional, a companhia consegue não apenas cobrir toda a correção da multa - que foi indexada apenas pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) -, como ter ganhos financeiros com juros.

Cálculo feito pela equipe de analistas dos gestores de recursos Quantitas mostra que, com R$ 5,158 bilhões aplicados em NTN-B - título pós-fixado do Tesouro que garante uma taxa de remuneração mais a variação do IPCA -, o grupo consegue garantir os fluxos de pagamento da dívida nos próximos 25 anos, prazo acertado com o MPF. Ou seja, na prática, o acordo de R$ 10,3 bilhões representa um comprometimento de caixa de pouco mais de R$ 5 bilhões, ou metade do valor negociado com os procuradores.

"Se o tesoureiro da J&F quiser se proteger, basta comprar NTN-B", diz Wagner Salaverry, analista da Quantitas. A conta realizada pela gestora considera as condições finais do acordo, cujo fluxo de pagamento da multa começa com cinco parcelas semestrais de R$ 50 milhões cada, sendo a primeira em dezembro.

A partir de 2020, o pagamento da dívida passa a se dar em prestações anuais, num total de mais 22 parcelas, com amortização do principal de 456,82 milhões a cada ano. O cálculo leva em conta os juros reais oferecidos pelo papel com vencimento em 2040, na última sexta-feira: 5,68%. A correção pela NTN-B considera a expectativa atual do mercado financeiro para a inflação, bem como embute um prêmio de risco.

A definição do IPCA como indexador da multa tem sido alvo de questionamentos no mercado por permitir, junto com o prazo alongado, a redução brutal, a valor presente, dos R$ 10,3 bilhões cobrados.

Na prática, a J&F não precisa reservar hoje do caixa todo esse montante para pagar a punição, o que seria diferente se o indexador escolhido fosse a Selic, a exemplo do acordo de leniência fechado com a Odebrecht. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Enquanto o judiciário e a Lava-Jato deixam livres e impunes os grandes empresários e os políticos corruptos, em uma atitude autoritária e totalmente seletiva, mantém 40% dos presos do país sem julgamento, presos que em sua maioria negros, assim como Rafael Braga que foi condenado injustamente há onze anos de prisão por portar pinho sol. São inúmeras as demonstrações do caráter racista e seletivo do judiciário e da justiça burguesa, que serva apenas para a manutenção a ordem capitalistas, mantem impune os grandes empresários e as empresas corruptas. Enquanto trabalham para colocar o poder nas mãos daqueles que melhor podem aplicar as duras reformas contra os trabalhadores e a juventude, nos obrigando a trabalhar até morrer, sem nenhum direito e de forma absolutamente precária.

Precisamos construir em cada local de trabalho nossos comitês que estejam lotados de trabalhadores discutindo como fazer parar tudo nesse dia 30 de junho, exigindo dos sindicatos que convoquem assembleias, organizando ações e exemplos que incentivem outros trabalhadores a tomar a linha de frente da construção dessa luta. Seja com panfletagens, colagem de cartazes, conversas com familiares e amigos, cada dia é muito importante para colocar de pé essa luta história e fundamental. Construindo uma greve geral muito maior do que as anteriores, onde a força da nossa classe possa fazer a diferença para dar uma resposta política a toda a crise que o pais está imerso, fazendo com que seja esses capitalistas corruptos que paguem pela crise que eles mesmos criaram.

Com informações da agência do Estado




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