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AUTORITARISMO

Inimigo dos trabalhadores: TST ataca direito de greve anunciando que cortará salários

Julgamento realizado ontem no TST decide que greve de funcionários públicos terá corte de ponto por todos os dias parados, retirando o direito de greve dos trabalhadores para defenderem suas vidas e os serviços públicos que atendem a grande maioria da população trabalhadora e pobre. Medida escancara decisão do judiciário de ajudar a garantir os ataques do Governo Bolsonaro.

quarta-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Vide Aguiar/Futura Press

Após escandalosa decisão do mesmo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de proibir qualquer greve contra as privatizações anunciadas pelo Governo Federal do Bolsonaro, que visam entregar os serviços e recursos estratégicos do Brasil para os grandes empresários imperialistas, causando crimes como o de Mariana e agora Brumadinho que escancaram que a vida do nosso povo não tem a menor importância frente a sede de lucros dos mesmos, agora o judiciário generaliza o ataque ao direito de greve de todos os funcionários públicos. No caso das privatizações, alegaram que seriam greves políticas e que somente o Governo pode decidir sobre isso. Insinuando que, assim como
declararam que política não é pra mulher, política não é para nenhum trabalhador, somente para os empresários e capitalistas que querem que trabalhemos até morrer.

Encabeçada pelo relator e reacionário presidente do TST Ives Granda, o primeiro a afirmar que agora os trabalhadores devem escolher entre emprego ou direitos, a decisão altera a legislação construída nas últimas décadas, que já previa um ataque a greves longas determinando que metade dos dias parados deveriam ser descontados, para garantir que todos os dias sejam descontados dos salários, ou seja, que se lutar os trabalhadores ficarão sem sustento para suas famílias. A decisão foi apoiada na avaliação da greve de 60 dias realizada pelos servidores da USP em 2016, onde o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que servidores estatutários que fizessem greve teriam todos os dias descontados. Os ministros do TST decidiram por levar essa medida até as últimas consequências incluindo também os servidores celetistas.

Não é uma novidade que o judiciário como um todo vem atuando como linha auxiliar da direita mais reacionária, desde o golpe institucional do qual foram protagonistas, a prisão arbitrária de Lula, a criminalização das manifestações e agora com o pacote de Moro que visa assinar em massa a juventude negra pra calar toda a revolta social que vem aumentando por parte dos mais afetados com a crise econômica e política do país. Agora, com as tramitações para a votação da Reforma da Previdência em curso querem atacar a possibilidade de lutar dos trabalhadores públicos, para que aceitem calados que vão trabalhar até morrer.

Trata-se de um ataque histórico ao direito de fazer greve para nos impedir de tomar um rumos políticos do país com nossa enorme força, para deixar reféns desses parlamentos corrompidos e que governam pros empresários. As centrais sindicam, que vem assistindo as barbaridades que estão acontecendo nesse governo de mãos atadas, que preferem, como a CUT, sentar com o militar reacionário Mourão ao invés de chamar um plano de lutas real e nacional de todos os trabalhadores unificados, que preferem apoiar o Rodrigo Maia do que a greve que os metroviários queriam fazer mas foram traídos, como fez a CTB (PCdoB), ou diretamente apoiam Bolsonaro como a UGT. Essa política traidora das centrais também é recheada de "assembleias nacionais", "dias de mobilização" e outros eventos que não constroem em nenhuma categoria, não impulsionam a partir de nenhum sindicato e impedem que as massas trabalhadoras possam participar e expressar sua força.

É preciso urgentemente organizar a luta da classe trabalhadora, organizar um verdadeiro plano de lutas, que derrote o golpismo desse judiciário e a reforma da previdência do Bolsonaro. É preciso organizar comitês em cada local de trabalho que proponha ações e coordenação entre os setores em luta para impor às direções sindicais o fim de sua trégua e uma verdadeira guerra que curve os TSTs e Bolsonaro e garanta o direito de todos trabalhadores brasileiros a se aposentar e até mesmo de fazer greve pelo seus direitos e suas vidas.




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