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Quase metade dos diretores das escolas públicas foi indicado por políticos, diz pesquisa

Flávia Rios

Contagem/MG

sábado 30 de setembro| Edição do dia

A Folha de São Paulo divulgou hoje uma pesquisa que indica que 45% dos diretores das escolas públicas do país assumiram seus cargos apenas por indicação política, sem estabelecimento de nenhum critério específico, isso é, sem processo seletivo, concurso, eleição ou consulta da comunidade escolar.

De acordo com a Folha, esses dirigentes tendem a possuir pior formação, menos experiência no ensino e menor experiência como gestores do que os selecionados por concurso ou eleição. Entre esses, 23% disseram não ter feito pós-graduação sendo que entre o grupo que chegou ao cargo de outras formas, esse número cai para 13%.

Em 2015 a Fundação Itaú Social realizou uma análise detalhada sobre o quanto a direção escolar pode influenciar na qualidade do ensino das escolas; Apesar de algumas diferenças entre escolas Municipais e Estaduais a pesquisa conclui que processos seletivos mais transparentes (vinculados a exame de seleção e/ou eleição) relacionam-se positivamente com a maior parte das características positivas apontadas como necessárias para as melhores práticas de gestão, ou seja, esses processos em geral escolhem diretores que permanecem muito mais tempo nas escolas e que apresentam características de liderança positivas (como identificado pelo incentivo à formação continuada dos professores). Em contrapartida, os diretores escolhidos por indicação (política, técnicos ou outras) não apresentam essas características.

Contudo temos no Brasil, estados como o Amapá que apresenta 85% dos diretores das escolas sem seleção objetiva, entre o Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo são entre 30 e 37% dos diretores.

A indicação de diretores escolares por parte de políticos é mais do que uma degradação da qualidade de ensino das escolas, é colocar nas escolas diretores que não conhecem ou acompanham a comunidade, que cria conflitos e assédios nos demais servidores que seguem na contramão de seus ideais políticos reacionários.

Em tempos do projeto de lei para escola sem partido e reforma do ensino médio que tem por objetivo transformar estudantes das escolas públicas em seres acríticos, apolíticos e em máquinas de produção. Prefeitos e vereadores colocam nas escolas direções para influenciar diretamente a seu favor, utilizam as escolas públicas como currais eleitorais, onde querem limitar que as políticas de esquerda sejam difundidas, mas, utilizam de suas indicações nessas mesmas escolas para campanhas políticas eleitorais.




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