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ESTADOS UNIDOS – RACISMO

Imagens da segunda noite de conflito em Charlotte

O governador da Carolina do Norte, Pat McCrory, declarou estado de emergência após a segunda noite de protestos pelo assassinato de um negro pelas mãos da polícia.

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Nove feridos, um deles gravemente, e ao menos 44 detidos é o saldo da repressão da polícia de Charlotte durante a segunda noite de protestos pelo assassinato do afroamericano Keith Scott pelas mãos da Polícia na terça-feira dessa semana.

O governador da Carolina do Norte, Pat McCrory, declarou estado de emergência, passada a meia-noite, e chamou a guarda nacional após o aumento da tensão na noite de quarta-feira ao tomar conhecimento que um dos manifestantes havia sido baleado.

O homem, que participava da manifestação, permanece em estado crítico desde que recebeu disparos na noite de quarta-feira. A polícia havia declarado inicialmente que os disparos teriam sido efetuados por outro manifestante, porém nesta quinta o chefe da polícia de Charolotte-Mecklenburg, Kerr Putney, reconheceu que quem havia disparado contra a vítima foi um agente policial. “Estamos aqui para buscar a verdade, assim que vamos investigar para encontrar a verdade, a verdade absoluta, segundo o que melhor possam demonstrar as provas”, afirmou Putney.

As tensões raciais haviam aumentado dramaticamente desde terça-feira, logo após o assassinato do afroamericano Keith Lamont Scott, por disparos efetuados por um agente policial, que havia ocorrido depois da morte na sexta-feira em Tulsa de outro afroamericano, Terence Cutcher, também pela polícia.

O que começou como uma vigília de oração após o tiroteio contra Scott tornou-se uma marcha de manifestantes indignados que continuou com enfrentamentos com a polícia antidistúrbios, que se posicionou fora do hotel Omni, o cenário do protesto, e disparou granadas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os manifestantes gritavam “as vidas dos negros importam” (Black lives matter) e “mãos ao alto: não disparem” e jogavam garrafas e fogos de artifício contra os efetivos policiais, que usavam bombas de fumaça, de borracha e gás lacrimogêneo contra a multidão. Centenas de manifestantes se dispersaram, mas vários permaneceram no lugar, investindo contra a polícia que marchava pelas intersecções de Charlotte lançando bombas lacrimogêneas.

Um repórter da CNN, Ed Lavandera, foi agredido enquanto transmitia um informe ao vivo, entre gritos da parte de manifestantes que exigiam que “dissesse a verdade”. Uma amostra a mais do crescente descontentamento popular contra os meios massivos e a forma como transmitem os episódios de violência policial racista no país.

As 44 pessoas presas sofreram várias acusações, entre elas, a recusa em dispersar, agressões e arrombamento de propriedade.

Na quarta-feira à noite, as mobilizações começavam a estender-se a outras cidades do país, como a que se pode ver em Nova Iorque:

A morte de Scott tornou-se o 214º assassinato de um afroamericano por parte da polícia em 2016, segundo Mapping Police Violence, um grupo que surgiu do movimento de protesto. Não existem dados do governo a nível nacional sobre disparos efetuados pela polícia.

Tradução: Vitória Camargo




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