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HU - USP

Hospital Universitário reduz ainda mais o atendimento à população e não dialoga com trabalhadores

Na última semana, a direção do Hospital Universitário (HU) da USP, sem nenhuma conversa com os trabalhadores, encerrou o atendimento à comunidade de Paraisópolis, restringindo ainda mais o atendimento à população. A informação chegou de maneira informal gerando confusão e dúvidas entre os funcionários que não sabiam se deveriam atender ou não.

segunda-feira 24 de julho| Edição do dia

A falta de comunicação por parte da superintendência com os trabalhadores do hospital já é conhecida. Está há meses negociando com a prefeitura a contratação de funcionários precários por via das organizações sociais de saúde (OSS) sem conversar com os trabalhadores, inclusive com os representantes da superintendência alegando desinformação ou diretamente negando, uma mentira comprovada mais tarde por ofício da própria superintendência.

Essa parceria com a prefeitura é a desvinculação do HU “por dentro”, uma forma de acabar com os postos de trabalho da USP, trocando aos poucos os funcionários da USP por terceirizados da prefeitura. Estes trabalharão com menos direitos, em contratos temporários que aumentam a rotatividade e diminuem o vínculo com a população atendida. Assim, vai precarizar a assistência à saúde e a qualidade do hospital também no seu objetivo de formar novos profissionais da saúde. Serão vários regimes de trabalho diferente, vários conflitos podem surgir, como já observado em outros hospitais-escolas.

Enquanto vemos os leitos serem bloqueados, os pronto-socorros adulto e infantil serem fechados a noite, as consultas ambulatoriais serem restringidas e nossos colegas de trabalho adoecerem física e mentalmente por causa da decisão da reitoria, com a ajuda da superintendência, de destruir o HU é justamente essa direção que tem levantado demagogicamente a bandeira de “ampliar o atendimento”. Inscreveu o HU no projeto Corujão da Cirurgia do prefeito Dória com o discurso de ampliar o atendimento, mas que na verdade servirá como pressão para contratar funcionários à todo custo, mesmo que sejam em condições precárias, mesmo que resulte na desvinculação do HU ou em demissão dos funcionários da USP. Assim, como não consultaram os funcionários sobre essa proposta, também não explicam por que não iniciou o projeto que teria inauguração dia 15 de junho. Completo desrespeito com quem há anos faz o hospital funcionar.

Os trabalhadores do HU precisam tirar a bandeira da ampliação do atendimento à população das mãos dos que estão acabando com o hospital, que fizeram PIDV’s sem reposição do quadro de funcionários. É preciso buscar os usuários e os estudantes para juntos lutar em defesa da saúde pública, pela contratação de trabalhadores por concurso USP para ampliar o atendimento e pela efetivação sem concurso público dos trabalhadores terceirizados da limpeza e zeladoria, para que tenham os mesmos direitos e salários que os funcionários da USP. Essas são algumas ideias com as quais nós do Movimento Nossa Classe e do Grupo de Mulheres Pão e Rosas que somos Diretores de Base do SINTUSP no Hospital participamos das reuniões de Diretoria e de CDB do sindicato, dialogamos com estudantes e funcionários das demais unidades, especialmente das áreas ligadas à saúde.




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